Agenda macroeconômica que pode dar pistas sobre trajetória de juros no Brasil e no exterior ganha destaque no Ibovespa hoje. (Foto: Adobe Stock)
O Ibovespa hoje reduziu ritmo de queda, recuperando o nível dos 163 mil pontos. Por volta das 12h20 (de Brasília), o índice recuava 0,10%, aos 163.217 pontos, nesta segunda-feira (12). As atenções do mercado estão voltadas para a ameaça de uma acusação criminal contra o presidente Jerome Powell do Federal Reserve (Fed, o banco central americano). No cenário local, os investidores repercutem dados de atividade e o Boletim Focus.
A aceleração no ritmo de alta das ações ligadas ao minério de ferro (0,92%) ajuda a reduzir a queda do principal índice da B3. Além disso, a diminuição da desvalorização das bolsas de Nova York e de papéis de grandes bancos contribuíam para o movimento menos negativo do Ibovespa.
Outra influência vinha das ações da Petrobras (PETR3; PETR4), que iam para o campo positivo, a despeito da queda do petróleo (0,52% no barril do tipo WTI). Os papéis da estatal subiam 0,53% (PN) e 0,85% (ON). Já a Vale (VALE3) avançava 0,76%, com Usiminas (USIM5) liderando ganhos (1,07%) do setor metálico. No caso de grandes bancos, o maior recuo agora era de 0,53% (Unit de Santander), após declínio perto de 1%.
A cautela no exterior decorre da intimação da Justiça contra o presidente do Fed, Jerome Powell. A ação seria parte de uma campanha contínua do governo Donald Trump contra sua gestão, disse Powell, que não tem cedido às pressões por cortes mais intensos de juros. O caso reacende o temor de perda de autonomia do Fed. O dólar hoje recua no exterior, mas beira estabilidade ante o real, a R$ 5,36 na venda.
A agenda no Brasil também pode influenciar os ativos, com dados de atividade no radar, como o IBC-Br de novembro e dados de varejo. Além disso, o mercado digere a avaliação de auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), que constatou que o Banco Central agiu corretamente em todos os passos que levaram à liquidação do Master, decretada no dia 18 de novembro. Hoje integrantes do BC vão se reunir com o TCU para discutir o caso do Master.
“Por aqui, os ruídos envolvendo o caso Master seguem monitorados, mas com avanços na margem mais favoráveis à decisão técnica do BC de liquidar a instituição”, diz em nota Silvio Campos Neto, economista sênior e sócio da Tendências Consultoria.
Nesta manhã, o Banco Central divulgou o boletim Focus, que não trouxe grandes alterações. A mediana das expectativa do mercado para a inflação em 2026 passou de 4,06% para 4,05%, abaixo do teto da meta (4,5%). A previsão para a taxa de juros, a Selic, para o final deste ano, seguiu em 12,25%.
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Já a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) registrou alta de 0,28% na primeira prévia de janeiro, acelerando em relação à variação de 0,15% registrada em igual leitura de dezembro. E o IPC da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) de São Paulo, acelerou o ritmo de alta para 0,39% na primeira quadrissemana de janeiro, após 0,32% no fim de dezembro de 2025.
Ibovespa hoje: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (12)
Bolsas globais mostram cautela após acusação contra Powell do Fed
Os índices de Nova York estão em queda firme após o Fed receber uma intimação do Departamento de Justiça com ameaça de uma acusação criminal contra o presidente Jerome Powell.
A ação seria parte de uma campanha contínua do governo Donald Trump contra sua gestão, disse Powell, que não tem cedido às pressões por cortes mais intensos de juros. O caso reacende o temor de perda de autonomia do Fed.
Com isso, os metais preciosos — ouro, prata e cobre — operam em forte alta, alcançando novos patamares históricos. No cenário de tensões geopolíticas, o Irã elevou o tom contra os EUA e Israel em meio à escalada de protestos nacionais. Líderes dos cinco partidos da Groenlândia emitiram um comunicado reafirmando a soberania da ilha.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à Reuters que sanções adicionais à Venezuela poderiam ser suspensas já nesta semana para facilitar as vendas de petróleo. Na sexta-feira, o presidente Donald Trump defendeu um limite de 10% nas taxas de juros dos cartões de crédito por um ano, o que pesa nas operadoras e no setor financeiro.
Focus reduz projeção do IPCA em 2026 e mantém Selic estável
O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (12), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic.
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A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 oscilou de 4,06% para 4,05%. A taxa está 0,45 ponto porcentual abaixo do teto da meta, de 4,50%. Há um mês, era de 4,10%.
No último Relatório de Política Monetária (RPM), o BC reafirmou seu compromisso com a convergência da inflação ao centro da meta, de 3%.
“O reenquadramento da inflação dentro dos limites estabelecidos para a faixa de tolerância é uma etapa natural do processo de convergência à meta”, diz o texto.
Já a mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Há um mês, estava em 12,13%. Considerando apenas as 52 estimativas atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a mediana seguiu em 12%.
O que mais repercute no Ibovespa hoje
O mercado pode reagir bem à notícia de que auditores do Tribunal de Contas da União (TCU) constataram que o Banco Central agiu corretamente em todos os passos que levaram à liquidação do Master, decretada no dia 18 de novembro.
A reunião de integrantes do BC com o TCU fica no radar. O ministro do TCU Jhonatan de Jesus, relator do processo do Banco Master, indicou R$ 42 milhões em emendas parlamentares para Roraima que se transformaram em obras inacabadas e asfalto de má qualidade.
O mercado segue repercutindo o histórico acordo entre Mercosul e União Europeia, fechado na sexta-feira (9). O agronegócio brasileiro deve obter melhores condições tarifárias para acesso ao seu segundo maior destino, avalia o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.
Agenda econômica da semana
A agenda é robusta dentro e fora do Brasil, com o início da temporada de balanços nos Estados Unidos, CPI (inflação) e Livro Bege. No cenário local, a pauta semanal traz pesquisa de serviços, vendas no varejo e IBC-Br.
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Ainda na agenda econômica, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reúne-se com o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), ministro Vital do Rêgo Filho, para tratar da liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro do ano passado pelo BC.
Nesta segunda-feira (12), são esperados o IGP-M do primeiro decêndio de janeiro e o Boletim Focus. Lá fora, o dia terá os discursos do presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic; do presidente do Fed de Richmond, Tom Barkin; e do presidente do Fed de Nova York, John Williams.
Na agenda internacional, o destaque da semana será o CPI dos Estados Unidos, na terça-feira (13), que deve orientar as apostas sobre o início dos cortes de juros pelo Federal Reserve. Na quarta-feira (14), a China apresenta a balança comercial de dezembro, e os EUA divulgam o Índice de Preços ao Produtor (PPI) e as vendas no varejo, além do Livro Bege do Fed.
Na quinta-feira (15), saem a produção industrial do Reino Unido, o Produto Interno Bruto (PIB) da Alemanha de 2025 e os dados de balança comercial e produção industrial da zona do euro. Na sexta-feira (16), serão conhecidos o CPI da Alemanha e a produção industrial dos Estados Unidos.
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Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Luciana Xavier e Maria Regina Silva, do Broadcast