Este cenário se confirma em um levantamento inédito realizado pela fintech especializada em ativos digitais BlueBenx sobre as nações que mais utilizam as bitcoins. De acordo com o estudo, nove das 10 nações que estão no topo do ranking ainda não possuem leis que regulamentam a utilização da criptomoeda.
“O posicionamento de muitos governos foi de não proibir o mercado, mesmo sem uma regra clara para criptomoedas”, explica Roberto Cardassi, CEO e fundador da BlueBenx. “Por outro lado, a regulamentação é importante porque poderá permitir a entrada de investidores institucionais e grandes bancos.”
A exceção fica com Estados Unidos, que ocupa o primeiro lugar da lista. No país, a moeda é reconhecida na Califórnia, Flórida, Illinois, Pensilvânia, Texas, Washington e na cidade de Nova York, com volume de negociação na ordem de US$ 1,44 bilhão.
“É interessante ver os EUA no topo da lista, uma vez que, até três anos atrás, a China era o maior mercado, com quase 48% do market share”, diz Cardassi. A proibição da emissão de moedas digitais feita pelo governo chinês no final de 2017 também ajudou a abrir espaço para outros países crescerem no segmento.
De acordo com Cardassi, ainda em 2018, o governo americano começou a autorizar o funcionamento de grandes exchanges (corretoras de criptomoedas), como a Coinbase. “Houve uma migração em grandes quantidades de bitcoins para essas corretoras nos Estados Unidos, já que o país tirou esse mercado da marginalidade”, afirma. Atualmente, a China está em quinto lugar.
Logo atrás dos EUA aparece a Rússia, com US$1,05 bilhão em volume de negociação. O país não tem regulamentação consolidada em torno do Bitcoin, mas permite que os cidadãos comprem e vendam moedas digitais. “Não é permitido ter exchanges no país, mas os russos podem acessar corretoras de outros países e comercializar”, diz.
Outro caso interessante é o da Venezuela, que movimenta US$ 707 milhões. O país assumiu o quarto lugar entre os que mais negociam a moeda digital em um momento de grave crise financeira e desvalorização expressiva do Bolívar Venezuelano – cotado em R$0,000020.
“A Venezuela chegou a criar a própria moeda digital, a Petro, atrelada à produção de Petróleo”, relata Cardassi. “O que aconteceu foi que o governo venezuelano começou a fazer trocas da Petro com o bitcoin para viabilizar as negociações em torno da commodity”, conclui. Na visão do CEO, hoje o país é o primeiro case em que as moedas digitais foram usadas como um acelerador econômico e alternativa para viabilizar negócios.
O Brasil, por sua vez, só aparece no 22º lugar do ranking. Por aqui também não temos regulamentação, mas a CVM já autoriza fundos brasileiros a aplicarem em criptomoedas do exterior. Segundo Luiz Antonio Sacco, Diretor Geral da Ripple na América Latina e especialista em blockchain, o País tem muito a ganhar ao trazer regras claras para os criptoativos, com níveis de ‘compliance’ adequados.
“A regulamentação permitirá que pessoas e empresas sintam mais confiança no mercado, ao mesmo tempo em que restringirá a atuação daquelas companhias que não estão sustentadas por boas práticas”, indica Sacco.
Veja o ranking completo dos países que mais negociam bitcoins:
1º – Estados Unidos: US$1,44 bilhão
2º – Rússia: US$1,05 bilhão
3º – Reino Unido: US$738 milhões
4º – Venezuela: US$707 milhões
5º – China: US$622 milhões
6º – Nigéria: US$258 milhões
7º – Austrália: US$186 milhões
8º – Canadá: US$100 milhões
9º – África do Sul: US$98 milhões
10º – Índia: US$73 milhões
22º – Brasil: US$30 milhões