A equipe de analistas da Terra Investimentos afirmou que a empresa apresentou dados positivos em todos os aspectos. Destaque para o volume de vendas, que evoluiu tanto no mercado interno quanto no mercado externo impulsionado pela demanda dos setores de óleo, gás e mineração. O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (Ebitda, na sigla em inglês) ficou em R$ 1,56 bilhão, avanço de 37,1% na comparação anual.
As margens da companhia, ponto de principal preocupação no último trimestre, se beneficiaram do alívio inflacionário e demonstraram recuperação significativa no período, resultando, portanto, em um lucro acima das expectativas no trimestre, afirmaram os especialistas da Terra Investimentos.
A margem líquida da WEG apresentou alta de 14,6%, 1,5 ponto percentual superior ao período de julho a setembro de 2021 e 1,9 ponto percentual superior ao 2º trimestre de 2022.
Davi Ramos, CEO e sócio-fundador da Vante Invest, afirma também a WEG reportou um grande resultado devido a uma ótima combinação de aumento de receita com melhoria de margem. “Tanto o mercado interno quanto o externo apresentaram um robusto crescimento de 34% e 22%, respectivamente. No Brasil, o destaque ficou para o setor de geração, transmissão e distribuição (GTD), muito em função de projetos de energia solar e eólica”, explica.
Outro ponto que surpreendeu o mercado foi o retorno sobre o capital investido (ROIC) da companhia, número que mostra quanto a companhia tem de retorno em relação aos investimentos que ela faz. A empresa reportou ROIC de 27,9% no terceiro trimestre, queda de 3,4 pontos porcentuais em relação ao mesmo período de 2021, mas alta de 1 ponto porcentual quando comparado com o segundo trimestre desse ano.
De acordo com o analista de Research da Warren Gustavo Pazos, o resultado comprova que a WEG é uma “grande alocadora de capital”. “Esse ROIC mais uma vez reafirmou o perfil da empresa”, disse ele, que destaca, ainda, as fortes margens apresentadas pela companhia de equipamentos elétricos por conta, sobretudo, da redução dos custos das matérias-primas, principalmente as commodities metálicas.
Riscos para a WEG?
Gustavo Pazos, da Warren, acha difícil a WEG apresentar outras fortes altas decorrentes dos balanços futuros porque a companhia é uma empresa que tem seus resultados muito atrelados ao exterior. “E o cenário econômico internacional não está muito favorável”, lembra.
Esse mesmo motivo também preocupa os analistas da Terra Investimentos. Eles afirmam que a perspectiva de demanda menor no exterior devido a uma possível recessão em decorrência dos altos juros no hemisfério norte pode impactar a empresa. “Tanto que o balanço foi surpreendente justamente por isso, esperava-se que os efeitos dessa desaceleração econômica fosse notada, mas isso não ocorreu”, destacou Régis Chinchila, analista da casa.