Esse “período sabático” geralmente dura 1 ano e deve vir acompanhado de muito planejamento financeiro. De acordo com Carol Stange, educadora em finanças pessoais, e Luis Felipe D’Avila, supervisor de consultoria financeira da fintech Neon, há alguns passos importantes a seguir antes de efetivamente interromper as atividades.
1 – Calcule o custo dos próximos 12 meses
Em primeiro lugar, é preciso saber qual é o custo desse ano sabático no bolso. Para isso, o profissional deve saber exatamente quais são seus gastos mensais e os rendimentos necessários para não só cobrir essas despesas, mas para manter o padrão de vida e atividades de lazer.
“Com o planejamento financeiro em dia, sabemos quanto um ano custa no nosso bolso, sabemos exatamente todos os nossos gastos, hábitos e temos a disciplina de seguir à risca o que planejamos”, afirma D’Avila, da Neon.
Stange dá exemplos da quantia necessária para tirar um ano sabático. Segundo a educadora, caso o gasto médio mensal do profissional seja de cerca de R$ 5 mil, em tese, será necessário economizar pelo menos R$ 60 mil para essa aventura (R$ 5 mil multiplicados por 12 meses).
“No entanto, se ela deseja aproveitar o ano sabático para viajar, estudar ou fazer alguma outra atividade que envolva custos extras, precisará economizar um valor maior”, afirma Stange. “Se estivermos falando de viagens durante o período, teremos gastos com deslocamento, hospedagem, alimentação e etc. Não é preciso ir longe para o montante necessário chegar a 100 mil.”
2 – Mantenha o padrão de vida
Não adianta guardar dinheiro suficiente para cobrir gastos e atividades cotidianas se o profissional aumentar o padrão de vida durante esse período. É importante ter em mente que, uma vez tomada a decisão de pausar a carreira tendo em mãos um orçamento limitado, não será possível aumentar os gastos sem procurar outra fonte de renda.
“Novos hábitos sem planejamento podem deteriorar a nossa saúde financeira e fazer com que o ano sabático se torne poucos meses sabáticos”, diz D’Avila.
Stange recomenda que o interessado em tirar um ano sabático procure cortar gastos e vender itens que estão ou ficarão ociosos durante os 12 meses de afastamento – tudo isso para tornar o orçamento um pouco mais flexível.
“Defina seus objetivos: O que você deseja fazer durante o seu ano sabático? Viajar? Estudar? Trabalhar como voluntário? Ter um tempo para descansar e refletir? Definir seus objetivos o ajudará a planejar o seu orçamento e a tomar decisões financeiras mais assertivas”, diz a especialista.
3 – Reserva de emergência é fundamental
Não confunda “reserva de emergência” com o capital necessário para manter o padrão de vida durante o ano sabático. A reserva de emergência deve ser vista como um montante extra, caso o profissional precise gastar mais do que o planejado em algum mês em função de algum imprevisto – casos de doença, falecimento de parentes e troca de algum eletrodoméstico “pifado”, por exemplo.
“Sabendo que não teremos um ‘rendimento mensal’ que é fruto do nosso trabalho, se houver um imprevisto no meio do caminho, vai ser muito mais difícil reconstruir essa reserva. Portanto, sacrifique um pouco mais do seu orçamento para deixar a reserva de emergência um pouco mais parruda”, afirma D’Avila.
O mesmo é indicado por Stange. “É importante ter um plano B caso algo dê errado. Por exemplo, se acontecer algum imprevisto, será necessário ter dinheiro suficiente para cobrir essa despesa extra”, diz a especialista.
4 – Ano sabático com dívidas?
É possível tirar um ano sabático mesmo com algumas dívidas, desde que o interessado tenha poupado o suficiente para cobrir os débitos – ainda sim, é muito mais arriscado. Nestes casos, é indicado também uma renegociação dos valores pendentes.
“Se você tem dívidas, uma boa sugestão é começar a economizar dinheiro para amortizar ou quitar essas dívidas antes de tirar o ano sabático. Como nem sempre essa ideia é factível, é possível também pode tentar renegociar os termos das dívidas com os credores para obter melhores condições de pagamento”, diz Stange.
D’Avila, por sua vez, indica que até é possível, mas desaconselhável. “O assunto ‘educação financeira’ sempre converge para um primeiro passo, que é livrar-se das dívidas antes de ter qualquer outro objetivo”, afirma o supervisor de consultoria financeira da Neon.
“Tirar um ano sabático sem resolver seus problemas financeiros, pode culminar no cancelamento de limites de cartão de crédito, que, por sinal, é uma ótima ferramenta de controle financeiro se bem utilizado.”
Entenda nesta reportagem como sair das dívidas.