O juiz Eduardo Balbone Costa, da 7ª Vara Criminal da Capital, que assina a decisão, diz que a então estudante de medicina da USP aproveitou da sua condição de presidente da comissão de formatura para se apossar o dinheiro arrecadado ao longo de meses a fim de obter lucros especulativos pessoais.
Na ocasião em que foi acusada dos crimes, em janeiro de 2023, Alicia admitiu aos colegas de turma ter perdido o dinheiro arrecadado pela comissão. Primeiro, disse que tinha investido o dinheiro e sido vítima de um golpe praticado por uma empresa de investimentos, a Sentinel Bank. Empresa especializada em comprar ações na Bolsa de Valores, a corretora prometia devolver rendimentos de até 6,4% ao mês.
Apesar das alegações de fraudes da ex-estudante de medicina não estarem confirmadas, a Sentinel Bank já se envolveu em diversas outras polêmicas. Veja mais detalhes nesta reportagem. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também já publicou um alerta ao mercado informando que o Sentinel não tinha autorização para intermediar esse tipo de ação.
O Sentinel Bank também já foi acionado na Justiça 158 vezes, com acusações de pessoas que investiram com a corretora e nunca chegaram a receber nenhum tipo de rendimento. No site “Reclame Aqui” do Sentinel Bank, outras duas pessoas disseram ter investido na corretora e não terem recebido o dinheiro.
Relembre o caso
A denúncia por estelionato contra Alicia foi feita pelo Ministério Público em março do ano passado. A peça, assinada na época pelo promotor Fabiano Pavan Severiano, afirma que a jovem teria praticado estelionato por oito vezes e tentado em uma nona oportunidade, que não chegou a ser concretizada.
O número de crimes se refere à quantidade de vezes em que ela teria pedido à empresa contratada para organizar a festa para transferir o montante da conta bancária da comissão para a sua particular. Os repasses teriam começado em novembro de 2021 e se estendido ao longo do ano passado em outras sete ocasiões. Os oito pedidos totalizaram a transferência de R$ 927.765,33 para as contas de Alicia.
Após o episódio tornar-se público e os colegas registrarem boletim de ocorrência, ela admitiu, em depoimento à Polícia Civil, que usou os valores acumulados no fundo da formatura para gastos pessoais e apostas em casas lotéricas para tentar, sem sucesso, reaver o dinheiro perdido.