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Mercado

Raízen (RAIZ4): as decisões que custaram 83% do valor de mercado e derrubaram a ação para R$ 1

Gigante do etanol, açúcar e distribuição de combustíveis vive momento mais delicado desde IPO na bolsa

Por Jenne Andrade

19/08/2025 | 18:04 Atualização: 19/08/2025 | 18:04

Entenda o que motivou a derrocada das ações da Raízen (Foto: Adobe Stock)
Entenda o que motivou a derrocada das ações da Raízen (Foto: Adobe Stock)

Criada há 14 anos por uma parceria entre Shell e Cosan, a Raízen (RAIZ4) nasceu gigante: a expectativa inicial era de faturar R$ 50 bilhões por ano. Em 2021, ao estrear na Bolsa, levantou quase R$ 7 bilhões no IPO e atingiu um valuation de R$ 73 bilhões, o que de cara a colocou no grupo das companhias mais valiosas do Brasil.

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De lá para cá, entretanto, a história da Raízen não aconteceu conforme esperado. Em menos de cinco anos, R$ 61 bilhões em valor de mercado desapareceram, segundo dados levantados por Einar Rivero, da Elos Ayta. As ações desvalorizaram 82% e agora encostam na cotação simbólica de R$ 1, um nível que só empresas com as capacidades financeiras em frangalhos costumam chegar. Se os papéis caírem abaixo disso, a companhia terá seu título reduzido a “penny stock”, uma realidade que não parece combinar com uma referência do setor de etanol, açúcar e distribuição de combustíveis.

Os analistas consultados pelo E-Investidor apontam que essa derrocada tem origem em decisões tomadas no passado e que custaram caro.

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De acordo com Larissa Quaresma, analista da Empiricus, a Raízen colocou em prática um plano de expansão que envolvia uma aposta alta em plantas de etanol de segunda geração (E2G), além da entrada da companhia em negócios secundários, caso da participação na rede Oxxo. No final, o retorno dessas iniciativas não compensou o investimento dos recursos.

“Com o retorno insuficiente, agravado pela elevação da Selic de 2% para 15%, a geração de caixa ficou pequena diante da dívida contraída para executar esses projetos”, diz Quaresma.

A escolha equivocada de aplicação de capital também fez com que a Raízen tivesse mais dificuldade para lidar com as desafios inerentes ao mercado sucroenergétco no Brasil. “O segmento sofre historicamente com alta volatilidade de preços do açúcar e do etanol, além da concorrência com a gasolina em momentos de controle de preços nos combustíveis fósseis”, diz Sidney Lima, analista e economista-chefe da Ouro Preto Investimentos.

A união desses fatores formou uma tempestade perfeita, materializada no balanço divulgado na semana passada. De abril a junho deste ano, a Raízen registrou um prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão, revertendo o lucro de R$ 1 bilhão do mesmo período do ano anterior. Já a dívida líquida subiu 55,8%, para R$ 49 bilhões.

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“A Raízen vive hoje um dos momentos mais delicados da sua história recente”, aponta André Matos, CEO da MA7 Negócios. “Claro que o setor de energia e biocombustíveis passou por desafios como a queda nos preços do etanol, custos de produção mais altos, transição energética ainda lenta e margens pressionadas, mas outras companhias conseguiram atravessar esse período com mais resiliência.”

O que esperar agora?

Olhando para frente, os especialistas divergem sobre as perspectivas para a Raízen. Quaresma, analista da Empiricus, avalia que a nova gestão, que assumiu a empresa no final do ano passado, possui a competência e o senso de urgência necessários para executar um turnaround. Ou seja, reduzir despesas e reanalisar investimentos.

A analista aponta que a companhia está no caminho certo, vendendo ativos de alto valor, como usinas de etanol, energia e fazendas de cana, para diminuir a dívida. Nos cálculos de Quaresma, as vendas já anunciadas devem somar R$ 3 bilhões ao caixa, mas ainda há espaço para mais.

“Adicionalmente, estimamos que a companhia pode levantar mais R$ 9 bilhões em vendas adicionais nos próximos 18 meses”, diz a especialista da Empiricus. Um novo aumento de capital com potencial participação da Shell e de algum outro investidor estratégico, também é considerado um passo importante na recuperação.

No início da semana, surgindo rumores de que a Petrobras assumiria esse papel, de possível novo parceiro estratégico da Raízen. As ações RAIZ4 chegaram a saltar 10% na segunda-feira (18), mas logo após o fechamento do mercado, a estatal negou o investimento.

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“O caminho é complexo e os desinvestimentos poderiam ganhar mais velocidade, mas avaliamos que a Raízen está caminhando na direção correta”, diz Quaresma, que ainda não tem recomendação de compra para RAIZ4. “Preferimos a exposição via Cosan (CSAN3), co-controladora da Raízen, que possui outras empresas sob seu guarda-chuva (Rumo, Compass, Moove e Radar) e negocia a um valuation atrativo”, explica.

Matos, da MA7 Negócios, também vê muita incerteza pelo caminho. “Há chance de melhora? Sim, especialmente se houver uma capitalização ou um parceiro estratégico. Mas, no curto prazo, é um papel que exige cautela. Está barato, mas com risco elevado”, diz.

Já Lima, da Ouro Preto, vê o papel como alvo de investidores com perfil agressivo e especuladores. “A ação da Raízen pode ser vista como uma aposta especulativa de turnaround, principalmente se houver sinal de avanço na busca por uma âncora estratégica (parceiro de negócio)”, afirma.

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