Vale lembrar que as Letras de Crédito do Agronegócio funcionam como um empréstimo do seu dinheiro à instituição emissora do título. Dessa forma, ao final do período estabelecido, o valor aplicado volta à carteira acrescido dos juros. A variação da rentabilidade pode ser fixa, os títulos prefixados, ou estar atrelada a um indicador econômico, chamados de pós-fixados.
Nesse último, as referências podem ser o Certificado de Depósito Interbancário (CDI), o Índice de Preços do Consumidor (IPCA) ou a Selic, a taxa básica de juros.
O analista ressalta que mesmo com os alívios fiscais que as letras de crédito trazem, a decisão de investir nestes ativos precisa levar em conta três pontos principais: a classificação de risco do banco emissor (Rating), as taxas oferecidas e o horizonte de investimento desejado.
No que se refere às melhores estratégias para potencializar os ganhos em LCAs, Gonçalves explica que o o investidor precisa ter em mente que o fator IR é determinante sobre a rentabilidade dos títulos de renda fixa. Isso porque as taxas dos ativos isentos de imposto de renda são menores do que as taxas dos ativos tributados.
“Para tomar a melhor decisão, é necessário consultar a equivalência de taxas, que em geral é calculada disponibilizada pelas corretoras. Com a taxa equivalente em mãos, o investidor consegue comparar seu título isento de imposto com a taxa ofertada por um título de mesmo prazo que seja tributado”, comenta.
Essa taxa é resultado de um cálculo que envolve projeções de curva de juros e de inflação. O especialista da Ágora indica ainda verificar se o cálculo foi realizado de maneira exata ou aproximada, pois simplificações podem conduzir a escolhas desvantajosas.
Vale investir em LCAs agora?
A renda fixa está perdendo atratividade devido à projeção de cortes da Selic. Até o fim de 2025, é esperado que a taxa opere entre 8% e 9% ao ano.
Apesar de as LCAs prefixadas já serem calculadas com juros futuros, os ativos pós-fixados ficam menos interessantes. Isso acontece porque a maioria dos investimentos sem rentabilidade fixa variam com a taxa básica de juros, ou o CDI, que segue a Selic, fazendo o rendimento cair. É importante destacar, no entanto, que o valor final não está diminuindo, mas sim os rendimentos futuros.
Enquanto isso, o IPCA – o indicador de inflação favorito do Brasil – aumentou nos últimos meses. Dessa forma, LCAs pós-fixados que rendem a partir dessa referência podem estar se valorizando mais.
No cenário atual, Gonçalves enxerga boas oportunidades em alocações prefixadas de curto prazo e, para horizontes maiores, a alocação em títulos IPCA+. “O LCA atrelado a esse índice apresenta retornos mais interessantes quando consideramos as projeções de inflação e a parcela de juro real ofertada atualmente”, explica.
Além disso, ele explica que as letras de crédito são investimentos interessantes para compor os mais diversos prazos no portfólio, a depender de seus objetivos e necessidades de liquidez. O analista ainda reitera que a comparação entre as taxas equivalentes dos ativos isentos de imposto com os ativos tributados é uma forma de avaliar com maior assertividade quanto o título de LCA pode render frente a demais opções de mercado.
Por fim, na visão de Gonçalves, o investidor precisa ainda levar em consideração a relação de risco e retorno, comparando taxas para bancos de mesmo porte e classificação de risco.
Quais os riscos de uma LCA?
Antes de investir na modalidade, é importante se manter atento aos riscos das LCAs. Questões como liquidez, inflação e o tipo de prazo procurado pelo investidor são grandes pontos de atenção. Por exemplo, caso o investidor precise resgatar o dinheiro antes do dia de vencimento, não terá o seu rendimento garantido a depender da liquidez e pode ainda sofrer descontos no valor investido, dependendo do tempo de aplicação.
A inflação, por sua vez, vai determinar o poder de compra do investidor ao vencimento do ativo. Para títulos que possuem o IPCA como um dos indicadores para sua rentabilidade, ela pode influenciar ainda mais sobre o preço final do ativo.
Em relação às opções de resgate, prazos mais curtos podem deixar o porcentual de rendimento bem abaixo do registrado no ativo tradicional. Por isso, as LCAs são geralmente recomendadas para quem deseja realizar investimentos de médio ou longo prazo.