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Investimentos

IPCA-15: o que a prévia da inflação indica aos seus investimentos e aos próximos passos do Copom

Mesmo com inflação abaixo do esperado, analistas continuam estimando alta para a Selic; entenda

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

25/09/2024 | 14:03 Atualização: 26/09/2024 | 8:37

IPCA. (Foto: Adobe Stock)
IPCA. (Foto: Adobe Stock)

A prévia da inflação, medida pelo Índice de Preços ao Consumido Amplo – 15 (IPCA-15), surpreendeu positivamente o mercado nesta quarta-feira (25). O indicador mostrou uma alta de 0,13% nos preços em setembro, abaixo das expectativas do mercado, que aguardava uma alta de 0,28%.

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Mário Mesquita, economista-chefe do Itaú, explica por que o IPCA-15 de setembro animou o mercado: “Parte da surpresa baixista pode ser atribuída à volatilidade de itens específicos, como cinema e seguro de veículos. Por outro lado, os serviços subjacentes ligados à mão de obra e alimentação fora do domicílio seguem comportados, a despeito do mercado de trabalho apertado”, diz o economista.

Já Pedro Afonso Gomes, presidente do Corecon-SP, diz que o número não é uma grande surpresa. Ele comenta que já aguardava o indicador próximo de 0,13%. Segundo ele, essa estimativa foi feita com base no Índice de Preço ao Produtor (IPP). O indicador mostra como estão os preços das matérias-primas adquiridas pelas indústrias com os seus fornecedores para realizar a produção.

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O indicador registrou quedas em maio, junho e julho e, segundo o economista, isso impacta diretamente na inflação. “Com a aceleração da economia, os produtos estão sendo produzidos em maior escala e são repassados para a indústria de forma mais barata. A própria indústria e o varejo tendem a repassar essa queda de preços, gerando uma deflação para o consumidor na ponta final. Faz com que a inflação no agregado não registre uma alta acentuada”, argumenta Gomes.

Marianna Costa, economista chefe da corretora Mirae Asset, comenta que a prévia da inflação surpreendeu boa parte do mercado. Segundo ela, houve surpresa principalmente no comportamento das métricas dos núcleos, já que se aguardava alguma aceleração na margem. A média dos núcleos acompanhados pelo Banco Central caiu para 0,17%, ante alta de 0,29% em agosto.

“Vale ressaltar que o núcleo de bens industriais caiu na margem para 0,13% de 0,33% em agosto, mas a inflação acumulada em 12 meses para essa métrica subiu para 1,36% de 1,06% no mês anterior”, aponta a economista.

O que esperar da Selic após o IPCA-15?

Em linhas gerais, os analistas se dividem se o IPCA – 15 abaixo do esperado pode mudar o curso do atual ciclo de alta de juros. De acordo com Bruno Monsanto, economista e assessor da RJ+ Investimentos, é precoce tomar apenas este dado como uma eventual projeção para as próximas decisões do Copom.

Monsanto lembra que para a decisão final são consideradas as contas públicas, ainda com problemas, a atividade econômica, que segue aquecida, e o cenário externo, com impacto na dinâmica de preços no Brasil. Já Marianna Costa, da Mirae, argumenta que após os dados de hoje a decisão final do Copom segue em aberto.

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Em suas comunicações ao mercado, o Banco Central sugere que existe espaço para aceleração do passo para altas de 0,50 ponto porcentual, diz ela. Todavia, a autoridade monetária foi clara ao dizer que o ritmo dependerá do comportamento da inflação corrente, das expectativas, do comportamento da atividade econômica, em particular do hiato do produto e do cenário externo. “Nesse sentido, o dado benigno de hoje mantém a chance de que o processo de aperto monetário siga de forma mais gradual. Nossa expectativa é de que a Selic termine o ano de 2024 em 11,75% e no fim de 2025 em 11%”, observa a economista.

Marcos Moreira, sócio da WMS Capital, afirma que ainda é muito cedo para definir se o dado de hoje deve fazer com que o ciclo de alta de juros seja mais suave que o esperado ou não. “O Banco Central está mais preocupado com a dinâmica da atividade econômica e com a desancoragem da inflação em um horizonte relevante de 18 meses. Então, nós acreditamos que não deve ter um impacto claro nas próximas decisões de juros”, argumenta.

O especialista diz esperar mais duas altas de 0,50 ponto porcentual até o fim de 2024, com a Selic a 11,75% no fim deste ano. Ele também calcula que a taxa básica de juros da economia, a Selic, deve ter uma última alta de 0,25 ponto porcentual em janeiro de 2025.

Leia mais: Como a alta da Selic no Brasil e a queda de juros nos EUA impactam seus investimentos?

Investidor deve ir para renda fixa ou variável após o IPCA-15?

Após os dados do IPCA-15 divulgados nesta semana, os analistas comentam que o melhor para o investidor é procurar equilíbrio no seu portfólio. Marcos Moreira, da WMS Capital, diz que existem “excelentes oportunidades” para surfar com os juros nesses “níveis elevados” na renda fixa no curto prazo.

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Segundo ele, para o curto prazo, o ideal é o investidor aplicar em títulos pós-fixados no curto prazo. Já para o médio e longo prazo, o ideal é aportar em papéis indexados à inflação. Todavia, ele deixa claro que ainda existem boas opções para aportar na Bolsa, mesmo que ele tenha essa preferência pela renda fixa no momento.

“Estimamos que o Ibovespa deve terminar 2024 cotado a 150 mil pontos. Essa estimativa é feita com base nos múltiplos do índice. Na métrica Preço sobre Lucro (P/L), o Ibovespa está sendo negociado a 8 vezes. No entanto, na média histórica, o indicado é negociado a 10,8 vezes”, aponta Moreira.

Marianna Costa, da Mirae, argumenta que o cenário de aperto monetário traz oportunidades tanto para a renda fixa como para a renda variável, porque reforça a credibilidade do Banco Central ao se mostrar comprometido com o regime de metas de inflação.

Leia mais: Renda fixa: “Não vejo benefício nos títulos pós-fixados com a alta da Selic”, diz Marília Fontes

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“Há percepção de que este ciclo de aperto monetário deve ser um pouco menor que ciclo anteriores, em parte porque a inflação prospectiva, apesar de se mostrar acima da meta, tem dinâmica não explosiva e porque o cenário externo é de afrouxamento monetário na maioria das economias desenvolvidas, o que deve trazer alívio para o comportamento da moeda doméstica”, explica Costa.

Já Bruno Monsanto, da RJ+ Investimentos, reforça que a decisão deve ser feita com base no perfil do investidor e seu horizonte de tempo para os investimentos. Contudo, ele não nega que os juros devem permanecer acima de dois dígitos até 2025, mantendo a renda fixa atrativa. “Mas para quem busca maiores retornos no longo prazo, é importante manter uma posição em renda variável. O percentual de alocação entre as classes depende mais do estômago de cada investidor”, conclui o analista após comentar sobre o IPCA-15.

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