Investidores estrangeiros permanecem aportando na B3, o que tem garantido recordes ao principal indicador da Bolsa brasileira, ressalta Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria. “O fluxo de estrangeiros permanece forte, com saldo líquido acumulado de R$ 15,7 bilhões em janeiro até o dia 22”, completa em nota o sócio da consultoria.
A valorização do mercado futuro estende otimismo do último pregão quando o Ibovespa bateu novo recorde, aos 180 mil pontos, e teve a maior alta semanal desde 2020. O dólar, por sua vez, fechou perto da estabilidade, a R$ 5,28. Já nesta segunda-feira, a moeda americana recua 0,31%, a R$ 5,26 na venda.
Mesmo assim, o movimento defensivo no exterior pode afetar os ativos domésticos. Os futuros de Nova York caem à medida que aumentam as incertezas no cenário internacional com a possibilidade de uma nova paralisação do governo dos EUA, em meio a impasses orçamentários e tensões internas após a morte de um cidadão americano durante uma ação do Serviço de Imigração (ICE) em Minneapolis.
O mercado internacional também monitora a expectativa pela escolha do novo presidente do Federal Reserve e os receios sobre a autonomia do banco central, além de novas ameaças do presidente Donald Trump de impor tarifas de 100% ao Canadá caso o país avance em um acordo com a China. No Oriente Médio, alertas do Irã aos EUA e a operação de Israel em Gaza seguem no radar.
Nesse cenário, os preços do ouro disparam e superam a marca inédita de US$ 5.000 por onça-troy, enquanto a prata também avança, com investidores em busca de segurança.
Entre as commodities hoje, o minério de ferro fechou em queda de 0,95% na China, enquanto o petróleo retoma alta leve, em torno de 0,15%, e pode trazer algum alívio ao Índice Bovespa hoje.
Ibovespa futuro: os destaques do mercado de ações nesta segunda-feira (26)
Boletim Focus ajusta projeções de inflação antes do IPCA-15 e Copom
O boletim Focus do Banco Central (BC) atualizou, nesta segunda-feira (26), as previsões para os principais indicadores econômicos, incluindo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e taxa Selic. A agenda da semana será decisiva, com os números do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) e decisão de juros do Comitê de Política Monetária (Copom).
A mediana do relatório Focus para o IPCA de 2026 oscilou de 4,02% para 4,00%. A taxa está 0,50 ponto porcentual abaixo do teto da meta contínua de inflação, de 4,50%. A mediana do relatório Focus para a Selic no fim de 2026 permaneceu em 12,25%. Veja as projeções completas nesta matéria.
O que mais repercute no Ibovespa hoje
Há expectativa sobre se o comunicado do Copom deixará mais clara a possibilidade de início do ciclo de afrouxamento monetário em março. Embora a ampla maioria espere a Selic em 15% nesta semana, o BTG Pactual avalia que janeiro ainda seria viável para o início dos cortes. O resultado do IPCA-15 de janeiro, que será divulgado amanhã, também ajudará a balizar as apostas.
A resposta oficial do governo brasileiro — cuja tendência hoje é negativa — sobre a adesão ao Conselho da Paz lançado por Donald Trump deve demorar ao menos mais uma semana, segundo integrantes do governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Não há prazo definido para a decisão.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa futuro.
*Com informações de Luciana Xavier, Maria Regina Silva e Silvana Rocha, do Broadcast