Veja a operação nas bolsas de NY hoje
(Foto: Adobe Stock)
O Dow Jones e os demais índices das Bolsas de Nova York recuaram nesta sexta-feira (30) após a confirmação de que ex-diretor do Banco Central americano Kevin Warsh foi o escolhido por Donald Trump para comandar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano).
Investidores também estiveram de olho em Washington. Os líderes do Senado se mobilizaram para salvar um acordo bipartidário de gastos e evitar uma paralisação parcial do governo à meia-noite de sexta-feira, enquanto os democratas faziam exigências.
Na quinta-feira (29), os democratas fecharam um acordo raro com Trump para separar o financiamento do Departamento de Segurança Interna de um amplo projeto de lei de gastos do governo e financiá-lo por duas semanas, segundo a Associated Press.
Os juros dos Treasuries (títulos da dívida estadunidense) fecharam sem sinal único. No câmbio, o dólar hoje subiu ante pares principais.
Dow Jones hoje: os destaques do mercado de ações nesta sexta-feira (30)
Trump indica nome para presidência do Fed
O presidente dos EUA, Donald Trump, indicou Kevin Warsh, ex-diretor do Federal Reserve, para suceder o presidente do BC americano, Jerome Powell, em postagem na Truth Social nesta sexta-feira.
Na publicação, Trump destacou a trajetória profissional relevante de Warsh, incluindo o trabalho no próprio Fed. “Conheço Kevin há muito tempo e não tenho dúvidas de que ele será lembrado como um dos GRANDES presidentes do Fed, talvez o melhor. Além de tudo isso, ele é o candidato perfeito para o cargo e nunca decepciona. Parabéns, Kevin!”, escreveu.
Warsh era conhecido por defender políticas restritivas, embora tenha se alinhado mais com Trump, que tem defendido repetidamente a redução das taxas de juros.
“Vejo os mercados reagindo principalmente à indicação de Kevin Warsh para a presidência do Fed. Podemos ver uma reprecificação de vários ativos, ele é mais hawkish (duro), e uma pausa no processo de rotação para emergentes”, avalia Bruno Takeo, estrategista da Potenza Capital.
Já o estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, ressalta que o indicado à presidência do Fed, caso seja aprovado para o cargo, não será disruptivo por ser um antigo dirigente do banco central norte-americano. Em sua visão, ele deve ficar extremamente alinhado a Trump e chegar pedindo cortes mais rápidos nos juros dos EUA.
“A tendência é que Kevin Warsh chegue pedindo taxas abaixo de 3% no segundo semestre, indo a 2,5% ou 2,75%”, diz Cruz. Hoje, as taxas estão entre 3,50% e 3,75%.
O que mais repercutiu no mercado americano hoje
Repercutiram também dados do índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, medido pelo Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) de Chicago, que avançou de 42,7 em dezembro a 54 em janeiro, informou hoje a instituição. O resultado veio bem acima da previsão de analistas consultados pela FactSet, de 44.
Após o anúncio, o mercado atribuía a junho probabilidade de 64% de cortes de juros em algum nível, com chance maior de uma redução de 25 pontos-base (48,5%). Antes do dado, as estimativas eram de 67,4% e 47,6%, respectivamente. Já a hipótese de manutenção da taxa na quarta reunião de 2026 ganhou ligeira força, passando de 33,9% para 34,6%.
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Ações da Apple (AAPL34) fecharam em alta de 0,43% em reação ao balanço divulgado ontem diante das apreensões sobre aumento de custos. A empresa superou as expectativas de lucro no trimestre fiscal até dezembro, diante do aumento significativo nas vendas do iPhone.
Veja o desempenho de Nova York hoje
No fechamento, o Dow Jones cedeu 0,36%, o S&P 500 recuou 0,43% e o Nasdaq perdeu 0,94%. O índice DXY subiu 0,89%, a 97,143 pontos. Wall Street também analisou os balanços da Chevron e da Exxon Mobil, cujas ações avançaram 3,34% e 0,63%, respectivamente. Os papéis da Visa, por sua vez, tombaram 3%.
*Com informações de Maria Regina Silva, Luciana Xavier e Silvana Rocha, do Broadcast