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Colunista

Entenda o comportamento que pode colocar em risco seus investimentos

Quanto melhor você souber identificá-lo, maior a sua chance de evitar erros

Por Eduardo Mira

02/06/2023 | 16:30 Atualização: 02/06/2023 | 16:31

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

Os vieses cognitivos são estudados pela psicologia desde a década de 1970, buscando compreender o comportamento humano e a forma como fazemos escolhas.

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Dos anos 2000 pra cá, com a economia comportamental ganhando cada vez maior relevância, esses estudos têm evoluído de forma contínua. Atualmente, já são mais de 180 vieses catalogados.

Muitos desses vieses nos ajudam a entender as motivações que levam o investidor a fazer escolhas que nem sempre são adequadas às suas reais necessidades. O viés conhecido como falácia do custo irrecuperável é um deles.

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Considero importante que você saiba mais sobre esse viés, pois ao identificá-lo poderá evitar erros comuns, passando a otimizar seus investimentos a partir de escolhas racionais.

O que são vieses cognitivos

Os vieses cognitivos funcionam como regras práticas armazenadas no cérebro e que facilitam nosso entendimento do que está ao redor, possibilitando decisões rápidas e, na maioria das vezes, automáticas.

Há um aspecto biológico no cérebro humano que torna a simplificação um processo importante para não sobrecarregar e consumir energia além do necessário para decisões simples do cotidiano.

No entanto, isso só é positivo para decisões automáticas, como dirigir, caminhar, calçar um sapato, fazer atividade físical, digitar e etc. Ou seja, aquelas escolhas para as quais você não precisa de um repertório sofisticado subsidiando decisões.

O problema ocorre quando nosso cérebro tenta aplicar essa habilidade de simplificação e automatização para escolhas complexas e que deveriam ser feitas de forma mais analítica. É aí que a influência dos vieses pode nos conduzir a erros sistemáticos e tomadas de decisão tendenciosas.

Viés da falácia do custo irrecuperável 

Esse é um dos vieses que pode afetar suas decisões financeiras e de investimento e está relacionado a outros vieses comportamentais, como o viés de comprometimento e a aversão à perda.

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Você pode observar facilmente a falácia do custo irrecuperável em duas situações comuns de sua vida financeira: na gestão de despesas cotidianas e na escolha dos investimentos.

No caso das despesas cotidianas, a influência desse viés pode levá-lo a seguir com uma compra não satisfatória ou até mesmo não necessária, apenas porque já gastou dinheiro não reembolsável.

Por exemplo, você está no meio de uma reforma e percebe que o pedreiro começou a assentar o piso de forma diferente do que você definiu, mas, para não ter o prejuízo de quebrar e refazer, você decide seguir com o assentamento de um jeito que não queria, afinal, já gastou e não quer “perder” esse dinheiro.

Nesse momento, você talvez não pondere que vai ficar convivendo por décadas com algo que não gostou, podendo inclusive desvalorizar seu imóvel ante aos olhos de um potencial comprador. Afinal, seu foco no momento da obra está exclusivamente no gasto já feito e que você não deseja desperdiçar.

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No contexto de investimentos, esse viés pode levá-lo a prosseguir em uma aplicação ruim e com prejuízo, devido ao tempo e ao dinheiro já investidos, mesmo que haja sinais claros na economia de que outras oportunidades sejam mais promissoras.

É comum um investidor comprar uma ação que, em dado momento, perde seu valor nominal, pois o mercado tem muitas variáveis que influenciam o valor do ativo. Neste momento, o mais racional a fazer é avaliar se essa desvalorização é apenas volatilidade momentânea ou decorrente de perda de fundamentos da empresa e, a partir da conclusão, tomar a decisão de permanecer ou vender o ativo.

Ocorre que a falácia do custo irrecuperável pode levar o investidor a permanecer com um ativo em carteira simplesmente para não realizar o prejuízo, mesmo com todas as sinalizações do mercado de que o fundamento mudou e que o ativo não voltará ao preço que aquele investidor pagou.

Ao decidir influenciado pelo viés cognitivo, esse investidor pode ver seu prejuízo subindo cada vez mais, além do custo de oportunidade de não aproveitar outras opções mais aderentes ao cenário econômico e às suas metas de longo prazo.

Como evitar que o viés leve a decisões ruins

Para evitar cair na falácia do custo irrecuperável, o ideal é que você possua um plano de investimento baseado em metas claras de médio e longo prazo, todas devidamente precificadas.

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Além disso, é importante definir pontos de saída predeterminados para seus investimentos, estabelecendo lucro máximo desejado e prejuízo máximo aceitável, de forma que sua decisão nos momentos de volatilidade dos mercados esteja pautada nessa racionalidade e não na emoção que o cenário eventualmente desperte.

Por último, mas não menos importante, a diversificação de sua carteira e a disciplina dos aportes e do rebalanceamento periódico irão garantir que suas escolhas ocorram de forma alinhada ao plano definido.

Quando você traça previamente seu plano de investimentos, mitiga influência de vieses cognitivos, pois seu planejamento funcionará como rota de navegação, Mesmo em momentos que o seu emocional esteja mais suscetível às influências externas, você terá um direcionamento a seguir, sem que seu cérebro caia na tentação das decisões automáticas e, por vezes, precipitadas.

Em suma, aprender a identificar quando a falácia do custo irrecuperável esteja agindo em seu emocional é essencial para evitar decisões financeiras ilógicas e maximizar seus retornos financeiros.

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