Com o suporte proporcionado por essa nova fornada de resultados trimestrais, o Ibovespa conseguiu interromper nesta sexta uma série de três sessões no vermelho e cravou alta de 0,89%, a 101.353,45 pontos. Mesmo assim, o saldo da semana foi negativo, com perda de 1,38%. O giro financeiro do pregão foi de R$ 28,7 bilhões, de acordo com dados preliminares.
As ações que mais se valorizaram foram Hering (HGTX3), Natura (NTCO3) e Suzano (SUZB3). Confira a seguir o que influenciou o desempenho desses três papéis.
Hering (MRFG3): +10,27%
As ações ordinárias de Cia. Hering tiveram valorização de 10,27% (R$ 16,46), a maior alta do índice, mesmo após resultados considerados fracos. Os analistas Victor Saragiotto e Pedro Pinto, do Credit Suisse, apontaram em relatório que a empresa, por apostar menos no varejo eletrônico, viu sua receita despencar 66% na comparação anual, mesmo com o lucro líquido crescendo, influenciado pelo resultado financeiro e de créditos advindos do PIS e Cofins.
Bruno Madruga, sócio da Monte Bravo Investimentos, explicou que o desempenho do papel não está tão ligado ao balanço e mais com a perspectiva de recuperação.
“Todo mundo sabia que em termos operacionais a Hering não ia bem, e foi uma das ações do varejo que mais apanharam neste ano, já que o grosso do seu faturamento vem de lojas localizadas em shoppings“, comenta. “Com a reabertura gradual do setor e os números mostrando que o baque da pandemia não foi tão grande, vejo como normal essas variações grandes que ela está apresentando”.
Natura (NTCO3): +8,18%
Na manhã desta sexta-feira (14), em meio à teleconferência em que a direção da empresa comentou o balanço do segundo trimestre, as ações ON da Natura &Co entraram em leilão após dispararem 10,39%, o que acabou se refletindo na segunda maior alta do dia e também da semana (+9,30%).
O investidor analisa os números, que tiveram pontos positivos, apesar de terem mostrado uma reversão de lucro em prejuízo de R$ 392,1 milhões e enfraquecimento no Ebitda e nas receitas.
“O resultado conseguiu mostrar guinadas positivas nessa situação em que estamos vivendo, as consultoras (cuja produtividade subiu 6,9% em um ano) foram bem”, comenta Jorge Junqueira, sócio-gestor da Gauss Capital.
Suzano (SUZB3): +5,92%
Também está nos resultados do segundo trimestre a explicação para a alta nos papéis da Suzano, a terceira maior do dia e também da semana (+9,27%). Ela continua com prejuízo bilionário, embora sensivelmente menor que no trimestre anterior, mas apresentou altas de 35% no Ebitda, que chegou a R$ 4,180 bilhões, e de 20% nas receitas, que foram a R$ 7,996 bilhões.
Desta vez, as perdas com derivativos não foram o suficiente para assustar o investidor, ao contrário do que se viu no balanço do primeiro trimestre. Casas como o Itaú BBA foram surpreendidas pelos números, impulsionados pela desvalorização do real. Exportadora, a Suzano colhe a maior parte de suas receitas fora do Brasil.
“O resultado surpreendeu a todos, principalmente pelo forte volume de produção e pela nova desestocagem”, afirmou ao Broadcast Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA. “Tínhamos o Ebitda (estimado) mais alto do consenso de R$ 3,8 bilhões (o consenso estava em R$ 3,4 bilhões, de acordo com a companhia), e o Ebitda veio em R$ 4,8 bilhões”, disse.
Diante dos números, o mercado ainda vê espaço para que a Suzano suba na B3. O BTG Pactual considerou que, mesmo com a alavancagem ainda distante de um patamar “confortável”, os papéis estão subvalorizados, ainda mais com os benefícios que a empresa deve colher em sua fusão com a Fibria.
*Com Estadão Conteúdo