Advogados do Credit Suisse Life Bermuda, unidade de seguro de vida da companhia identificada como responsável pelos erros, estão dispostos a desafiar o pedido de pagamento quando o julgamento de apelação começar. A porta-voz do banco suíço recusou comentar sobre o caso.
Um juiz das Bermudas reconheceu os danos sofridos pelo cliente do banco e bilionário georgiano Bidzina Ivanishvili em março, após decidir que o Credit Suisse Life fez “vista grossa” ao lidar com o condenado por fraude e ex-funcionário da instituição Patrice Lescaudron pela utilização indevida do dinheiro de Ivanishvili.
Segundo o banco, o francês condenado em 2018 era um lobo solitário que escondia suas atividades criminosas de colegas e supervisores. Contudo, o juiz Narinder Hargun decidiu que a unidade da instituição financeira em questão detinha a responsabilidade pois “a Credit Suisse Life sabia sobre a conduta incorreta do Sr. Lescaudron e poderia – e deveria saber – das suas transgressões futuras”.
O porta-voz de Ivanishvili também optou por não comentar sobre o assunto antes do resultado da apelação. A Credit Suisse já reservou um valor específico para os danos, os quais estão sendo postos sob custódia enquanto aguardam o resultado do recurso.
Ivanishvili também acusou um credor suíço em Cingapura pelo que o georniano afirmou resultar em US$ 800 milhões em perdas. O Credit Suisse Trust em Cingapura admitiu, durante um julgamento em setembro, que não informou o cliente bilionário sobre as transferências realizadas sem sua autorização, o que pode resultar em uma reviravolta inesperada no resultado do julgamento.
Esse foi o revés legal mais recente em um ano difícil para o banco, que acabou sendo condenado criminalmente por não impedir uma lavagem de dinheiro em junho e a saída de dezenas de bilhões de clientes. O Credit Suisse está apelando contra a condenação.
Um advogado do CS Life Bermuda argumenta que, embora a seguradora não conteste a decisão do juiz das Bermudas ou o valor, há um espaço limitado em respeito ao pagamento dos danos sofridos pelo cliente. As Bermudas aprovaram uma legislação em 2000 que visava criar entidades denominadas “empresas de contas segregadas”, permitindo a divisão legal de ativos e passivos financeiros em contas separadas.
A compensação “deve ser paga e paga apenas com os ativos das contas separadas”, argumentou o advogado da instituição. O advogado de Ivanishvili rebateu que tal argumento era um absurdo, pois sugeria que o passivo deveria ser reembolsado com os “próprios ativos do autor”.
* Tradução feita por Maria Clara Matos