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Investimentos

8 das 25 maiores empresas dos EUA não pagam dividendos. Entenda

Para essas companhias, faz mais sentido reinvestir os lucros no crescimento do negócio

Por Thiago Lasco

27/08/2020 | 20:54 Atualização: 28/08/2020 | 10:44

(Foto: Dado Ruvic/Reuters)
(Foto: Dado Ruvic/Reuters)

Google, Facebook, Amazon e Netflix são nomes que naturalmente fazem crescer os olhos do investidor. Todas elas vêm apresentando trajetórias de crescimento e valorização expressiva nos últimos dez anos. Mas nenhuma pagou dividendos aos investidores no período.

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De acordo com um levantamento realizado pela Economatica, 8 das 25 maiores empresas (avaliadas por seu valor de mercado) dos Estados Unidos não pagam dividendos há dez anos (ou desde o IPO, no caso das que ainda não têm 10 anos de vida). Além das mencionadas acima, a lista inclui a seguradora Berskshire Hathaway, do megainvestidor Warren Buffet, a Tesla, que fabrica carros elétricos, a Adobe, de software, e a PayPal, de pagamentos on-line (veja a tabela completa abaixo).

A ideia de comprar ações em uma empresa com o intuito de receber dividendos faz parte da estratégia de muitos investidores, não apenas dos brasileiros. Mas a distribuição de lucros aos acionistas não é uma prática constante de todas as companhias. Além disso, existem diferenças tributárias entre Brasil e EUA que ajudam a explicar por que essas empresas não pagam dividendos.

Em busca do máximo retorno

Quando uma empresa gera lucro, pode dar cinco destinações diferentes para o dinheiro. A primeira delas é reinvestir o dinheiro no crescimento do negócio. A segunda opção é fazer a aquisição de outra empresa, o que a ajudaria a crescer inorganicamente.

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Ela pode também quitar dívidas, eliminando a incidência de juros sobre parte do seu passivo, ou fazer a recompra de ações. Com isso, os acionistas que saem são remunerados e os que permanecem passam a ter participação maior. Por fim, a quinta possibilidade é distribuir os lucros, por meio do pagamento de dividendos.

“O objetivo de uma empresa é gerar o máximo retorno para o acionista”, afirma Alberto Amparo, analista de internacional da Suno Research. “Somente se os quatro primeiros não derem retorno melhor é que a empresa pagará dividendos.”

Nos EUA, dividendo não é obrigatório. E é tributado

No Brasil, a Lei de Sociedades Anônimas, de 1976, determina que toda empresa que gera lucros deve distribuir pelo menos 25% para os acionistas dentro do mesmo ano fiscal.

Já nos Estados Unidos, não existe essa obrigatoriedade. “Quem decide se fará ou não uma alocação de capital para remunerar o acionista é a própria empresa”, diz André Kim, analista de investimento e sócio da GeoCapital.

Outra diferença importante é que, enquanto no Brasil há isenção fiscal sobre os dividendos, nos EUA incide imposto de 30% sobre eles. Isso desencoraja a distribuição de lucros e a ideia do legislador foi justamente essa: incentivar as empresas a reinvestirem no negócio.

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“É até melhor para o acionista que a empresa não pague dividendos, porque as outras destinações dos lucros dão um retorno maior para a empresa, sem a perda de 30% para o governo”, afirma Amparo.

A prioridade das jovens é crescer

Todas essas empresas que não pagam dividendos têm algumas características em comum: todas são jovens, do setor da tecnologia e estão em plena fase de crescimento. Elas ainda estão ganhando tração no mercado.

“As empresas precisam muito desse capital para reinvestir no próprio negócio, que é rentável. Faz mais sentido elas investirem mais em funcionários, máquinas, estudos e pesquisas de desenvolvimento, do que distribuírem os lucros para os acionistas”, diz o analista financeiro independente Victor Savioli, ex-JP Morgan.

Essa decisão beneficia inclusive o próprio acionista, já que, ao reinvestir em sua operação, a empresa tende a ampliar sua geração de lucros e, provavelmente, suas ações irão se valorizar.

Dividendo é coisa de empresa madura

Enquanto empresas como Facebook e Netflix estão em plena avenida de crescimento, há muitas outras, como Coca-Cola e Johnson & Johnson, que já atingiram uma fase de maturidade. Elas já têm os negócios tão consolidados que não precisam mais fazer alocações em novos investimentos.

Quando chegam a essa etapa, a tendência é que essas companhias passem a pagar dividendos, pois têm dinheiro sobrando e não há mais para onde seu negócio crescer. Por isso, tornam-se a uma escolha natural dos investidores que buscam na compra de ações um caminho para ter uma renda segura.

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“São negócios mais estáveis e atraem investidores que têm essa mentalidade, de querer os dividendos. Já quem investe no Facebook não está interessado na distribuição de lucros, mas sim no potencial de crescimento da empresa”, diz Savioli.

As 25 empresas dos EUA com maior valor de mercado e seu dividend yield em 10 anos

Empresa Valor Mercado (US$ mi)* Dividend yield (10 anos)
Apple (AAPL) 2.127.042 54,06
Amazon (AMZN) 1.645.282 0
Microsoft (MSFT) 1.612.061 56,38
Alphabet (GOOGL) 1.073.487 0
Facebook (FB) 760.662 0
Berkshire Hathaway (BRK.A) 498.311 0
Johnson & Johnson (JNJ) 402.190 50,7
Visa (V) 396.498 33,24
Tesla (TSLA) 382.038 0
Walmart (WMT) 372.770 37,82
Procter & Gamble (PG) 341.688 43,04
Mastercard (MA) 337.458 32,13
NVidia Corp (NVDA) 313.029 37,56
Home Depot (HD) 304.620 97,05
United Health Group (UNH) 298.538 66,89
JPMorgan Chase & Co (JPM) 296.593 51,05
Verizon (VZ) 244.104 75,43
PayPal Inc 230.894 0
Walt Disney Co (DIS) 230.292 35,46
Adobe Inc (ADBE) 226.987 0
Netflix (NFLX) 217.116 0
Bank Of America (BAC) 216.429 20,67
PFizer (PFE) 216.051 71,61
Mark & Co (MRK) 214.935 53,8
AT&T (T) 211.541 71,46

Fonte: Economatica

*Referente ao fechamento do dia 21/08/2020
** Considerados os dividendos pagos nos últimos 10 anos

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