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Colunista

Dinheiro esquecido: tabus e silêncio familiar podem levar à perda de recursos financeiros

Parte de um patrimônio pode estar espalhada em contas bancárias antigas, investimentos abandonados e outras fontes financeiras

Por Ana Paula Hornos

05/10/2024 | 6:30 Atualização: 05/10/2024 | 12:11

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Dinheiro esquecido (Foto: Adobe Stock)
Dinheiro esquecido (Foto: Adobe Stock)

Imagine descobrir que você tem uma pequena fortuna guardada e nem fazia ideia disso. Foi exatamente o que aconteceu com um cliente meu, que encontrou, em uma antiga pasta do pai, ações ao portador da Petrobras com valor superior a R$ 300 mil. Essas ações, esquecidas por décadas, nunca haviam gerado dividendos para a família, permanecendo fora do radar de qualquer planejamento financeiro. Essa história real ilustra um fenômeno surpreendentemente comum: o dinheiro esquecido em contas, investimentos, ou até mesmo em documentos físicos.

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O comportamento de esquecimento financeiro

Dados do Banco Central indicam que bilhões de reais estão disponíveis para resgate através do Sistema de Valores a Receber (SVR), incluindo valores pertencentes a pessoas falecidas. Esses recursos esquecidos estão espalhados em contas bancárias antigas, investimentos abandonados e outras fontes financeiras que acabam sendo negligenciadas por falta de organização ou conhecimento dos herdeiros. Existem casos de indivíduos com milhões de reais aguardando resgate, o que demonstra o impacto da ausência de comunicação e planejamento financeiro dentro das famílias.

  • Leia mais: Um brasileiro esqueceu R$ 11 milhões no banco. Pode ser você?

Esses valores esquecidos não se limitam ao sistema do Banco Central. Eles podem estar em pastas antigas, como ações ao portador, certificados de investimento, ou outros ativos que não foram devidamente geridos ou sequer reconhecidos como valiosos ao longo dos anos. No caso do meu cliente, ele desconhecia completamente o patrimônio deixado pelo pai e não tinha noção do valor que aquelas ações representavam. Por pouco, esses papéis não foram descartados como algo sem importância, reforçando a necessidade de se falar sobre dinheiro e investimentos no ambiente familiar.

Dinheiro como tabu e a falta de cultura financeira familiar

Em muitas famílias, o dinheiro ainda é um tabu, levando à falta de diálogo sobre finanças, patrimônio e sucessão. Quando os filhos são excluídos dessas conversas, perdem a chance de aprender a se adaptar a diferentes cenários financeiros. Esconder ou mentir sobre a situação financeira — seja de abundância ou crise — é prejudicial, pois impede o desenvolvimento de resiliência e boas decisões financeiras.

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Incluir os filhos nas discussões e ser transparente sobre o patrimônio ensina o verdadeiro valor do dinheiro e prepara as próximas gerações para desafios financeiros. A educação financeira deve começar em casa, com abertura sobre os altos e baixos das finanças, promovendo uma relação saudável com o dinheiro.

A falta de planejamento sucessório e de educação financeira perpetua a desorganização entre gerações. Tratar o dinheiro como um tabu gera desconhecimento, podendo resultar em sérias consequências, como a perda de recursos valiosos ou, pior, a descoberta de dívidas ocultas que sobrecarregam os herdeiros.

Planejamento e Transparência: Chaves para Evitar Surpresas

Para evitar que recursos valiosos se percam ou que surpresas indesejadas, como dívidas ocultas, apareçam, é fundamental adotar uma postura de transparência e diálogo dentro da família. Separar pelo menos um dia por mês para conversar sobre o orçamento pode fortalecer vínculos e fomentar o exercício da escuta e empatia. Essas conversas devem incluir a compreensão dos sonhos e projetos de cada um, permitindo que todos participem na elaboração de prioridades familiares.

Essas discussões podem ser ajustadas de acordo com a faixa etária e maturidade de cada filho, introduzindo gradualmente o tema das finanças de forma acessível e educativa. Além disso, trabalhar o orçamento familiar nos moldes de centros de custos empresariais pode ser eficaz, oferecendo a cada indivíduo autonomia para gerenciar seus próprios gastos dentro de limites acordados. Essa prática ajuda todos a entenderem a interdependência do orçamento maior familiar, promovendo uma visão coletiva e responsável.

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Além de revisar regularmente as finanças e usar ferramentas para monitorar gastos e investimentos, é crucial incluir o planejamento sucessório nas conversas familiares. Integrar a educação financeira como uma parte constante da rotina familiar prepara as futuras gerações para lidar com desafios financeiros, reconhecer e valorizar o patrimônio, e garantir que o legado financeiro seja bem compreendido e gerido.

Onde procurar dinheiro esquecido no Banco Central

Para saber se há dinheiro esquecido em seu nome ou no nome de um familiar falecido, é possível consultar o Sistema de Valores a Receber do Banco Central. Basta acessar o site do Banco Central, selecionar a opção “Consulte se tem valores a receber” e inserir o CPF do titular ou do falecido. Caso existam valores disponíveis, o sistema fornecerá informações sobre como resgatá-los, que pode incluir o uso de uma conta Gov.br de nível prata ou ouro para acessar o portal e solicitar o resgate, seja via Pix, TED ou DOC.

Em última análise, a descoberta de dinheiro esquecido pode ser uma oportunidade para rever hábitos financeiros e reforçar a importância do planejamento e da comunicação. Que tal começar essa conversa hoje?

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