No mercado de câmbio, o dólar recua pela primeira vez em quatro sessões consecutivas de alta. Já os rendimentos dos Treasuries, os títulos da dívida pública dos Estados Unidos, sobem em meio à reprecificação das expectativas para a política monetária americana.
Em paralelo, o ouro alcançou um novo recorde histórico, sustentado pelas apostas em novos cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA, e pela busca por proteção diante do aumento das tensões geopolíticas globais.
Entre as principais commodities, os contratos futuros do petróleo seguem em alta, após a intensificação do bloqueio americano à Venezuela. O movimento ocorre depois da interceptação do terceiro petroleiro no Caribe, o que reforça temores de restrição na oferta da commodity.
Já os preços futuros do minério de ferro subiram 0,58% na madrugada na Bolsa de Dalian, na China, alcançando US$ 110,99 por tonelada.
No Brasil, além dos efeitos cambiais associados às remessas de dividendos ao exterior (quando empresas enviam parte de seus lucros a investidores estrangeiros, pressionando o câmbio), o mercado doméstico deve reagir à percepção de que o Orçamento aprovado pelo Congresso Nacional dificulta o cumprimento do arcabouço fiscal.
Esse conjunto de regras, que substituiu o antigo teto de gastos, busca limitar o crescimento das despesas públicas e garantir previsibilidade às contas do governo. A meta oficial prevê, por exemplo, um superávit primário de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 – ou seja, um resultado positivo das contas públicas antes do pagamento de juros da dívida. No entanto, o cálculo não considera alguns gastos relevantes, que devem ser tratados como exceções à regra, o que levanta dúvidas sobre a sustentabilidade do compromisso fiscal no médio prazo.