De acordo com João Abdouni, analista da Inv, enquanto o preço das matérias-primas puxaram a Vale e a Petrobras – que juntas possuem uma participação de mais de 25% na carteira do índice – para cima, a alta nos juros futuros afetaram o mercado doméstico, principalmente as varejistas.
“O índice small caps, que representa as companhias internas, por exemplo, negociou a 5% das mínimas dos últimos anos”, declarou o especialista.
Outro fator que motivou a queda das varejistas hoje foram os dados divulgados mostrando que o varejo virtual teve queda de 28% no faturamento na Black Friday em comparação com o ano anterior, afirmou Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos. As empresas do setor vem amargando perdas nos últimos meses diante do cenário de alta de juros no Brasil.
No exterior, o S&P 500 caiu 1,54%; Dow Jones, 1,45%; e o Nasdaq, 1,58%. As bolsas refletiram os protestos na China contra as políticas duras em relação à Covid-19. Além disso, investidores têm no radar a divulgação de dados que devem acontecer nesta semana, como o Payroll, PIB, dados de desemprego dos EUA e falas do Federal Reserve (Fed, ou banco central norte-americano).
Já o câmbio, o dólar e o euro caíram -0,82% e -1,51% frente ao real na sessão, atingindo os R$ 5,37 e R$ 5,55, respectivamente.
As três ações que mais desvalorizaram no dia foram: Americanas (AMER3), Via (VIIA3) e Marfrig (MRFG3).
Americanas (AMER3): -9,68%, R$ 9,89
Com as taxas de juros futuros mais altas, os setores de mercados internos tendem a desvalorizar, já que seus balanços são afetados no curto prazo. Dessa forma, a Americanas encerrou o dia com queda de 9,68%, a R$ 9,89.
A AMER3 está em queda de 36,36% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 67,97%.
Via (VIIA3): -6,70%, R$ 2,09
A Via, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, também fechou o dia com perdas de 6,70%, a R$ 2,09. Seus papéis foram impactados pelos mesmos motivos que as ações da Americanas.
A VIIA3 está em queda de 33,23% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 60,19%.
Marfrig (MRFG3): -5,93%, R$ 9,05
Em perspectiva mais negativa frente aos pares frigoríficos, a Marfrig fechou o dia em queda de 5,93%, a R$ 9,05. Para Régis Chinchila e Luis Novaes, da Terra Investimentos, as ações da companhia refletiram a fase de decadência do ciclo do gado nos Estados Unidos, o que reduz a sua disponibilidade no próximo ano, “podendo gerar um efeito negativo sobre as margens [da companhia], tendo em vista o maior custo”.
A queda no dólar é um fator que pode estar contribuindo com a desvalorização pontual de hoje”, avaliam também os analistas da Terra. Rodrigo Brolo, sócio da Criteria Investimentos, por sua vez, destaca que 80% do resultado de Marfrig e de JBS vêm dos Estados Unidos, o que aumenta o risco se a expectativa de recessão de EUA e Europa nos próximos meses se confirmar.
A MRFG3 está em queda de 15,42% no mês. No ano, acumula uma desvalorização de 55,62%.
*Com informações do Estadão Conteúdo