Em baixa desde a abertura dos negócios, o dólar registrou máxima a R$ 5,1132 (-0,25%) pela manhã, com pressão compradora momentânea após a divulgação do relatório de emprego nos EUA (payroll). Rapidamente, porém, a divisa voltou a apresentar queda superior a 1% e, à tarde, desceu até mínima de R$ 5,0205 (-2,05%). No fim da sessão, o dólar recuava 1,24%, a R$ 5,0622 – menor valor de fechamento deste 29 de agosto (R$ 5,0334). Com isso, a moeda encerra a primeira semana após a vitória do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial com baixa acumulada de 4,49%.
“O mercado se animou com essa história de que a China vai flexibilizar controles. Os preços estavam bastante deprimidos na parte de commodities com a política monetária restritiva nos países desenvolvidos, especialmente nos EUA, e a economia chinesa fraca”, afirma o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima, ressaltando que ainda existem uma “incerteza grade” sobre a atividade na China. “O payroll não chegou a ter grande influência nos preços. O mercado de trabalho americano está se ajustando devagar e o Fed ainda tem que elevar os juros. O que domina hoje é a questão das commodities, que influencia muito o comportamento da nossa moeda”.
A equipe de transição para o governo Lula, comandada pelo vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, negocia um meio de atender às promessa de campanha, como manutenção do Auxílio Brasil (que voltará a se chamar Bolsa Família) no valor de R$ 600 a partir do ano que vem e um aumento real para o salário mínimo. Na mesa, estão duas opões: a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição, a chamada PEC de Transição, ou uso de crédito extraordinário. A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, disse no início da tarde que a equipe de transição ainda não tem cálculos da área técnica sobre o valor que seria contemplado na PEC.
Fontes ouvidas pelo Broadcast afirmam que ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) vêm precedente para que o uso de crédito extraordinário para cobrir o Auxílio Brasil de R$ 600 em 2023 e despesas de outros programas. Hoje à tarde, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) defendeu a abertura de crédito extraordinário (fora do teto) via Medida Provisória como melhor alternativa para contemplar os gastos prometidos em 2023.
Para Lima, da Western Asset, o ambiente político ainda é de muito ruído e pouca informação concreta, dado que não saiu o nome de quem comandará o ministério da Fazenda no futuro governo Lula. Há dúvidas também sobre qual será o tamanho do espaço de gastos fora do teto em eventual PEC ou via crédito extraordinário. “O mercado estava com medo de risco de não aceitação do resultado e houve uma alívio com o fato de que vai haver uma transição e o Congresso deve apoiar na largada. Mas ainda existem muitas dúvidas sobre o que vai ser o próximo governo”, diz.