Às 11h20, o principal índice à vista da B3 subia 1,63%, aos 72.120,96 pontos, sendo que os papéis da estatal avançavam mais de 7%, enquanto no exterior as cotações do petróleo tinham elevações entre 6% e 8,5%, às 11h21. No entanto, a valorização na B3 poderia ganhar ímpeto se não fosse a demora na implementação das medidas de estímulo no Brasil por conta do novo coronavírus.
Conforme o economista-chefe do ModalMais, Álvaro Bandeira, o governo e a equipe econômica precisam sair das entrevistas coletivas dizendo quando as ações chegarão na ponta final, citando como exemplo a liberação dos R$ 600 para trabalhadores informais. Porém, reforça que as medidas de ajuda são positivas.
Além de preocupações locais, há um outro temor que é o avanço rápido no número de casos de pessoas infectadas pelo vírus nos EUA. Diante desse cenário, o número de pedidos de auxílio-desemprego no país segue aumentando substancialmente. Na semana encerrada no dia 28, foi a 3,341 milhões, para o novo recorde de 6,648 milhões. O dado ficou acima da previsão, de 3,1 milhões.
A analista Sandra Peres, da Terra Investimentos, avalia que o quadro nos EUA é bastante preocupante, onde tem ocorrido aumento expressivo nos casos do novo coronavírus. Segundo ela, não só preocupa o país em si, mas o mundo. “Os EUA acabando puxando as demais economias, e agora lá agora é o epicentro da Covid-19, e está se agravando”, diz.
Por enquanto, na B3, o “driver é o petróleo. Primeiro por conta da declaração do presidente dos EUA, Donald Trump, de que pode ajudar a acabar com essa instabilidade no preço do petróleo, com esse conflito entre Rússia e Arábia Saudita. Segundo, porque há a expectativa de que a China planeja comprar petróleo para reforçar suas reservas de emergências. Isso também ajuda muito”, afirma o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus.
O estrategista explica que, caso os preços da commodity prossigam em alta, será uma “normalização” e não um encarecimento. Segundo ele, os valores estão “absurdamente” em níveis baixos, o que pode ser prejudicial para a economia mundial. “Se o preço continuar em queda será muito pior”, afirma.
Um cenário, assim, reforça o economista-chefe do ModalMais, tem capacidade para quebrar as economias dependentes de petróleo, caso do Brasil. Esse aumento nas cotações hoje é bem-vindo não só para as ações da Petrobras, mas para a Bolsa como um todo. Pois, diz, se mantiverem o preço no nível atual poderá provocar deflação global. “Neste momento de expectativa de queda do PIB mundial, uma deflação seria muito pior”, opina.
Para os entrevistados, a demora na implementação dos recursos anunciados pelo governo para amenizar a situação financeira da população por conta dos efeitos da doença. O estrategista do Grupo Laatus lembra que neste momento muitas pessoas já estão tentando renegociar o pagamento de aluguéis, tentando pagar apenas uma parte, por exemplo, com medo do desemprego. “O problema é se isso crescer. Pode chegar uma hora em que faltará até mesmo itens básicos para muitos brasileiros, como alimentos”, alerta.
Ontem, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), acelerou na a tramitação da proposta de emenda à Constituição (PEC) chamada de “Orçamento de Guerra”. Maia colocou a minuta da PEC na pauta do plenário e conseguiu o apoio da maioria das lideranças para que o texto pudesse seguir. “Isso é importante pois tende a agilizar tudo medidas e separar o que é circunstancial em função às ações por causa da Covid-19 e o que é corrente. Ajuda a clarear, afirma Bandeira.