Os investidores vão olhar os dados de varejo no Brasil na abertura dos negócios, que devem desacelerar em abril ante o forte resultado positivo de março em meio a condições de crédito mais desafiadoras. Os dados devem corroborar os sinais de desaceleração da demanda doméstica, que vem se refletindo em alívio da inflação no País e em apostas crescentes em início de corte da taxa básica de juros, Selic, a partir de agosto.
O recuo dos juros de Treasuries e do dólar pode aliviar os ajustes nos mercados de câmbio e de juros, bem como o Ibovespa pode se beneficiar do bom humor persistente nas bolsas lá fora, após uma realização parcial de ganhos recentes ontem (13).
As discussões sobre o arcabouço fiscal também serão monitoradas. O relator da proposta no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou ontem à noite que a equipe econômica prefere não atrasar a tramitação do projeto fiscal em nome de eventuais alterações que possam garantir maior espaço para as despesas discricionárias em 2024.
O petróleo reduziu ganhos mais cedo após a Agência Internacional de Energia (AIE) elevar previsões de demanda e oferta da commodity para este ano e anunciar projeções iniciais para 2024, em relatório mensal divulgado mais cedo. Ainda assim, sinais positivos prevalecem também nas bolsas europeias e entre os índices futuros de ações em Nova York, com investidores no aguardo da decisão de juros do Fed à tarde, de provável novo corte de juros de longo prazo na China na próxima semana e repercutindo um aumento de 0,1% da produção industrial na zona do euro em abril, que contrariou previsões de estabilidade dos analistas.
O dólar recua ante o euro, a libra e o iene, e os juros dos Treasuries (títulos de renda fixa de dívida pública do governo norte-americano) devolvem parte das altas do dia anterior, com as perspectivas para a política do Fed no radar. Ontem (13), a desaceleração na alta dos preços ao consumidor em maio nos Estados Unidos consolidou a ideia de que o banco central americano irá pausar seu ciclo de alta de juros na decisão desta quarta-feira (14).
Agenda
Dados de varejo restrito e varejo ampliado no País em abril (9h) e de fluxo cambial semanal (14h30) estão previstos na agenda interna. A mediana do mercado para o varejo restrito é de alta de 0,2% em abril, após +0,8% em março, e para o varejo ampliado, queda de 2,0%, após +3,6%, respectivamente, segundo o Projeções Broadcast.
Nos Estados Unidos, o PPI de maio será publicado (9h30), o Fed anuncia a decisão de política monetária (15h) e, em seguida, haverá coletiva do presidente da instituição, Jerome Powell. À noite, serão divulgadas as leituras de maio da produção industrial e vendas no varejo na China.
*Com informação do Broadcast