A alta do índice ocorreu mesmo com a fraqueza das bolsas de Nova York e a virada para o negativo das ações da Vale (VALE3). A mineradora recuou 0,68%.
Os investidores adotaram cautela antes das decisões sobre juros no Brasil e nos EUA, na quarta-feira. Para o Itaú Unibanco, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a Selic em 15% ao ano, preservando uma comunicação “flexível”. O banco vê um primeiro corte do juro básico acontecendo em janeiro, com queda de 0,25 ponto porcentual, e uma taxa em 12,75% ao longo de 2026.
No último Boletim Focus, a expectativa é de que o Copom mantenha a Selic em 15% ao ano na quarta-feira. Contudo para 2026, a mediana das projeções para o juro básico subiu de 12,0% para 12,25%. Já a estimativa mediana para o IPCA fechado em 2025 foi de 4,43% para 4,40%, abaixo do teto da meta (4,50%).
A despeito da queda recente do índice Ibovespa e da moderação da alta hoje, a análise gráfica ainda indica dinâmica positiva ao indicador. Segundo o Itaú BBA, o cenário é de alta e, por ora, não há motivo para dizer que o mercado perdeu a força compradora.
Repercutiu também a possibilidade de saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) da disputa eleitoral em 2026. Para isso, quer o pai livre, nas urnas. “Com a ameaça dele de retirar a candidatura, o mercado respira um pouco mais aliviado”, pontua o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus, ressaltando que uma melhora sustentável dos ativos ocorreria com a entrada do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) à disputa.
Na sexta-feira (5), o Ibovespa tocou a marca inédita dos 165 mil pontos, mas depois chegou a perder cerca de 8 mil pontos, diante dos temores políticos.
Segundo avalia Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, como há indício de que a candidatura de Flávio Bolsonaro não seja definitiva, isso deve ajudar na recuperação dos ativos, com destaque ao Ibovespa e ao real. O dólar hoje fechou em queda de o,2% no mercado de câmbio, a R$ 5,4209.
Entre as commodities, o minério de ferro fechou em queda de 1,43% na Bolsa chinesa de Dalian. Já o petróleo Brent recuou 1,98%.
Entre as notícias empresariais, destaque ao Banco do Brasil. A B3 concedeu, em caráter excepcional, mais prazo para a instituição adequar a composição de seu Conselho ao regulamento do Novo Mercado. A adequação agora deve ser realizada até 30 de abril de 2026. Já o GPA assinou contrato para vender sua participação na Financeira Itaú CBD (FIC) ao Itaú Unibanco por R$ 260,1 milhões – veja a matéria completa aqui.
Ibovespa hoje: os principais destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (8)
Bolsas de NY fecham em queda à espera de decisão do Fed
Os índices de Nova York fecharam em queda à espera da decisão do Fed. A ferramenta FedWatch, do CME, aponta 87% de chance de corte de 25 pontos-base, com os juros hoje entre 3,75% e 4%. O Commerzbank prevê redução com maior peso ao mercado de trabalho.
Ainda no radar, o governo dos EUA deve anunciar um pacote de US$ 12 bilhões em ajuda ao setor agrícola, afetado por preços baixos das safras e pelo impacto das tarifas impostas pelo próprio país.
Na Europa, as bolsas da Europa fecharam sem direção única nesta segunda-feira. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em queda de 0,23%, a 9.645,09 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 0,11%, a 24.055,69 pontos. Em Paris, o CAC 40 caiu 0,08%, a 8.108,43 pontos. Em Milão, o FTSE MIB terminou estável em 43.432,82 pontos. Em Madri, o Ibex 35 teve alta de 0,14%, a 16.712,20 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 avançou 0,02%, a 8.199,90 pontos.
O mercado também repercutiu ataques russos na Ucrânia e falas do presidente dos EUA, Donald Trump, de que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, “não está pronto” para aprovar uma proposta de paz elaborada pelos EUA.
Projeção do Focus para IPCA fica abaixo da meta para 2025
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2025 caiu de 4,43% para 4,40%. A taxa está 0,1 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,55% Considerando apenas as 104 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a medida passou de 4,42% para 4,38%.
Já a mediana mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2025 permaneceu em 15% pela 24ª semana consecutiva, após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter mantido os juros neste nível na mais recente decisão, em 5 de novembro.
Agenda econômica da semana
O Copom se reúne na terça-feira (9) e quarta-feira (10), quando sai também o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de novembro; na quinta-feira (11), as vendas do varejo de outubro; e na sexta-feira (12), o volume de serviços. O Senado deve votar na terça a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Marco Temporal.
Na quarta-feira, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado discute o projeto que atualiza a lei de impeachment de ministros do STF.
A decisão do Fed será na quarta-feira, seguida por coletiva de seu presidente, Jerome Powell. O Relatório de abertura de vagas (Jolts) nos EUA em outubro e a inflação ao consumidor e ao produtor da China em novembro serão publicados na terça; o índice de custo de emprego americano no 3º trimestre, na quarta.
A Agência Internacional de Energia (AIE) e a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) publicam relatório mensal de petróleo na quinta. Também participam de eventos os presidentes do Banco do Japão (BoJ), Kazuo Ueda (terça), do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde (quarta) e do Banco da Inglaterra (BoE), Andrew Bailey (quinta).
Esses e outros dados devem ficar no radar de investidores e impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa.
*Com informações de Maria Regina Silva, Silvana Rocha e Luciana Xavier, Broadcast