No exterior, o relatório ADP de empregos no setor privado dos EUA e os Índice de Gerentes de Compras (PMIs) de serviços de janeiro devem dividir o protagonismo internacional ao longo desta quarta-feira (4) com incertezas geopolíticas e balanços de bancos europeus e empresas de tecnologia americanas, como a Alphabet.
Em solo brasileiro, começa a temporada de resultados do quarto trimestre e do ano de 2025 com a repercussão dos números do Santander, que divulgou seu balanço há pouco (leia AQUI) e expectativas por Itaú Unibanco, após o fechamento dos mercados.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lança o Pacto Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio e participa de confraternização informal com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários. Esses e outros movimentos moldam o cenário deste pregão e podem influenciar o Índice Bovespa.
Na sessão anterior, de terça-feira (3), o Ibovespa renovou recordes e fechou em alta de 1,58%, aos 185.674,43 pontos, maior nível de encerramento da história do índice, após alcançar máxima intradiária de 187.333 pontos. O desempenho positivo foi sustentado pela leitura favorável da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reforçou a sinalização de início do ciclo de cortes da taxa Selic a partir de março, além da valorização do petróleo no mercado internacional.
Ibovespa hoje: os principais destaques do mercado de ações nesta quarta-feira (4)
Bolsas globais avançam
Os índices futuros em Nova York operam perto da estabilidade após o fim da paralisação parcial nos EUA, sancionado pelo presidente Donald Trump, que pode destravar as divulgações de dados, como o relatório de empregos payroll na sexta-feira, embora ainda sem confirmação.
Pela manhã, no mercado futuro, o Dow Jones subia 0,22%, o S&P 500 avançava 0,21% e o Nasdaq ganhava 0,10%.
O dólar, por sua vez, recua. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis rivais fortes, tinha queda de 0,07%, a 97,378 pontos.
Na Europa, as bolsas sobem na maioria com balanços, apesar da queda de mais de 4% do Santander após acordo para compra do Webster Financial e divulgação de resultado.
Durante esta manhã, o índice pan-europeu Stoxx 600 subia 0,18%, a 619,03 pontos. A Bolsa de Londres subia 0,95%, a de Paris apontava avanço de 0,85% e a de Frankfurt recuava 0,13%. O mercado de Milão tinha alta de 0,80% e o de Lisboa ganhava 0,68%. Madri apresentava variação de 0,03%.
As bolsas da Ásia, por sua vez, fecharam com desempenhos distintos, com perdas em Tóquio. As ações da Nintendo desabaram 11% com projeções que decepcionaram os analistas.
Commodities
No mercado de commodities, os estoques semanais de petróleo divulgados pela Administração de Informação de Energia (EIA) devem influenciar os preços do barril, enquanto dados sobre investimentos estrangeiros no Japão completam o quadro de referências globais.
Pela manhã, o petróleo WTI para março negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex) subia 0,28%, a US$ 63,39 o barril. Já o Brent para abril, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), avançava 0,19%, a US$ 67,46 o barril.
O contrato mais negociado do minério de ferro no mercado futuro da Dalian Commodity Exchange, para maio de 2026, fechou em queda de 0,32%, cotado a 781,5 yuans por tonelada, o equivalente a US$ 112,63. O segundo contrato mais negociado, para setembro de 2026, terminou o pregão em queda de 0,46%, a 764,5 yuans, o equivalente a US$ 110,18 por tonelada.
O que mais esperar do principal índice da B3
O Ibovespa pode ter desempenho contido pelo exterior e a repercussão do balanço do Santander Brasil deve movimentar também o pregão. A filial do banco espanhol reportou lucro líquido recorrente de R$ 4,1 bilhões no 4º trimestre de 2025, alta de 6% em um ano e em linha com as previsões, mas o aumento da inadimplência entre clientes pode limitar a reação das ações.
No exterior, o EWZ, principal ETF (fundo de investimento negociado na Bolsa de Valores como se fosse uma ação) do Brasil em Nova York, mostrava viés positivo, refletindo a forte recuperação recente do mercado local, o fluxo estrangeiro e a expectativa de início dos cortes da Selic em março, após o índice renovar máximas históricas com dólar mais fraco e commodities firmes.
Investidores monitoram ainda a pauta de aumento de gastos aprovada pelo Congresso. No campo político e comercial, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), presidente da Representação Brasileira no Parlasul, deve convocar reunião para analisar o acordo Mercosul-União Europeia, cuja votação, segundo o vice-presidente e ministro Geraldo Alckmin, deve ocorrer no fim de fevereiro.
Esses e outros dados do dia ficam no radar de investidores e podem impactar as negociações na bolsa de valores brasileira, influenciando o índice Ibovespa hoje.
*Com informações de Patrícia Lara, Cecília Mayrink, Silvana Rocha e Luciana Xavier, da Broadcast