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Mercado

Ibovespa fecha janeiro com alta de 3,37%, apesar do efeito Americanas

Maior catalisador da alta foi a reabertura da China, que ajudou a valorizar as teses de commodities

Por Luíza Lanza

31/01/2023 | 18:17 Atualização: 31/01/2023 | 18:47

O Ibovespa encerrou o primeiro mês de 2023 com uma alta acumulada de 3,37% aos 113.430,54 pontos. Mesmo em um janeiro turbulento, o índice de referência da bolsa brasileira conseguiu se apoiar na melhora dos mercados globais para superar o início de um novo governo em Brasília, ataques à democracia, e o rombo contábil das Americanas.

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O desempenho positivo da bolsa brasileira acontece na esteira da reabertura das políticas de covid-zero na China. Pela primeira vez em quase três anos, o gigante asiático liberou as fronteiras, permitindo a entrada de visitantes internacionais pela primeira vez desde que a pandemia explodiu, em março de 2020.

“A reabertura da China é a grande novidade no cenário global de dezembro para janeiro e tem sido um processo muito forte. Todos os indicadores mostram que o governo chinês de fato deixou de lado a política de covid-zero”, explica Ricardo França, analista da Ágora Investimentos.

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A volta das atividades econômicas do maior consumidor de commodities do mundo deu apoio a uma valorização no preço de insumos como minério e petróleo – especialmente importantes para as empresas com maior representação no Ibovespa. “Houve uma recuperação de demanda muito consistente, o que obviamente é muito bom para aqueles ativos diretamente ligados à China. Foi um mês forte para minério e petróleo, o que acabou favorecendo os ativos brasileiros”, diz França.

Em 2022, as expectativas para o início deste ano eram mais negativas. Além das dúvidas com a atividade na China, pesava sobre os mercados um receio com o desabastecimento de energia no inverno europeu e a possibilidade de recessão nos Estados Unidos.

A melhora da perspectiva com esse último fator foi especialmente importante para um começo de 2023 mais ameno nas bolsas globais. O Federal Reserve, banco central dos EUA, se reúne na quarta-feira (1) para decidir por mais uma elevação na taxa de juros do país.

O consenso do mercado é por uma alta de 25 pontos-base, o menor nível de aumento na taxa desde março do ano passado.

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“Os ativos de risco estão tendo um mês mais positivo muito por conta da expectativa de que os bancos centrais lá fora comecem a desacelerar, principalmente o Fed. Isso tem dado um pouco de alívio para os mercados globais depois de um 2022 difícil”, pontua Jennie Li, estrategista de ações da XP.

Com ânimos mais tranquilos nos mercados internacionais, a valorização da tese de commodities também ajudou a atrair mais estrangeiros para a bolsa brasileira. Até a quinta-feira (26), a entrada de capital gringo era de R$ 9,9 bilhões, segundo os dados mais recentes da B3. “O investidor estrangeiro está com boa disposição para comprar algumas teses de Brasil, sobretudo nessas empresas de commodities. Lá fora houve também alguma desaceleração da inflação, o que aumenta a busca por ativos de risco”, explica Ricardo França, da Ágora.

Um movimento que ajudou a derrubar a cotação do dólar, que bateu o menor patamar em 80 dias, como contamos nesta reportagem. A moeda americana encerrou janeiro a R$ 5,07, com uma desvalorização mensal de 3,97%.

Alta apesar de Brasília e AMER3

A alta do Ibovespa em janeiro acontece apesar de toda a volatilidade vista em um mês de acontecimentos muito particulares no mercado financeiro.

O primeiro dia do ano começou com a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para seu terceiro mandato como presidente da República. As declarações iniciais do novo chefe do Executivo não agradaram o mercado e resultaram em uma queda de 3,06% no primeiro pregão do ano, no dia 2. O mau humor foi amenizado ao longo dos dias seguintes, mas não impediu que o índice encerrasse a primeira semana de 2023 com queda de 0,70%.

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Como contamos aqui, é o pior desempenho acumulado nos cinco primeiros pregões de um novo governo desde o segundo mandato de Lula, quando o índice caiu 3,70% na semana de abertura da gestão do petista em 2007, mostrou um levantamento realizado por Einar Rivero, do Trademap.

O tema político não ficou muito tempo fora do radar do mercado. no começo da segunda semana do ano, extremistas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) invadiram Brasília e depredaram o Congresso, o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Planalto. Apesar da gravidade do ocorrido e da expectativa inicial de que a bolsa abriria em queda o pregão seguinte, a reação foi contida. Houve uma leve alta de 0,15% no Ibovespa, com a percepção de investidores de que o governo federal conseguiu conter os atos.

Na mesma semana, quando os temores com a invasão a Brasília foram sendo deixados de lado, veio à tona uma bomba: a Americanas (AMER3) comunicou em 11 de janeiro que havia detectado um rombo bilionário em seus balanços. O CEO da companhia, Sergio Rial, deixou o cargo. Em seguida, a varejista se viu obrigada a iniciar uma recuperação judicial e a dívida passou de R$ 20 bilhões para R$ 43 bilhões. As ações se dissolveram e deixaram a composição do Ibovespa custando menos de R$ 1. Confira a cobertura completa do caso.

Mesmo com tantos eventos negativos jogando volatilidade na bolsa, analistas explicam que o desempenho do Ibovespa não foi prejudicado. A reação a esses eventos não foi disseminada por toda a bolsa de valores, apenas a setores específicos.

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“No caso específico da Americanas, a empresa não obtinha participação relevante no Ibovespa, cerca de 0,3%”, explica Rafael Scardua, sócio da Matriz Capital.

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