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Investimentos

O gatilho que pode fazer Dasa (DASA3) subir mais após a alta de 178% no final de 2025

Companhia entra em fase de consolidação em 2026, depois de forte alta. Vale a pena investir no papel?

Por Leo Guimarães

26/01/2026 | 9:52 Atualização: 26/01/2026 | 14:01

Resultado do quatro trimestre poderá confirmar tendência de Dasa. Mercado vai ficar de olho na margem Ebitda. Foto: AdobeStock
Resultado do quatro trimestre poderá confirmar tendência de Dasa. Mercado vai ficar de olho na margem Ebitda. Foto: AdobeStock

A partir de novembro os papéis da Dasa (DASA3) tiveram um crescimento vertical que no auge, em 26 de dezembro, bateu 178% de valorização, a R$ 4,60. Foi uma reação ao forte resultado do 3T25, com expansão das margens bruta e Ebitda (operacional), depois de inúmeros trimestres de prejuízo. Esse movimento foi visto como os primeiros efeitos da joint venture com a Amil, efetivada em abril, operadora de planos de saúde.

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Seria esse o início de um caso bem-sucedido de turnaround Dasa com espaço para novos foguetes em 2026, ou a virada já está devidamente precificada e, portanto, sem espaço para novas valorizações?

“Quando há um crescimento muito vertical, a gente tem a teoria de que isso [o valor] estava represado ou que [o mercado] está antecipando um potencial muito maior. Só que, como a DASA3 já está lateralizando, eu prefiro aguardar para ver se a tendência se confirma”, observa Willian Bertan, analista que cobre o papel pelo Banco do Brasil. “Nesse momento, a gente considera que essa alta corrigiu o potencial”, diz. Na sexta (23) as ações da Dasa fecharam a R$ 4,52, alta de 5,36% – em janeiro recua 0,44%.

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Para o mercado, o fato de a Dasa estar mais focada em arrumar a casa do que buscar novas aquisições já soa como um bom sinal. Além disso, a empresa tem um gatilho que pode fazer a ação voltar a andar já que é vista como alvo de aquisições.

A super-valorização do papel, inclusive, aconteceu após as negociações entre Rede D’Or  (RDOR3) e Fleury (FLRY3) falharem em outubro por divergências de preço.  “A Dasa possivelmente está sendo abordada por alguns compradores. O grupo Fleury é  benchmark em diagnósticos, mas o número 2 é a Dasa”, observa Harold Takahashi, partner da Fortezza Partners, assessoria focada em fusões e aquisições.

Desinvestimentos e redução das dívidas

A ação da Dasa passou a andar de lado, na faixa abaixo de R$ 4, no finalzinho de dezembro, depois de anunciar a venda do Hospital São Domingos, no Maranhão, por R$ 1,2 bilhão. A compra foi feita pelo antigo grupo controlador que, em 2021, vendeu a operação à Dasa por um valor duas vezes maior, cerca de R$ 2,5 bilhões.

O São Domingos é uma das três operações que ficaram de fora do acordo com a Amil, além de outro hospital na Bahia e uma rede oncológica no Nordeste, que devem entrar na lista de desinvestimentos ao longo do ano.

Apesar de a negociação ter sido o estopim para o mercado realizar o forte lucro das últimas semanas, os analistas viram o negócio com bons olhos. Desinvestimentos deste tipo ajudam a diminuir o endividamento da empresa.

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“Mais importante, o R$ 1,2 bilhão representa aproximadamente uma redução de 20% na dívida líquida da companhia. Uma desalavancagem superior a 0,5 vez o Ebitda dos últimos 12 meses”, observam os analistas do BTG Pactual em relatório divulgado após o anúncio do negócio. Essa operação vai ter repercussão positiva nos resultados do 4T25.

O BTG mantém o preço-alvo de Dasa em R$ 2,50, com recomendação neutra. O Banco do Brasil precifica o papel em R$ 2, também com visão neutra, mas seu analista consegue ver valor acima disso.

“Não acho que vá devolver, que isso é um castelo de cartas que deverá desmoronar. Até aqui, o papel corrigiu dentro de um valor que está condizente, o mercado respondeu e manteve. Agora, se tem potencial maior, é a empresa que tem que mostrar”, avalia o analista.

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Ele diz que o preço-alvo do BB foi mantido porque é preciso observar novos resultados para atualizar o modelo calculado ao fim do terceiro trimestre de 2026. Neste sentido, o resultado do quatro trimestre – que será divulgado em março – poderá confirmar a tendência.

Margem Ebitda no centro da tese

Na visão de Bertan, o principal indicador que o mercado vai ficar de olho é a margem Ebitda, que saiu de 18,9% para 26,5% no último trimestre. Para se ter uma ideia, o Grupo Fleury, referência operacional no setor de diagnósticos, trabalha com uma margem Ebitda de 25%.

Conseguindo fechar o último trimestre de 2025 acima de 20%, a Dasa mostraria consistência. “Mantendo esse patamar fica mais interessante pensar que é algo mais constante na reestruturação”, comenta.

Essa é uma visão parecida com a análise do BTG. “Em um ambiente de juros reais elevados por mais tempo, a geração de caixa é o principal fator limitante para a criação de valor: só o caixa paga dividendos, financia recompras de ações e sustenta a desalavancagem.”

Operação com Amil deixou Dasa mais leve

Bertan explica que o acordo com a Amil foi positivo para a DASA3 porque segregou as atividades, deixando a companhia menos complexa, mais leve e focada no que é especialista, que é a parte de diagnósticos.

O negócio dividiu em 50% a participação e controle da Ímpar serviços Hospitalares com a Amil, que recebeu da Dasa 11 hospitais e outros 14 da Amil, totalizando uma rede de 4,4 mi leitos localizados em sua maioria na região Sudeste e Distrito federal.

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Além das operações, a Ímpar herdou uma dívida líquida de R$ 3,85 bilhões da Dasa, o que ajudou a reduzir bastante a despesa financeira da companhia. A empresa também se livrou de operações na Argentina que ajudavam a tirar o foco de seu negócio principal, o que também foi elogiado pelos analistas.

Antes da operação, a Dasa chegava a registrar uma dívida líquida perto de 6 vezes o seu Ebitda. Depois da parceria com a Amil,  essa relação baixou para menos de 3 vezes no terceiro trimestre de 2025.

O indicador dívida líquida/Ebitda mostra quantos anos a empresa levaria para pagar suas dívidas, usando apenas o lucro operacional (Ebitda) anual. “Apesar de ser ainda alto, é uma melhora”, observa Bertan. “Esse combo sempre foi promissor, mas existia um risco de execução”, pondera.

“O patamar ideal, para um prestador de serviços de saúde, seria uma alavancagem abaixo de duas vezes o Ebitda, algo que ainda deve levar tempo para ser alcançado. Mesmo assim, a empresa vem fazendo bem a lição de casa”, diz Harold Takahashi.

Investidor vai enfrentar volatilidade alta

Mesmo reconhecendo a melhora na tese de investimento, ele alerta que o investidor que apostar em  Dasa vai ter que se acostumar a muita volatilidade. As ações DASA3 têm baixa liquidez, com um movimento semanal na casa de R$ 53 milhões. “Qualquer soluço a ação corre para cima ou para baixo com muita facilidade”, diz.

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As grandes gestoras estão fora do papel. Soma-se a isso o fato de a Dasa ter uma distribuição muito concentrada, com apenas 10% das parcelas das ações em circulação no mercado (free float). Isso  aumenta ainda mais a  volatilidade.

Além de sangue frio, o investidor também precisará ter paciência. “Serão alguns trimestres ainda de consistência, de bons resultados para conseguir cravar que eles saíram do turnaround“, comenta Takahashi.

Outro ponto de atenção é a operação da joint venture com a Amil. Apesar da Ímpar casar a dívida com ativos de longo prazo, com 25 hospitais, 4,4 mil leitos, marcas premium que dão previsibilidade de caixa, forte barreira de entrada e potencial para crescimento de Ebitda acima do custo financeiro, há questões a serem organizadas. “Tudo isso leva de seis a oito trimestres para começar a dar resultados”, estima Takahashi.

Ele se refere a estruturas e custos compartilhados que precisam ser organizados, como o back office que lida com situações herdadas do passado, a exemplo de processos trabalhistas, sistemas de TI e outros serviços que não podem ser segregados de imediato. Resolver pendências de ordem prática demanda tempo.

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“O discurso é que já está totalmente separado (50/50), mas eu já fiz dezenas de fusões e sempre tem alguma alguma coisinha para resolver. Só estou dizendo que o discurso tem que ser acompanhado da prática.”

Setor de saúde enfrenta desafios do pós-pademia

Outro desafio para o investidor de Dasa é o setor. No pós-pandemia, principalmente no período de 2011-22, o segmento passou a ter uma taxa de utilização sem precedentes, com máximas históricas nos índices sinistralidade e pressão sobre capital de giro.

O segmento passou a se ajustar a partir de 2023, mas até o ano passado os prazos de pagamento ainda permaneciam piores do que no período pré-Covid, aponta o BTG em relatório. “Esse contexto ajuda a explicar por que o FCFE do setor de saúde entre 2023–25 foi volátil e altamente disperso”. O Fluxo de Caixa Livre do Acionista (FCFE) mostra o dinheiro que sobra da operação após o pagamento de despesas e investimentos.

O BTG observa que empresas de saúde  em processos de turnaround ou recomposição de balanço devem exibir um FCFE mais volátil e não recorrente, como Dasa, CM Hospitalar (VVEO3), Hypera (HYPE3) e Blau (BLAU3) que tem uma história de expansão intensiva em capital. “A dinâmica de caixa tende a continuar influenciada por fatores operacionais e financeiros legados, incluindo alavancagem, integração, normalização do capital de giro e capex e P&D elevados”, observa o banco.

Por outro lado, Takahashi acredita que o pior da reestruturação da Dasa já ficou para trás, com a separação dos hospitais, criação da JV e resultados recentes promissores. “Em um processo típico de turnaround, dá para dividir o caminho em começo, meio e fim. No primeiro terço, você já percebe se a empresa tem ou não condições de executar o plano. Na minha leitura, a Dasa já está no terceiro terço desse processo.”

Apesar de uma foto boa, o especialista diz que o cenário ainda exige cautela. “A alavancagem segue elevada e os juros continuam altos, o que limita uma reprecificação mais rápida do papel”, diz.

 

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