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Colunista

Dividendos em 2026: ranking mostra o que os números de hoje sugerem e o que eles não garantem

Levantamento mostra as ações listadas na B3 que apresentam potencial de distribuição relevante de dividendos neste ano

Por Einar Rivero

01/01/2026 | 5:30 Atualização: 31/12/2025 | 8:52

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  (Foto: Adobe Stock)
(Foto: Adobe Stock)

A temporada de balanços e comunicados de proventos de 2025 deixou um rastro de números robustos, o que naturalmente desperta a atenção de quem acompanha o mercado acionário brasileiro. A partir desse conjunto de informações, um levantamento quantitativo buscou identificar ações listadas na B3 que, à luz dos dados atuais, apresentam potencial de distribuição relevante de dividendos em 2026. (Veja os detalhes da metodologia no fim do texto)

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Há um aspecto conceitual fundamental que permeia toda a análise: quanto maior a valorização da ação, menor tende a ser o dividend yield projetado, dado que o preço do papel sobe mais rápido do que os proventos distribuídos. Ainda assim, os números de 2025 chamam atenção.

Das 34 ações que compõem a amostra, 28 registraram rentabilidade superior a 10% no ano, considerando o reinvestimento dos dividendos e JCPs informados à B3. Esse dado confere um duplo destaque ao grupo: além da valorização expressiva das cotações, os papéis mantiveram um patamar elevado de distribuição de proventos, o que sustenta, do ponto de vista estatístico, a projeção de dividend yield para 2026.

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No entanto, essa leitura exige cautela. O último trimestre de 2025 concentrou volumes elevados de dividendos e JCPs, em grande parte como resposta à nova tributação anunciada pelo governo, que passará a incidir a partir de 2026. Como consequência, muitas empresas anteciparam pagamentos que, em condições normais, poderiam ter sido realizados ao longo do próximo exercício. Dos 34 papéis analisados, 24 registraram distribuições mais relevantes no quarto trimestre de 2025 quando comparadas aos três trimestres anteriores.

Esse movimento, embora legítimo, pode funcionar como um limitador para a capacidade de distribuição em 2026, justamente porque parte do caixa já foi consumida antecipadamente.

Quais são as empresas da amostra

A composição setorial ajuda a entender o perfil do levantamento. O grupo é liderado pelas incorporadoras, com seis ações, seguidas pelos bancos, com cinco papéis. Na sequência aparecem serviços médico-hospitalares e exploração, refino e distribuição, com três ações cada. Outros quatro setores contam com duas empresas na amostra, enquanto nove segmentos aparecem com apenas um representante. Essa diversidade setorial reduz o risco de uma leitura excessivamente concentrada, mas também evidencia que o potencial de dividendos não está restrito a um único tipo de negócio.

As maiores projeções, e os maiores cuidados

No topo da lista, cinco ações apresentam dividend yield projetado superior a 15% em 2026. Coincidentemente, ou não, todas elas informaram volumes elevados de dividendos e JCPs no quarto trimestre de 2025, o que pode sinalizar antecipação de proventos originalmente associados ao exercício seguinte. A liderança fica com a Vulcabras (VULC3), cujo DY projetado para 2026 alcança 27,20%.

O número impressiona, mas precisa ser contextualizado: em 2025, o dividend yield efetivo foi de 35,12%, o maior dos últimos cinco anos, enquanto a mediana histórica é de 7,49%. A discrepância sugere que parte relevante desse resultado decorre de dividendos extraordinários, o que reduz a probabilidade de repetição em magnitude semelhante.

Na segunda posição aparece a Unipar (UNIP6), com DY projetado de 21,54%, frente a uma mediana de 14,60% nos últimos cinco anos, também acompanhada de pagamentos expressivos no quarto trimestre de 2025. A Direcional (DIRR3) surge em terceiro lugar, com 18,70% projetados, ante mediana de 9,20%. Em seguida vêm Bradespar (BRAP4), com 16,47%, e Log Commercial Properties (LOGG3), com 16,38%.

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Em todos os casos, o mesmo alerta se impõe: o dividend yield projetado só se materializa se as políticas de distribuição em 2026 forem iguais ou mais generosas do que as de 2025, e se os pagamentos extraordinários não tiverem consumido parte relevante do potencial futuro.

Ao todo, 20 ações exibem DY projetado acima de 10%, enquanto 14 ficam abaixo desse patamar, ainda que todas superem o piso mínimo de 6% estabelecido nas premissas.

Uma fotografia quantitativa, não um mapa definitivo

O retrato que emerge do levantamento é claro: há, em termos estritamente quantitativos, um conjunto amplo de ações com potencial para apresentar dividend yields relevantes em 2026. No entanto, a leitura dos dados também indica que parte significativa desse potencial pode não se concretizar, especialmente em função da antecipação de proventos realizada no quarto trimestre de 2025, motivada pela mudança na tributação de dividendos e JCPs.

Em outras palavras, os números sugerem oportunidades estatísticas, mas não oferecem garantias. O mercado, como sempre, tende a separar o que foi excepcional do que é recorrente.

Ações com potencial de distribuição de dividendos em 2026
Empresa Ticker Lucro liquido R$ Milhões Dividend Yield %
2024 2025               (9 meses) % Lucro 2025 vs 2024 Realizado em 2025 Projetado 2026
Vulcabras VULC3 570 1.007 76,62 35,12 27,20
Unipar UNIP6 556 494 -11,13 26,11 21,54
Direcional DIRR3 638 578 -9,47 29,77 18,70
Bradespar BRAP4 1.192 1.216 2,02 19,76 16,47
Log Com Prop LOGG3 343 285 -17,14 22,01 16,38
Itausa ITSA4 14.778 12.187 -17,53 19,91 14,75
Cury S/A CURY3 650 705 8,56 25,99 14,08
Lavvi LAVV3 343 309 -9,66 27,57 12,92
Cyrela Realt CYRE3 1.649 1.325 -19,68 22,41 12,83
ItauUnibanco ITUB3 40.231 33.733 -16,15 18,75 12,24
Tim TIMS3 3.154 2.981 -5,49 17,35 11,77
BBSeguridade BBSE3 8.703 6.715 -22,85 11,76 11,77
ItauUnibanco ITUB4 40.231 33.733 -16,15 16,41 11,34
Fleury FLRY3 616 517 -16,18 13,88 11,17
Vale VALE3 31.592 34.862 10,35 13,97 10,59
Petrobras PETR4 36.606 94.566 158,33 9,01 10,58
Rede D Or RDOR3 3.847 3.516 -8,60 16,89 10,57
Banrisul BRSR6 916 947 3,49 15,72 10,52
Bradesco BBDC3 19.086 18.074 -5,30 15,16 10,08
Petrobras PETR3 36.606 94.566 158,33 8,27 10,01
Azzas 2154 AZZA3 342 820 140,08 8,37 9,84
Even EVEN3 42 193 357,92 14,28 9,84
Bradesco BBDC4 19.086 18.074 -5,30 15,36 9,51
SLC Agricola SLCE3 509 611 20,02 8,30 9,05
Klabin S/A KLBN11 1.831 1.510 -17,55 7,31 8,96
Klabin S/A KLBN4 1.831 1.510 -17,55 7,39 8,94
Eztec EZTC3 405 417 3,18 14,35 8,90
Odontoprev ODPV3 539 460 -14,72 8,86 8,59
Ultrapar UGPA3 2.363 2.130 -9,83 11,02 8,37
Ambev S/A ABEV3 14.437 11.157 -22,72 9,49 8,04
Metal Leve LEVE3 541 473 -12,70 9,91 7,98
Movida MOVI3 231 216 -6,68 21,92 7,95
Porto Seguro PSSA3 2.645 2.542 -3,88 8,34 6,23
Lojas Renner LREN3 1.197 905 -24,38 6,92 6,23

 

Nota metodológica e de responsabilidade

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Este levantamento tem caráter exclusivamente quantitativo, baseado em dados públicos de resultados, proventos informados à B3, histórico de dividend yield e premissas estatísticas. Não se trata de recomendação de investimento. A efetivação de qualquer decisão de alocação exige análises complementares, incluindo avaliações fundamentalistas, gráficas, setoriais e de cenário macroeconômico, além da consideração do perfil e dos objetivos de cada investidor. Para isso, é recomendável a consulta a profissionais habilitados do mercado financeiro.

O ponto de partida foi estritamente numérico. O estudo considera apenas empresas que apresentaram lucro tanto em 2024 quanto em 2025, sendo que o lucro acumulado até o terceiro trimestre de 2025 corresponde a, pelo menos, 75% do resultado obtido em todo o ano anterior. Além disso, entram na amostra apenas companhias que efetivamente distribuíram dividendos ou juros sobre capital próprio (JCP) em 2025, que exibiram liquidez mínima, com volume financeiro médio diário superior a R$ 5 milhões ao longo do ano, e que apresentam dividend yield (DY) projetado para 2026 de pelo menos 6%.

Com esse filtro, ficaram de fora empresas que, embora tenham histórico de distribuição, caminham para encerrar 2025 com lucro inferior ao de 2024. O levantamento também assume, como hipótese técnica, a manutenção das políticas de distribuição de proventos em 2026, tanto em termos de payout quanto de frequência, uma premissa relevante, mas que, como se verá, carrega limitações importantes.

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