Segundo Lucas Almeida, especialista em mercado de capitais e sócio da AVG Capital, o otimismo do mercado é derivado da aprovação do arcabouço fiscal pelo Congresso e a redução de preocupações com a política monetária do Fed (Federal Reserve, banco central americano) após dados econômicos dos EUA.
Rachel de Sá, chefe de economia da Rico, explica que os resultados do estrangeiro que chamaram a atenção dos investidores foram os índices de gerentes de compras (PMIs), com destaque também para os resultados da Europa, além dos EUA.
Segundo ela, os PMIs registraram, em sua maioria, resultados abaixo do esperado, com alguns índices já sinalizando patamar de contração. O movimento deixou uma mensagem que a economia global perde força, o que alimentou o bom humor, especialmente sobre investimentos em bolsa.
“O movimento pode parecer irônico aos olhos de quem não segue de perto os movimentos recentes do mercado global. Porém, a explicação encontra-se na expectativa de que, com a economia global perdendo fôlego, bancos centrais poderão desacelerar o freio dos juros, que se tornou marca no último ano – impactando positivamente ativos de maior risco, como ações”, explica.
O dólar e o euro caíram 1,73% e 1,59% frente ao real na sessão, atingindo os R$ 4,86 e R$ 5,27, respectivamente. Em Nova York, S&P 500, Dow Jones e Nasdaq subiram 1,1%, 0,54%, 1,59%, respectivamente. As três ações que mais valorizaram no dia foram São Martinho (SMTO3), Eletrobras ON (ELET3) e Eletrobras PNB (ELET6).
São Martinho (SMTO3): +7,64%, R$ 34,8
Como a maior alta do dia, aparece as ações da São Martinho, que sobem após a notícia de que a Índia pode proibir usinas de exportar açúcar na próxima temporada, em outubro, interrompendo os embarques pela primeira vez em 7 anos, já que a falta de chuva reduziu a produtividade da cana.
“Os preços do açúcar podem estar entrando em uma nova fase após quatro anos de déficit acumulado em um momento que o Brasil tem dificuldades na capacidade de produção de açúcar incremental. Importante lembrar que algumas semanas atrás, existia essa discussão sobre o risco do evento El Niño sobre a produção para a próxima safra de cana-de-açúcar indiana. Apesar de tudo isso, as ações da São Martinho ainda parecem ser negociadas em níveis ‘baratos’ com bom upside de retorno”, pontua Almeida.
A São Martinho está em alta de 3,97% no mês. No ano, acumula valorização de 35,83%.
Eletrobras ON (ELET3): +7,31%, R$ 36,7
Na sequência, aparecem as ações ordinárias da Eletrobras. A companhia agrada o mercado com a possibilidade de integração das operações de Furnas, sua subsidiária integral. “A questão de Furnas corrobora o entendimento de que a estrutura societária da empresa está feita e não será alterada”, diz ao Broadcast a analista Julia Monteiro, da MyCap.
A Eletrobras ON está em baixa de 5,05% no mês. No ano, acumula desvalorização de 12,31%.
Eletrobras PNB (ELET6): +5,91%, R$ 39,95
Além das ações ordinárias, os ativos preferenciais de Eletrobras também estão entre as maiores altas do dia. Monteira explica que, somado a questão de Furnas, o papel também é impulsionado pela notícia de que a Eletrobras teria encomendado um estudo para encontrar compradores para suas térmicas, dando início ao processo de desinvestimento dos ativos a gás.
A Eletrobras PNB está em baixa de 8,43% no mês. No ano, acumula desvalorização de 3,83%.
*Com Estadão Conteúdo