Segundo operadores, depois do forte desmonte de posições defensivas no mercado de câmbio futuro por estrangeiros e fundos locais ontem, investidores preferiram adotar uma postura mais cautelosa à espera do fim da tramitação da PEC da Transição.
“O dólar ficou rodando à tarde perto de R$ 5,20, esperando que a Câmara confirme a redução do prazo de validade da PEC para um ano”, afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, ressaltando que uma PEC mais enxuta que o texto original abriu espaço para redução dos prêmios de risco.
À tarde, a Câmara dos Deputados retomou a votação da PEC dos Transição, aprovada ontem em primeiro turno. Houve rejeição ao destaque do Partido Novo que propunha que a âncora fiscal fosse inscrita na Constituição. Permaneceu a versão prevendo que o governo envie até agosto de 2023 um projeto de lei complementar com nova regra para a área fiscal. Com o pregão já fechado, a Câmara aprovou o texto-base da PEC em segundo turno, com 331 votos a favor e 163 contra. A proposta segue agora para o Senado.
“O mercado está esperando alguma coisa nova para voltar a se mexer. Ontem, teve um grande fluxo estrangeiro bem especulativo que pode sair na próxima semana, quando haverá mais remessas de fim de ano para o exterior”, afirma o analista de câmbio da corretora Ourominas, Elson Gusmão. “Em janeiro, com aprovação final da PEC e sem a pressão das remessas, o estrangeiro pode voltar. O dólar pode bater os R$ 5,10 no começo do ano que vem”.
A pressão de saída de recursos típica de fim de ano já foi detectada nos dados do fluxo cambial na semana passada (de 12 a 16), divulgados hoje pelo Banco Central. O saldo foi negativo em US$ 2,901 bilhões no período, graças a saída de US$ 2,943 bilhões pelo canal financeiro. Houve entrada de US$ 43 milhões via comércio exterior nesse período.