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Investimentos

Estes fundos pagam IPCA+9%, mas risco de crédito ainda preocupa analistas

Ativos investem majoritariamente em debêntures incentivadas de projetos ou empresas do setor de infraestrutura

Retrato de busto sob fundo azul escuro.
Por Leo Guimarães
Editado por Wladimir D'Andrade

27/05/2025 | 3:00 Atualização: 26/05/2025 | 17:06

Investidor deve evitar fundos concentrados em obras em fase inicial ou com alto investimento. (Foto: AdobeStock)
Investidor deve evitar fundos concentrados em obras em fase inicial ou com alto investimento. (Foto: AdobeStock)

Embora os fundos de infraestrura (FI-Infras) sejam frequentemente apresentados como investimentos de baixo risco e alta previsibilidade, essas características podem minimizar alguns riscos importantes. O principal deles é o risco de crédito, especialmente relacionados a projetos com alta complexidade de execução ou baixa maturidade operacional.

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O analista do Grupo SWM, Gustavo Saula, recomenda que o investidor deve sempre avaliar o perfil dos emissores, dando prioridade aos projetos consolidados, conhecidos no jargão do mercado, como high grade e, de preferência, que já estejam em operação. Dessa forma é possível evitar, ou minimizar, o risco de execução na carteira. “É importante fugir de fundos concentrados em obras em fase inicial ou com alto capex (investimento de capital) pendente.”

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Os FI-Infras investem majoritariamente em debêntures incentivadas de projetos ou empresas do setor de infraestrutura, que atuam em setores regulados e essenciais como energia, transporte e saneamento. Segundo o especialista, é importante também observar a diversificação da carteira do fundo. “Aqueles FI-Infra mais resilientes tendem a ter boa pulverização setorial e por emissores”, observa.

Além disso, o investidor precisa observar a transparência e a governança do gestor do fundo, fazendo o acompanhamento ativo e vendo a capacidade de renegociação em caso de estresse.

Como a Selic impacta os projetos de infraestrutura

Sobre o risco de crédito nesta indústria, Vitor Duarte, CIO da Suno Asset, argumenta que as empresas brasileiras estão mais preparadas para enfrentar um ambiente de juros altos, em relação há uma década. As companhias reduziram sua alavancagem e passaram a estruturar dívidas com prazos mais longos e maior previsibilidade. “A crise atual mistura fatores externos, como as políticas de Donald Trump (presidente dos EUA), e internos, como a questão fiscal, mas estamos melhor preparados do que em 2015”, avalia.

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Ele destaca que a evolução do mercado de capitais nos últimos dez anos foi “absurda”, com os fundos de crédito privado ultrapassando o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como principal fonte de financiamento de longo prazo. Essa maturidade beneficia diretamente os fundos de infraestrutura, que investem em empresas com acesso a instrumentos mais eficientes de captação e menor risco de refinanciamento.

Além disso, o mercado de capitais permite alongar o vencimento das dívidas, algo mais difícil para bancos tradicionais, o que reduz a pressão de curto prazo sobre os projetos e reforça a segurança desses ativos para o investidor.

Rolagens representam riscos

Gustavo Saula pondera, no entanto, que apesar dos projetos de infraestrutura geralmente ter perfil de dívida alongada, refinanciamentos ou rolagens em cenários de juros mais altos podem afetar o desempenho de empresas alavancadas, o que impacta indiretamente no risco de crédito das debêntures em carteira dos fundos de infra. É válido lembrar que renda mensal isenta de Imposto de Renda (IR) via dividendos vem da distribuição dos juros e amortizações recebidos dos ativos da carteira.

“Se houver inadimplência de algum emissor, reestruturações de dívida ou atrasos em obras ou descasamentos de fluxo, o fundo pode sofrer tanto na geração de caixa mensal, quanto na reprecificação da cota (impactando seu preço de mercado)”, comenta o especialista. Apesar dos riscos, é importante ter em mente que o setor de infraestrutura tende a ser muito menos impactado com a alta de Selic em relação a outros setores, pois seus contratos são vinculados à inflação.

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