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
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) subiu 1,06% em fevereiro, uma alta expressiva em relação a janeiro, quando havia registrado avanço de 0,27%. Segundo dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgados nesta quinta-feira (27), os preços ao produtor e ao consumidor contribuíram para aceleração do IGP-M em fevereiro, com destaque para o aumento dos preços das commodities, dos combustíveis e da energia.
O resultado do índice de inflação de fevereiro ficou acima da mediana das estimativas do mercado no Projeções Broadcast, de avanço de 1,01%. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA-M) teve alta de 1,17% nesta leitura, enquanto o Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M) avançou 0,91% neste mês. Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-M) desacelerou de alta de 0,71% para 0,51% no período.
O indicador de inflação em fevereiro eleva a pressão sobre o Banco Central (BC) para os ajustes nos juros. “O desafio agora é equilibrar a necessidade de desinflação sem comprometer o crescimento, especialmente diante de um cenário em que os juros reais já estão elevados, limitando o espaço para novas altas sem efeitos colaterais severos na atividade econômica”, afirma Pedro Ros, CEO da Referência Capital.
O que levou o IGP-M a disparar em fevereiro?
A aceleração do IPA-M veio do produto que amargou o gosto do brasileiro: o café. Ele, somado ao preço dos ovos, foram os responsáveis por provocar a alta expressiva no índice de inflação. Segundo Matheus Dias, economista do FGV IBRE, a deteriorização do IPA em fevereiro se deve à elevação das temperaturas, que reduziu a produtividade e limitou a oferta desses produtos.
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“No caso dos ovos, a proximidade da Quaresma intensificou a pressão sobre a já restrita disponibilidade do produto”, complementou o especialista.
Já a segunda maior alta do IGP-M, o Índice de Preços ao Consumidor foi prejudicado trouxe outros vilões para o bolso dos brasileiros: gasolina e a energia elétrica, que refletiram o reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e a retirada do bônus de Itaipu, que trazia um desconto de 14,21% nas tarifas de energia elétrica de janeiro.
“Por fim, o INCC desacelerou, influenciado pela variação mais moderada dos custos de mão de obra”, afirma o economista do FGV IBRE.
Como a inflação impacta o bolso dos brasileiros?
Quando vemos o resultado do IGP-M em fevereiro, pode parecer apenas números que não vão afetar diretamente a vida do brasileiro. Mas quando se olha o efeito da inflação no dia a dia, a realidade pode ser mais cruel.
Uma inflação descontrolada implica o aumento dos preços de bens e serviços, o que gera a diminuição do poder de compra da população. Na prática, um produto que há um mês era vendido a R$ 5 pode passar a custar R$ 7.
Investimentos também sofrem impacto com a escalada da inflação. Isso porque para evitar que a inflação dispare e incomode o bolso do consumidor, o Banco Central precisa subir juros, o que retira parte do dinheiro da economia.
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Essa quantia passa a ficar em títulos públicos ou na própria poupança, que passam a render mais com os juros elevados. As compras parceladas e os empréstimos também podem ficar mais caros, a depender de como estiver a Selic. Todos esses pontos ajudam a desacelerar a economia para reduzir a inflação e, consequentemente, indicadores como o IGP-M.
*Com informações do Broadcast