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Negócios

Como essa empresa argentina bateu as varejistas brasileiras e conquistou o mercado

Varejista estrangeira ganha recomendação de compra dos bancos enquanto desconfiança com pares nacionais cresce

Por Luíza Lanza

20/05/2024 | 9:19 Atualização: 21/05/2024 | 7:23

Centro de distribuição do Mercado Livre na Argentina  Foto: Mercado Livre/Divulgação
Centro de distribuição do Mercado Livre na Argentina Foto: Mercado Livre/Divulgação

As companhias brasileiras de varejo, especialmente as ligadas à linha branca e ao e-commerce, não têm conquistado muito apelo entre investidores na Bolsa. A Americanas (AMER3) está em recuperação judicial desde 2023, quando comunicou ao mercado uma fraude contábil bilionária; mais recentemente, foi a vez da Casas Bahia (BHIA3) entrar em uma recuperação extrajudicial para estruturar dívidas na casa de R$ 4,1 bilhões com os bancos credores. Tudo isso enquanto Magazine Luiza (MGLU3) sofre com a desconfiança de investidores após uma acusação de fraude contábil contra o atual CEO.

Leia mais:
  • Magalu ou Casas Bahia: qual ação comprar após balanços
  • Casas Bahia: crise esvazia o que sobrou de recomendações
  • Magalu: os bastidores da acusação de fraude contábil
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  • Magazine Luiza (MGLU3) é o último ‘titã’ do e-commerce?

A instabilidade no setor abriu uma brecha para que concorrentes internacionais entrassem no mercado do País e ganhassem não só market share, como também espaço entre as recomendações de analistas. Foi assim que a companhia argentina Mercado Livre (MELI34) se tornou a nova “queridinha” entre as ações do setor.

Como mostramos nesta reportagem, as dificuldades do varejo linha branca e marrom (eletrodomésticos e eletroeletrônicos) têm afastado as recomendações de analistas. Entre aqueles que ainda possuem indicação de compra é a argentina MELI quem ganha um voto de confiança. “Sempre fomos otimistas com a tese de investimento de Mercado Livre e acreditamos que cada vez mais os pares do varejo na América Latina devem olhar para os números da companhia com a sensação de que ‘o gramado do vizinho é mais verde que o meu’”, diz a Genial, em relatório publicado sobre a companhia em novembro.

O entendimento é que a companhia está conseguindo expandir as margens nas operações no Brasil e no México, com potencial para crescer os resultados financeiros em outros países da região e se estabelecer como um dos maiores players no e-commerce da América Latina. Para alguns bancos, a MELI será a grande “vencedora” do setor – por isso, a visão é positiva também para as ações.

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A MELI divulgou seu balanço trimestral referente ao primeiro trimestre de 2024 no dia 02 de maio. De maneira geral, os números foram considerados fortes pelo mercado, com os resultados financeiros conquistados no Brasil e no México ajudando a compensar o cenário mais fraco na Argentina. A companhia registrou uma receita de US$ 4,3 bilhões no trimestre, um crescimento de 36% no comparativo ao mesmo período do ano anterior, fruto de um maior take-rate no comércio eletrônico e um crescimento da carteira de crédito. Já o lucro líquido ficou em US$ 344 milhões, uma alta de 71% em relação a 2023.

Na avaliação do Goldman Sachs, os números apresentados são suficientes para levar alívio ao papel e trazer a atenção de volta aos fundamentos sólidos da companhia. Em relatório, os analistas do banco destacaram que as ações da companhia vinham em queda na Nasdaq desde que os resultados apresentados no 4T23, em fevereiro, vieram abaixo das expectativas. Agora, a MELI pode voltar a subir.

“Esperamos que o desempenho das ações seja ainda mais apoiado pelo recente desempenho inferior das ações, pela superação de mais de 13% em lucro líquido e pela qualidade geral do ritmo, com maior alavancagem operacional no Brasil e no México compensando uma compressão de margem mais acentuada do que temida na Argentina”, dizem no documento Irma Sgarz, Felipe Rached e Gustavo Fratini.

O desempenho operacional fraco na Argentina, que enfrenta problemas macroeconômicos e desvalorização cambial, não foi suficiente para impactar negativamente todo o resultado conquistado pelo Mercado Livre no trimestre. Um sinal positivo na avaliação do Santander. “Em nossa visão, estes resultados confirmam que o perfil de rentabilidade em expansão da MELI persiste, impulsionado por crescimento e crescente monetização de sua plataforma, especialmente agora que a Argentina estabiliza com uma participação menos relevante no EBITDA consolidado, apoiando assim a nossa visão construtiva sobre a empresa”, dizem em relatório os analistas Ruben Couto, Eric Huang e Vitor Fuziharo.

A recomendação geral: compra

Com números positivos, fundamentos considerados sólidos e em um nível de preço considerado atrativo, as ações do Mercado Livre têm se destacado nas recomendações de compra dos bancos. Itaú BBA, Santander, BTG Pactual e Goldman Sachs têm call de compra para o ativo, com preços-alvo de 12 meses representando um potencial upside de cerca de 20% frente aos US$ 1.680 a que a ação era negociada na Nasdaq nesta sexta-feira (10).

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Após a divulgação do balanço 1T24, o Goldman Sachs e o Santander reiteraram suas visões positivas para a MELI, com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 2.160 e US$ 2.100 por papel, respectivamente.

Na visão do Itaú BBA, os resultados recentes apresentados pelo Mercado Livre indicam que os fundamentos de longo prazo não só permanecem sólidos, como estão acelerando. “Temos sinalizado que os atuais níveis de preços oferecem um bom ponto de entrada para MELI”, diz o time de research do banco. O BBA tem recomendação de outperform, equivalente a compra para o papel e preço-alvo de US$ 2.048.

O Mercado Livre ainda é apontado pelo BTG Pactual como o vencedor do e-commerce e pagamentos na América Latina, dado o fortalecimento da vantagem competitiva da companhia em um ecossistema que vem se fortalecendo nos últimos anos. Isso faz o banco eleger o papel como o “top pick” do setor, com recomendação de compra e preço-alvo de US$ 2.040.

“Ainda vemos uma tendência secular de crescimento do comércio eletrônico brasileiro, bem como de alguns mercados latino-americanos, com muito GMV (volume bruto de mercadorias) e uma participação no e-commerce mais alto do que os níveis pré-pandemia”, destacam Luiz Guanais, Gabriel Disselli e Pedro Lima, analistas do BTG.

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