Ibovespa hoje inicia a terça-feira com foco no IPCA-15 no Brasil e em uma bateria de indicadores nos Estados Unidos, incluindo PIB, produção industrial e confiança do consumidor. (Imagem: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje avançou 1,46% aos 160.455,83 pontos, após abrir aos 158.143,85 pontos. O mercado acompanhou nesta terça-feira (23) a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), além de dados do Produto Interno Bruto (PIB) e do índice de preços de gastos com consumo (PCE, na sigla em inglês) dos EUA.
A valorização do principal índice da B3 hoje seguiu a alta dos índices de ações em Nova York, somada ao comportamento negativo visto no câmbio. O dólar hoje fechou em queda de 0,95% cotado a R$ 5,5314 na venda, depois de ter encerrado a sessão anterior no maior nível desde 31 de julho.
O petróleo subiu, ainda em reação aos temores globais, sobretudo após novas apreensões de petroleiros na costa da Venezuela pelos EUA e sanções da União Europeia à Rússia. Já o minério de ferro recuou 0,26% na China.
Investidores acompanharam a divulgação de indicadores, a começar pela inflação no País. O IPCA-15 dezembro subiu 0,15%, coincidindo com a mediana das estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast, com alta acumulada no ano de 4,41%, abaixo do teto da meta de inflação (4,50%).
Outro vetor que mexeu com o mercado foi a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre. O indicador teve alta anualizada de 4,3% no período. A previsão mediana de analistas consultados pelo Projeções Broadcast era de aumento de 3,3%, em uma faixa de 2,5% a 3,7%.
Já o PCE dos EUA subiu ao ritmo anualizado 2,8% no terceiro trimestre, de acordo com a primeira estimativa do Departamento de Comércio do país, divulgada nesta terça-feira. O PCE é a medida de inflação preferida do Federal Reserve.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta terça-feira (23)
Bolsas globais ficam sem direção única com PIB e PCE dos EUA
As bolsas da Europa fecharam mistas, enquanto os índices de Nova York subiram, em dia de indicadores dos EUA, em especial o PIB e o PCE.
As atenções seguiram voltadas às tensões entre Estados Unidos e Venezuela. O presidente norte-americano,Donald Trump, aprovou um plano para a Marinha americana iniciar a construção de dois novos navios de guerra. Nos últimos anos, a China ampliou sua frota naval e, desde meados da década passada, Pequim superou a Marinha dos EUA em número de embarcações. Trump também nomeou um tenente-general da Marinha para chefiar o Comando Sul para a América Latina (SOUTHCOM).
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No câmbio, o dólar hojefechou em queda ante divisas europeias, batendo o menor nível contra o euro em uma semana e contra a libra desde 1º de outubro deste ano. A divisa americana também caiu abaixo de 156 ienes pela primeira vez desde sexta-feira (19), quando a decisão do Banco do Japão (BoJ, em inglês) pressionou a moeda local.
IPCA-15 sobe para 0,25% em dezembro e fecha 2025 em 4,41%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo – 15 (IPCA-15) acelerou a 0,25% em dezembro, ante alta de 0,20% em novembro. (Foto: Adobe Stock)
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) foi de 0,25% em dezembro e ficou 0,05 ponto percentual (p.p.) acima do resultado de novembro (0,20%), divulgou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta manhã. Com este resultado, o IPCA-15 fecha o ano com alta de 4,41%, abaixo do teto da meta de inflação, de 4,5%. Em dezembro de 2024, a taxa foi de 0,34%.
A alta de 0,25% da prévia da inflação veio em linha com a mediana das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, que indicava intervalo entre altas de 0,12% a 0,40%.
A despeito da variação do índice de dezembro ter vindo em linha com o número esperado pelo mercado, o qualitativo veio pior com uma alta disseminada nos serviços subjacentes, por itens como alimentação fora do domicílio, aluguel residencial e serviços pessoais. A avaliação é do economista Leonardo Costa, do ASA.
Já Pablo Spyer, conselheiro da Ancord e economista, o resultado de dezembro reforça a leitura de que o processo de desinflação segue em andamento, embora de forma irregular e heterogênea. “A inflação acumulada em 12 meses permanece dentro da banda da meta, mas ainda acima do centro, o que exige cautela”, afirma.
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O especialista da Ancord estima que não deve haver cortes de juros no curto prazo. “O Banco Central deve manter uma postura prudente, aguardando evidências mais consistentes de desaceleração dos serviços antes de qualquer ajuste mais claro na trajetória dos juros. Um corte em janeiro ficou fora do radar”.
BC realiza 2 leilões para venda de dólares
O Banco Central (BC) vendeu US$ 500 milhões em leilões de linha (venda de dólares com compromisso de recompra) não atrelados à rolagem de vencimentos. O montante vendido foi inferior à oferta integral, de US$ 2 bilhões a serem distribuídos, a critério do BC, entre os dois leilões.
As operações de venda serão liquidadas no dia 26 de dezembro de 2025. A venda de dólares pelo BC foi feita com base no boletim das 10h da Ptax (taxa de referência para as operações de câmbio no mercado financeiro) de hoje, com valor de R$ 5,5861. Leia mais nesta reportagem.
Agenda econômica do dia
O Ibovespa seguiu a terça-feira (23) com atenção especial à agenda econômica, que trouxe dados relevantes de inflação e atividade, apesar da baixa liquidez às vésperas do Natal.
Nesta terça-feira, ainda estava prevista uma entrevista do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao portal Metrópoles. Porém, segundo o site, a entrevista foi desmarcada pelo próprio político em razão de “questões de saúde”.
A agenda americana trouxe ainda dados de encomendas de bens duráveis de outubro, que caíram 2,2% ante setembro, a US$ 307,4 bilhões, segundo dados publicados pelo Departamento do Comércio do país. O resultado mostra queda mais intensa do que as projeções de analistas consultados pela FactSet, de 1,2% no período.
A produção industrial dos EUA teve alta mensal de 0,2% em novembro e queda de 0,1% em outubro, informou o Federal Reserve (Fed). O resultado de novembro ficou levemente acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de elevação de 0,1% na comparação com outubro.
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Já o índice de confiança do consumidor nos Estados Unidos elaborado pelo Conference Board caiu para 89,1 em dezembro, ante 92,9 em novembro, segundo pesquisa divulgada pela instituição nesta terça-feira. Analistas consultados pela FactSet esperavam queda a 91,5.
É esperada para hoje também a ata da reunião do Banco do Japão (BoJ), prevista para ser divulgada à noite.
Esses e outros dados do dia ficaram no radar de investidores e impactaram as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Denise Abarca, Luciana Xavier, Sandra Manfrini e Paula Dias, do Broadcast