Enquanto o Governo Federal mobiliza os três Poderes em uma discussão sobre segurança de crianças e adolescentes nas escolas, um plano de R$ 3 bilhões em medidas foi anunciado.
No paralelo, as empresas de educação da Bolsa, como Yduqs (YQUD3) e Cogna (COGN3), seguem afastadas dos problemas. O entendimento é que os eventos, ainda que graves, não têm nenhuma correlação com o preço das ações dessas companhias.
João Lucas Tonello, CNPI, analista da Benndorf Research, tentou levantar dados dos últimos 5 anos para entender se episódios de violência nas escolas reverberam, ainda que indiretamente, nas ações de empresas do setor de educação. Mas não foi possível traçar nenhuma correlação.
Ainda que se discuta a necessidade de que essas empresas implementem em suas unidades de ensino medidas de segurança, como contratação de pessoal ou detectores de metais, por exemplo, isso não teria um custo elevado o suficiente para impactar a receita das companhias, diz o analista. “Como estas atrocidades são isoladas, os impactos não são duradouros suficientes para causar impacto substancial ao caixa das empresas”.
Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, ressalta que a demanda pelo serviço de educação dessas empresas é inelástica, ou seja, varia pouco ao longo do tempo. “Por mais que tenha o risco, não tem muita alternativa, a criança precisa ir para escola”, explica.
Às 16h26 desta quarta-feira (19), as ações da Yduqs (YDUQ3) e da Cogna (COGN3) caíam 7,20% e 4,04% respectivamente. Os motivos, no entanto, têm mais a ver com o cenário macroeconômico, mais negativo no pregão por causa das incertezas com o arcabouço fiscal.
“As ações de educação ainda estão sofrendo bastante com essa situação econômica de juros mais altos. Isso realmente atacou as margens dessas empresas”, diz Cruz.