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Investimentos

Novas provas da Anbima querem melhorar qualidade dos profissionais do mercado

Exames CPA-10, CPA-20 e CEA vão ser substituídos; novas provas também vão avaliar habilidades de comportamento, com simulação de cases e código de ética

Por Luíza Lanza

09/02/2026 | 11:58 Atualização: 09/02/2026 | 11:58

A Anbima é a a associação que representa as instituições do mercado de capitais brasileiro. (Foto: Divulgação/Anbima)
A Anbima é a a associação que representa as instituições do mercado de capitais brasileiro. (Foto: Divulgação/Anbima)

Começam a valer nesta segunda-feira (9) as novas certificações da Anbima para profissionais do mercado financeiro. A partir de agora, os exames CPA-10, CPA-20 e CEA vão ser substituídos pelos CPA, C-Pro R e C-Pro I.

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As mudanças vão em linha com uma cobrança que se fortaleceu no mercado nos últimos tempos: que os profissionais estejam mais alinhados aos interesses do cliente, com capacidade técnica para dar uma visão do portfólio como um todo e não apenas para vender um produto de investimento ou outro.

Marcelo Billi, superintendente de Sustentabilidade, Inovação e Educação da Anbima, explica que, desde que foram criadas há 20 anos, as certificações vinham sendo atualizadas e reformuladas. Mais recentemente, porém, a autarquia entendeu, junto ao mercado, que era preciso mudar as estruturas também. “Com a entrada de novos players, bancos, plataformas, cooperativas, o ecossistema de distribuição ficou muito mais sofisticado“, destaca.

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Para a reformulação, a Anbima desenvolveu certificações “neutras”, que não ditam um cargo específico para o profissional que as detém, mas sim uma função. “Entendemos que hoje haviam três figuras na distribuição de investimentos. Uma de atendimento, outra com um perfil mais comercial, e aquele especialistas em investimento para clientes mais sofisticados. E sofisticado não quer dizer o cliente mais rico, mas aquele de carteira mais diversificada e que precisa de explicações mais profundas”, explica.

O plano inicial da autarquia era que as novas certificações começassem a valer já em janeiro, mas o volume de inscrições na reta final do ano foi tão alto que foi preciso postergar o novo modelo para fevereiro. 2025 foi um ano recorde de aplicação de provas: 255 mil ao longo do ano, sendo que 130 mil foram aplicadas apenas no último trimestre.

Billi reconhece que a transição das certificações levou a uma “corrida” para realizar a prova ainda no modelo antigo, o que pode ter inflado os números de 2025. “É natural. A prova nova é menos complexa no sentido de que não será preciso decorar coisas, mas também é muito mais contextual, se o profissional consegue usar o conhecimento técnico em diferentes situações”, destaca.

Preocupações com o momento de mercado

A atualização das certificações faz parte de uma evolução das provas que vem acontecendo aos poucos e há anos para acompanhar o desenvolvimento do mercado. Quando foram lançadas há décadas, o trabalho do profissional de investimentos era bem diferente – havia muito menos instituições que prestavam esse serviço, assim como a prateleira de produtos era bem menor. No início, a prova era focada em produtos básicos de renda fixa e previdência.

Mas o mercado foi crescendo, com a entrada das assessorias de investimento, aumento do número de investidores pessoa física e uma franca expansão dos tipos de produtos. A certificação foi acompanhando, incluindo até temas como criptomoedas.

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Agora, a nova estrutura vai avaliar não só os produtos de investimento, mas a capacidade do profissional olhar a vida do cliente de forma mais ampla. As provas terão estudos de caso e vão exigir do candidato algumas habilidades de comportamento. Uma mudança que vem justamente quando o mercado voltou a discutir com mais foco as dinâmicas de distribuição de produtos e o conflito de interesses.

Esses temas estão na agenda da própria Anbima, que após o episódio do Banco Master revisou o seu código de distribuição para limitar o uso do FGC como argumento comercial e está atuando junto à CVM para melhorar as regras de suitability, expandindo a visão de risco hoje focada no produto para todo o portfólio do investidor.

  • Caso Master leva Anbima a rever uso do FGC e prioridades: veja as preocupações para 2026

Junto com as novas certificações, a Anbima está lançando um Código de Conduta Ética – profissionais devem aderir assim que realizarem a inscrição das provas. Por ora, o código tem caráter educativo, com nove princípios éticos para alinhar as boas práticas na área de investimentos. Mas a autarquia está testando um enforcement para que, a partir de 2027, possa receber denúncias de descumprimento das normas, disse o superintendente Marcelo Billi.

O que vai mudar

As novas certificações não têm uma equivalência direta com as do modelo antigo, mas, na prática, dá para traçar comparações. O CPA-10 vira o CPA, o ponto de partida para quem quer iniciar a carteira, obrigatório para a atividade profissional. O CPA-20, uma certificação intermediária, vira o C-Pro R; enquanto o CEA seria o C-Pro I.

As novas certificações

  • CPA (Certificado Profissional Anbima): segundo a instituição, a prova é indicada para quem busca entender o básico sobre os tipos de investimento. É voltada a funções comerciais, como a prospecção de clientes e atendimento. O CPA é um pré-requisito para obter as outras certificações;
  • C-Pro R (Certificado Profissional Anbima de Relacionamento): voltada para os que atuam na área comercial com foco em relacionamento, exige um conhecimento mais aprofundado sobre como alinhar os produtos de investimento ao perfil e às necessidades dos clientes. Com a prova, o profissional estaria apto a recomendar um portfólio de produtos de investimentos.
  • C-Pro I (Certificado Profissional Anbima de Investimento): voltada para quem atua com foco técnico, exige conhecimento aprofundado sobre as estruturas dos produtos de investimento e montagem de carteiras recomendadas.

Além dos nomes, o modelo de avaliação vai passar a exigir não só habilidades técnicas dos postulantes, mas também comportamentais. São elas: análise do contexto e relacionamento com o cliente, persuasão, atendimento, capacidade comercial, autogestão e autoeficácia, comunicação interpessoal e suporte social.

As provas vão incluir questões dissertativas, interativas e estudos de casos com simulações de situações reais. Além do resultado, os candidatos vão receber um feedback com um plano de estudos personalizado, independente de serem aprovados ou não.

E os preços

Uma outra grande mudança trazida pelo novo modelo é a necessidade de uma renovação anual das certificações. Antes, quem estava trabalhando em alguma instituição só precisava renovar a licença a cada cinco anos. Já os que não estavam na ativa deveriam fazê-lo a cada três anos.

Agora, quem estiver ativo no mercado precisa renovar a licença – e pagar por ela anualmente. Veja os novos preços:

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As provas ficaram mais baratas individualmente, mas a necessidade de pagamento anual gerou reclamação entre assessores sobre o aumento dos custos totais para manter as certificações, logo quando as mudanças foram anunciadas.

Marcelo Billi destaca que os valores individuais foram reduzidos à metade, porque havia uma preocupação do autorregulador de que o preço não fosse uma barreira de entrada para profissionais logo de cara. À medida que sejam inseridos no mercado de trabalho, terão capacidade financeira de manter a renovação.

A partir de 2027, quem não estiver atuando poderá manter a certificação inativa por até três anos. Durante esse período, continua tendo acesso ao Anbima Edu, mas não precisa arcar com os custos anuais. Quando desejar retomar o trabalho, o profissional só precisa pagar a atualização anual, sem valores retroativos.

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