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Mercado

Com crise das Americanas (AMER3), o investidor deve mexer na carteira?

Veja a recomendação dos especialistas após o rombo contábil de R$ 20 bilhões que chocou o mercado

Por Bruna Camargo*, Estadão Conteúdo

13/01/2023 | 3:00 Atualização: 13/01/2023 | 9:36

Fachada das Lojas Americanas. Crédito: Felipe Rau/Estadão
Fachada das Lojas Americanas. Crédito: Felipe Rau/Estadão

O melhor a se fazer é não fazer nada. A frase foi repetida por especialistas de investimentos para acalmar os investidores que questionam o que fazer com a alocação em Americanas (AMER3) na carteira.

Leia mais:
  • Americanas: relembre casos de "inconsistências" que abalaram o mercado
  • Americanas e o rombo de R$ 20 bi: o que fazer com as ações?
  • CVM abre 2 processos administrativos para investigar Americanas (AMER3)
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O nervosismo surgiu em meio à crise que recaiu sobre a companhia após fato relevante mencionando inconsistências em lançamentos contábeis e a renúncia de Sérgio Rial da presidência. Saiba quem é o ex-CEO.

“A quinta-feira foi o D+1 após o fato relevante e o primeiro dia após a saída do Rial. A gente ainda está no meio do pânico generalizado do mercado. É um momento de muita cautela, pois há muitas perguntas, especulação, mas poucas respostas”, observa Heitor De Nicola, especialista de renda variável e sócio da Acqua Vero Investimentos. Ele destaca que o BTG Pactual, parceiro da assessoria, reforçou a orientação de cautela para “acompanhar os próximos capítulos” da crise.

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André Luzbel, líder de renda variável da SVN Investimentos, também diz que “a coisa mais racional agora é não fazer nada, para esperar os desdobramentos e entender um pouco melhor a situação”. “Vai ter muita volatilidade e tem gente que vai conseguir operar bem o papel, mas para o médio e longo prazo o melhor é aguardar”, acrescenta.

  • Quem é PwC, a auditoria que aprovou as contas da Americanas

O essencial agora, na avaliação de André Meirelles, diretor de alocação e distribuição da InvestSmart, é aguardar o balanço do quarto trimestre de 2022, que está previsto para ser divulgado no dia 29 de março.

“Com esse documento, que deve vir atualizado, será possível entender com mais clareza a real situação da companhia e, assim, avaliar se a ação atualmente vale mais ou menos do que o preço de mercado”, afirma Meirelles.

“É melhor ter calma e esperar, porque [a ação de Americanas] já caiu demais. O setor de varejo está muito fragilizado com os juros altos, e já recomendo não ter uma posição muito grande nesse momento de alta [de juros]. É melhor procurar empresas exportadoras, empresas de utilities, que são setores mais defensivos. O varejo é muito volátil e deu para perceber que o risco é alto”, avalia João Abdouni, analista da Inv.

No fechamento do mercado, as ações amargaram uma queda histórica de 77,42% e terminaram o dia cotadas a R$ 2,71. O valor de mercado da companhia caiu mais de R$ 8,37 bilhões em um dia. Nesta reportagem, mostramos as maiores quedas diárias na Bolsa desde 1986.

Forte queda não abre janela para compra

O tombo dos papéis de Americanas no pregão de quinta-feira não inspira uma oportunidade de compra para aproveitar uma eventual retomada, na avaliação de Fernando Ferrer, analista da Empiricus. “Não vale o risco”, afirma, destacando que ainda há muitas dúvidas a serem esclarecidas – como uma eventual necessidade de um aumento de capital, uma diluição de participações e o posicionamento dos acionistas de referência.

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“São muitas dúvidas que merecem ser monitoradas e os investidores têm que ficar de fora tanto da dívida quanto das ações da companhia. Tentar ‘pegar uma faca caindo’, ainda mais num caso tão complicado e cheio de incertezas, não é um posicionamento que me agrada mesmo tendo em vista essa queda bastante grande dos papéis”, pondera Ferrer.

Meirelles, da InvestSmart, afirma ainda que mesmo uma tomada de fôlego do papel não significa que o problema acabou. “Eventuais altas do papel podem significar tanto uma reprecificação do mercado e o início de uma recuperação do valor da ação quanto um fenômeno conhecido como ‘dead cat bounce’, o ‘pulo do gato morto’, em que o papel demonstra uma pequena recuperação antes de voltar a cair intensamente”, alerta.

Entenda o caso

A Americanas informou na quarta-feira (11) à noite, após o fechamento do mercado, que foram detectadas inconsistências em lançamentos contábeis na rubrica “redutores da conta fornecedores” na ordem de R$ 20 bilhões na data-base de 30 de setembro de 2022. Além disso, informou que o presidente da companhia, Sérgio Rial, e o diretor de Relações com Investidores, André Covre, decidiram deixar os cargos 11 dias após tomarem posse. João Guerra assume interinamente.

Em conferência na quinta-feira (12) para clientes locais e estrangeiros do BTG Pactual, Rial explicou como ocorreu o rombo de R$ 20 bilhões que, nas palavras do próprio executivo, deixou todos surpresos.

A primeira grande conclusão de Rial é de que “esse valor está totalmente dentro do balanço da varejista”, mas as despesas financeiras com dívidas bancárias de compras de fornecedores foram contabilizadas de forma errada. “Não existe R$ 20 bilhões fora do balanço”, de acordo com o executivo. Veja mais detalhes da conferência.

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Durante a tarde, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) informou ter aberto dois processos administrativos para analisar as inconsistências contábeis da Americanas. A medida era amplamente esperada pelo mercado.

Durante o dia, corretoras e bancos também divulgaram suas avaliações sobre o caso. O Itaú BBA, por exemplo, decidiu reavaliar a cobertura de Americanas até que “possam entender melhor a situação), e agora os papéis da empresa constam como “under review” (sob revisão).

Já o Morgan Stanley removeu a recomendação “overweight” (equivalente à compra) e o preço-alvo de R$ 16 para Americanas.

Enquanto isso, os acionistas minoritários já procuram meios de reaverem possíveis prejuízos com as ações. Segundo oInstituto Ibero-Americano da Empresa, pelo menos 100 investidores individuais e dois fundos de investimentos procuraram a associação e estudam ingressar com procedimentos arbitrais na Câmara de Arbitragem de Mercado (CAM) contra a varejista.

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*Com informações de Altamiro Silva Junior, Elisa Calmon, Juliana Garçon e Talita Nascimento

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