Nesta segunda-feira (25), são aguardadas falas de dirigentes do Fed Raphael Bostic, de Atlanta, e da diretora Lisa Cook e, nos próximos dias, publicações do Produto Interno Bruto (PIB) americano e do Reino Unido, índice de confiança do consumidor da zona do euro e vendas no varejo na Alemanha.
No Brasil, a agenda traz a ata do Comitê de Política Monetária (Copom) de março, IPCA-15, Relatório de Inflação do 1º trimestre, além da Pnad Contínua e a divulgação dos últimos balanços do quarto trimestre de 2023, com destaque para Marfrig, JBS, Azul e IRB. O presidente da França, Emmanuel Macron, desembarca nesta semana no Brasil para visita de Estado.
Cautela moderada predomina lá fora nesta segunda-feira, com alta de juros de Treasuries (títulos da dívida estadunidense) e queda dos índices futuros de ações em Nova York em meio a expectativas por discursos de dirigentes do Fed e dados americanos, após as máximas históricas das bolsas em Wall Street nas últimas sessões com a sinalização de que o Federal Reserve continua planejando cortar seus juros três vezes este ano.
No entanto, o presidente do Federal Reserve (Fed) de Atlanta, Raphael Bostic, afirmou na sexta-feira (22) que mudou sua expectativa de cortes de juros em 2024, de duas reduções de 25 pontos-base (pb) cada para apenas um único corte de 25 pb, além de adiar sua projeção para o início da flexibilização. O dirigente citou preocupações com a inflação persistente e dados econômicos mais fortes que o previsto, segundo a Reuters.
Na Europa, os índices acionários recuam, enquanto o euro e a libra sobem ante o dólar em dia de agenda mais fraca, depois de autoridades do Banco Central Europeu (BCE) se esforçarem para consolidar a visão de que um corte de juros inicial poderá vir em junho, se a inflação da zona do euro estiver se movendo para a meta oficial de 2% de forma sustentável.
O petróleo opera em alta moderada diante dos conflitos no Oriente Médio e entre Rússia e Ucrânia, depois de acumularem perdas por três sessões consecutivas. Na Ásia, as bolsas chinesas recuaram antes de indicadores locais sobre lucro industrial e atividade econômica (PMIs), a ser divulgados nos próximos dias.
No Brasil
Os mercados vão se ajustar ao tom externo negativo e a liquidez pode ser enxuta antes das divulgações da ata do Copom, IPCA-15 e boletim Focus, nesta terça-feira (26).
Após a redução de 0,50 ponto da taxa Selic, para 10,75%, na semana passada, os economistas do mercado financeiro esperam na ata do encontro mais informações sobre a razão do colegiado para mudar o forward guidance. Para o IPCA-15, é esperada desaceleração a 0,32%, ante 0,78% em fevereiro.
Nos juros, a valorização dos rendimentos dos Treasuries traz pressão de alta à curva local e ao dólar, embora a queda da moeda americana frente a divisas rivais e ligeiras altas do petróleo e do minério de ferro possam beneficiar o real. O mercado de cambial pode ficar volátil também em semana de definição da taxa Ptax do fim de março, na quinta-feira (28).
Na Bolsa, os ganhos leves de commodities podem amenizar o humor. O minério de ferro subiu 0,3% em Dalian, na China e o petróleo avançava cerca de 0,80%. O principal fundo de índice (ETF) brasileiro negociado em Nova York, o EWZ, ganhava 0,22% às 7h10 no pré-mercado em Nova York.
No Congresso, a Câmara adiou para esta semana a votação do projeto de lei que muda a lei de falência de empresas. O projeto, enviado pelo governo com urgência constitucional, já está trancando a pauta e deve ser o primeiro item da sessão deliberativa, que deve ocorrer nesta terça (26). O texto produzido no Ministério da Fazenda é uma das medidas da chamada ‘reforma microeconômica’ e propõe ampliar a participação dos credores nos processos de falência.
Agenda
A ata do Copom de março, o IPCA-15 e o boletim Focus serão publicados nesta terça-feira (26). O resultado do setor público consolidado e do Caged de fevereiro, além do IGP-M de março, saem na quarta-feira (27). O Relatório Trimestral de Inflação, a Pnad Contínua mensal de fevereiro e dados de fluxo cambial serão divulgadas na quinta-feira (28). Os números do Governo Central de fevereiro podem sair também na semana. O presidente francês, Emmanuel Macron, desembarca nesta semana no Brasil para visita de Estado.
Nesta segunda-feira (25), a FGV divulga o IPC-S da terceira quadrissemana, o INCC-M e a Confiança da Construção (ICST) de março (8h). O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, participa da abertura de seminários (9h30).
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, reúne-se com o presidente do Banco da Amazônia (Basa), Luiz Lessa (10h30) e recebe o presidente do Conselho Administrativo (chairman) do Grupo Tata Sons, Natarajan Chandrasekaran (11h30).
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa de evento do Programa pé-de-meia (10h), reúne-se com ministros e vai a encontro da primeira-dama Rosângela da Silva, Janja, com deputadas, senadoras e ministras no Palácio da Alvorada (18h).
No setor corporativo, a Aena, concessionária espanhola que administra o Aeroporto de Congonhas, vai anunciar investimentos de R$ 2 bilhões para ampliar a capacidade (9h30). Serão publicados ainda balanços do 4º trimestre de 2023 por Casas Bahia, Grupo Soma, JHSF, Light, Equatorial, Minerva Foods e Movida, após o fechamento do mercado.
Os mercados ficarão no aguardo nesta semana pelos principais eventos externos da agenda, previsto para sexta-feira de feriado nos EUA e Europa: discurso do presidente do Fed, Jerome Powell, e a publicação da inflação PCE nos EUA em fevereiro.
Hoje, o Fed de Chicago publica o índice de atividade nacional dos EUA (9h30) e o Departamento do Comércio informa as vendas de moradias novas, ambos de fevereiro (11h). Dois dirigentes do Fed participam também de eventos: Raphael Bostic, de Atlanta (9h25) e a diretora Lisa Cook (11h30). A dirigente do Banco da Inglaterra (BoE), Catherine Mann, também discursa (11h15).
Nos próximos dias, são esperados ainda o índice de confiança do consumidor da zona do euro em março, na quarta; o PIB do 4º trimestre dos EUA e do Reino Unido, as vendas no varejo na Alemanha, além do índice de sentimento do consumidor americano em março e as expectativas de inflação, da Universidade de Michigan, todos na quinta.
Na China, são esperados o lucro industrial em fevereiro, na terça; e os PMIs de março do NBS no sábado, além do PMI industrial da S&P Global/Caixin, no domingo.