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Negócios

Lucros e dividendos: por que os bancos estão investindo pesado em IA

Executivos comentam sobre estratégias com IA para reduzir custos e entregar o melhor serviço para o cliente

Bruno Andrade é repórter do E-Investidor
Por Bruno Andrade

10/06/2025 | 17:39 Atualização: 10/06/2025 | 18:24

Ganho de eficiência com uso de IA tem sido o mantra dos bancos (Foto: FEBRABAN/Divulgação)
Ganho de eficiência com uso de IA tem sido o mantra dos bancos (Foto: FEBRABAN/Divulgação)

Ganhar eficiência com foco em entregar um serviço personalizado ao cliente. Esse foi o mantra dos CEOs dos grandes bancos brasileiros no painel de abertura da Febraban Tech, evento de tecnologia do setor financeiro que começou nesta terça-feira (10). Os executivos estão com parte de seu modelo de negócio focado em Inteligência Artificial Generativa na busca por  reduzir custos e elevar a rentabilidade das companhias no longo prazo. O movimento foi apontado como positivo para o investidor que busca ganhos com dividendos dos bancos.

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A presidente do Banco do Brasil (BBAS3), Tarciana Medeiros, disse que a empresa está trabalhando pela escalabilidade dos modelos de IA com foco em uma cultura de eficiência, mas que isso não significa corte de pessoas ou de projetos. Um dos modelos do banco é o uso do WhatsApp corporativo integrado à plataforma de Gestão de Relacionamento com o Cliente (CRM, na sigla em inglês). Com esse modelo, desenvolvido em parceria com a Meta, a empresa consegue enxergar toda a jornada do cliente, onde quer que ele tenha acessado o banco.

“Teremos condições de analisar risco em tempo real, de verificar necessidades em tempo real. Tudo isso, com base numa análise do comportamento do cliente. Vamos entregar o banco para o cliente da forma como ele precisa, onde ele precisa, e no momento em que ele mais precisa”, diz Medeiros.

Bradesco usa IA para reduzir custos

O presidente do Bradesco (BBDC4), Marcelo Noronha, explicou que o banco tem feito aquisições relevantes no mercado para aumentar sua atuação tecnológica, como a contratação de uma nova massa de desenvolvedores, para acelerar a transformação tecnológica necessária. Conforme essa reportagem, o banco contratou 1,4 mil pessoas para a área de tecnologia até março de 2025.

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Segundo Noronha, a BIA (Inteligência Artificial do Bradesco), lançada há 10 anos, está ganhando a definição de IA generativa. Conforme o executivo, três milhões de clientes e mais de 50 mil colaboradores usam a BIA como IA generativa. “Estamos usando a IA para endereçar modelo de crédito, de risco, para termos prevenção à fraude. Desse modo, conseguimos ter uma redução significativa dos custos, o que tem melhorado nossa rentabilidade no médio e longo prazo”, disse Noronha.

Itaú lança primeira IA generativa conversacional e transacional

Já o CEO do Itaú (ITUB4), Milton Maluhy Filho, ressaltou que o foco do banco é colocar a tecnologia a serviço dos clientes. Para isso, a empresa tem se mobilizado e feito investimentos relevantes, aplicando inteligência artificial em muitas das iniciativas, como a primeira solução de inteligência artificial generativa conversacional e transacional – o Itaú o único banco no mundo que lançou essa solução até agora.

“Mudamos a lógica do banco de uma empresa transacional para uma companhia consultiva. Um banco que ajuda o cliente a resolver seus problemas com uma experiência hiperpersonalizada focada em cada um. Inovação é algo que está aqui, por isso, o Itaú tem 17 mil desenvolvedores, 20% do quadro e se compara com as maiores empresas de tecnologia do mundo”, destacou Maluhy Filho.

Santander quer ser o principal banco do cliente

O presidente do Santander, Mário Leão, também comentou que a hiperpersonalização é uma das metas do banco para trazer a principalidade do cliente. Vale lembrar que a ‘principalidade do cliente’ é o fato de a instituição financeira ser o principal banco do usuário. “A pessoa pode ter contas em vários bancos, no entanto, o cartão que o cliente mais utilizará será o do Santander. Quando ele for solicitar um empréstimo, o primeiro banco que ele deve recorrer é ao Santander”, disse Leão.

Na visão do executivo, o banco deve conseguir a preferência do cliente com o uso de inteligência artificial generativa, que vai monitorar todos os hábitos e o consumo dos clientes. “Toda a inteligência artificial generativa está sendo utilizada cada vez mais para conseguir entregar para o cliente um aplicativo no qual a conversa é contínua, contextualizada e, portanto, absolutamente precisa e hiperpersonalizada”, explicou Leão.

Nova proposta do governo para LCI e LCA afeta os bancos?

No fim do painel, alguns dos executivos criticaram as medidas do governo de acabar com a isenção do Imposto de Renda (IR) para as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e Letra de Crédito do Agronegócio (LCA). Nesta segunda-feira (9), o governo anunciou que essas modalidades de investimentos perderam a isenção de imposto e passaram a pagar 5% de IR.

Na visão de Mário Leão, CEO do Santander, parte dessas novas medidas afeta os bancos tradicionais. “Ninguém acorda querendo pagar mais imposto, ninguém acorda querendo fazer a gestão de gastos proativamente, mas são agendas que o Brasil tem que enfrentar definitivamente. Acredito que estamos em um momento bastante especial para isso”, argumenta Leão.

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Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual, disse que o aumento da arrecadação via impostos tende a fazer com que a economia desacelere por questões inflacionárias. Para ele, o governo tem o monopólio da arrecadação de impostos e, por isso, depende só dele para fazer o corte necessário. “Independentemente de eleição, quem vai ganhar com isso é o Brasil. Quanto maior o PIB potencial do País, melhor vai ser para a sociedade”, explicou Sallouti. Para ver projeções sobre os dividendos dos bancos, leia esta reportagem.

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