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Colunista

O que torna o Brasil atrativo para os investidores globais?

O movimento recente de apreciação dos ativos locais (bolsa, câmbio e juros) foi rápido e acentuado; entenda

Por Dan Kawa

14/06/2023 | 15:13 Atualização: 14/06/2023 | 15:19

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(Foto: Envato Elements)
(Foto: Envato Elements)

As últimas semanas foram marcadas pela continuidade de alguns movimentos relevantes, e o aprofundamento de algumas dinâmicas que merecem atenção.

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No Brasil, um IPCA de maio (inflação) abaixo do esperado, com uma evidente (mesmo que incipiente) melhora no quadro qualitativo – com acomodação da inflação de Serviços; um arrefecimento dos núcleos e uma moderação no índice de difusão – ajudou a acentuar o movimento de fechamento de taxa de juros. Este movimento foi um pilar relevante no movimento de alta das ações cíclicas locais desde o fim de abril.

O movimento recente de apreciação dos ativos locais (bolsa, câmbio e juros) foi rápido e acentuado. Há evidente acúmulo de posições otimistas em ativos brasileiros por parte dos fundos locais – em especial, dos Fundos Multimercados. Assim, acomodações ou realizações de lucro de curto-prazo podem ocorrer. Olhando prazos mais longos, contudo, a posição em Brasil ainda é saudável (poucos investidores detém posição) e os valuations ainda se mostram abaixo dos padrões históricos, especialmente no mercado de ações.

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O Brasil segue como uma das únicas opções viáveis de países emergentes “investíveis” para os investidores globais, com valuations atrativos, liquidez, e bem posicionado para o ambiente global atual (detalhes abaixo). Países como Rússia, Turquia e até mesmo a China saíram do radar de muitos investidores globais devido aos seus desafios domésticos.

O avanço do novo arcabouço fiscal no Congresso foi um importante passo – mesmo que não perfeito – para reduzir alguns “riscos de cauda” de curto-prazo para a conta públicas do País.

Além disso, o Congresso, por ora, tem se colocado como um “agente moderador” em relação a propostas mais heterodoxas por parte do governo, o que reduz, em parte, ruídos institucionais.

Vale reforçar que um cenário externo “morno” ajuda muito este ambiente para Brasil. Na ausência de desvios muito grandes no cenário internacional, está dinâmica positiva poderá continuar.

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O que seria um risco para este ambiente?

(1) Uma desaceleração econômica global mais cedo, mais acentuada e de maior duração do que o mercado espera neste momento;
(2) Uma nova rodada de alta na inflação global, que demandaria um novo ciclo de alta de juros, ou a percepção de juros mais altos, por ainda mais tempo;
(3) Alguma “baleia boiando”, ou seja, algum mercado ou nicho econômico apresentando sinais de fragilidade ou crise mais aguda.

No cenário internacional, os investidores continuam se posicionando para um ambiente de crescimento mais baixo, porém sem uma recessão ou alguma crise (“baleia boiando”), no horizonte relevante.

Os últimos dias trouxeram uma visibilidade turva em relação ao ambiente internacional. Os bancos centrais de Canadá e Austrália elevaram suas taxas de juros de forma inesperada, mostrando que o trabalho de combate à inflação por parte de alguns países ainda está longe do fim.

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Voltamos a observar dados de desaceleração do crescimento global. Destaque para o Jobless Claims nos EUA (pedidos de segundo desemprego), mostrando um aumento de pedidos de maneira ligeiramente acentuada na última semana. Em outras palavras, um mercado de trabalho começando a perder momento. Os PMI’s/ISM – indicadores coincidentes de atividade econômica – continuam apontando para um setor manufatureiro fraco e os dados na China apontam para uma economia sem vetores claros de suporte.

Os baixos dados de inflação da China divulgados no final da semana passada mostraram uma economia com baixíssima demanda. Isso implica na necessidade de uma reação mais enérgica de estímulos por parte dos policy makers do país. De certa forma, o mercado vem tentando se posicionar para estes eventuais estímulos e há diversos rumores circulando na mídia nos últimos dias em torno de medidas nessa direção.

Fica evidente que os investidores seguem se posicionando para este pano de fundo onde o cenário internacional está mais “morno” para inflação e crescimento. O maior exemplo disso é o bom desempenho das ações de growth (“long duration”) contra ações cíclicas. A alta das bolsas globais continua extremamente concentrada em poucas ações, nas Big Techs, vistas como empresas expostas a Inteligência Artificial, empresas de qualidade e com crescimento. Resta a dúvida de qual será o limite de valuation para essas teses…

O mercado dá sinais de que precisará de uma mudança substancial de cenário para alterar essa dinâmica mais positiva de curto prazo. Correções pontuais podem ocorrer, mas para alocações estruturais e de longo prazo, precisamos nos atentar e nos preocupar com mudanças de tendência e não com ruídos de curto prazo.

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Continuo mais preocupado com uma possível recessão mais forte do que o esperado no mundo em fins de 2023 e começo 2024. Hoje, por ora, este é um risco e não o cenário base. Uma inflação mais persistente se encontra no outro espectro de risco, cuja probabilidade é baixa, porém não desprezível. O aumento da probabilidade destes dois riscos seriam vetores que poderiam alterar a direção e a dinâmica dos ativos de risco ao redor do mundo.

O ambiente macro se mostra menos previsível e de baixa visibilidade do que o normal. Contudo, a dinâmica dos ativos de risco parece estar nos dizendo que, na ausência de mudanças substanciais de cenário, o mercado continuará “climbing the wall of worry”.

Em outras palavras, neste momento, “the pain trade is up!”

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