Na manhã desta segunda-feira (9), o ativo digital estava negociado a US$ 69,9 mil, ao acumular uma queda de 3,1% nas últimas 24h, segundo dados da CoinMarketCap. Já na última semana, o BTC atingiu a mínima de US$ 61 mil.
Segundo Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil, com esses níveis de preço, a operação tende a ficar insustentável, especialmente para os médios e pequenos mineradores. “Com energia mais cara ou máquinas antigas, tendem a desligar rigs (sistema de hardware especial) e podem vender reservas, enquanto os grandes, capitalizados, podem até ganhar mais espaço no mercado nesse cenário”, diz Prado.
Com esse cenário, os mineradores são obrigados a vender parte das suas reservas de bitcoin, aumento a oferta de ativos no mercado à vista. “Analistas e bancos já demonstraram preocupação com um eventual “efeito dominó” nas operações de mineradores menores, que eventualmente pode derrubar ainda mais o preço do bitcoin”, acrescenta o especialista.
A situação também pesa sobre as ações das grandes mineradoras. Desde outubro do ano passado, quando o bitcoin deu início ao seu ciclo de baixa após renovar a sua máxima histórica, os papéis da MARA Holdings (MARA), CleanSpark (CLSK) e Iren LTD (Iren) acumulam perdas de 55%, 30% e 11%, respectivamente, no período.
Como mostramos nesta reportagem, o cenário macroeconômico adverso tem sido o principal fator para a depreciação acentuada do bitcoin nas últimas semanas. Em janeiro, o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) interrompeu o ciclo de corte de juros e decidiu manter as taxas inalteradas entre 3,50% e 3,75%. A autoridade monetária ainda descartou a possibilidade de uma retomada dos cortes no curto prazo.
Com a perspectiva de juros elevados por um período ainda indeterminado, os títulos do governo continuam a oferecer retornos mais atrativos, enquanto ativos mais voláteis, como o bitcoin, tendem a perder espaço nos portfólios. Além do aperto monetário, o aumento das tensões geopolíticas também tem pesado sobre o desempenho da criptomoeda.
Esse ambiente ficou ainda mais desafiador com a crescente preocupação dos investidores com as ações ligadas à Inteligência Artificial (IA). O mercado tem acompanhado de perto se os elevados gastos das big techs para o desenvolvimento de tecnologias de IA estão, de fato, gerando retorno.
Diante da ausência de catalisadores capazes de reverter o atual quadro de aversão ao risco, analistas não descartam novas quedas no curto prazo. Para André Franco, CEO da Boost Research, o bitcoin pode recuar até a faixa dos US$ 50 mil caso esse pessimismo persista. Já para o fim de 2026, a expectativa é de recuperação parcial dos preços. “Para o fim do ano, vejo o bitcoin acima dos US$ 70 mil”, diz Franco.