Mosseri, que lidera o Instagram desde 2016, afirmou em depoimento que recebe cerca de US$ 900 mil por ano, além de bônus anuais atrelados ao desempenho que podem chegar a até metade do seu salário, segundo diversos veículos que acompanham o julgamento. Ele também recebe remuneração baseada em ações (stock-based compensation), cujo valor varia a cada ano, mas que já superou US$ 20 milhões em alguns anos, segundo ele.
A remuneração do executivo entrou em pauta quando o advogado de KGM, Mark Lanier, questionou se haveria relação entre sua compensação e as decisões voltadas ao crescimento da plataforma e se estimular o uso compulsivo das redes sociais poderia ser incentivado financeiramente.
Lanier também mencionou uma declaração anterior de Mosseri, em um podcast, na qual ele teria se referido às qualidades “viciantes” do Instagram, embora não tenha ficado claro a qual programa ele se referia. Mosseri afirmou que provavelmente usou o termo “de maneira casual”, como as pessoas costumam fazer.
Ele negou enfaticamente que o Instagram seja viciante ou que direcione seus produtos a adolescentes para maximizar lucros. Segundo Mosseri, a empresa ganha menos dinheiro com o público adolescente do que com outras faixas etárias, já que os jovens, em geral, não têm renda própria disponível para consumo. Mosseri afirmou ainda que existe uma diferença importante entre “dependência clínica” e uso “problemático”, ressaltando repetidamente que não é profissional da área médica.
“Eu acredito que proteger menores de idade, no longo prazo, é positivo para o lucro e para o negócio”, disse Mosseri ao ser questionado pelos advogados da Meta. Mas esse não foi o único ponto sensível de seu depoimento.
Documentos internos expostos
Durante a audiência, Lanier exibiu documentos internos produzidos por executivos da Meta que indicariam que a empresa tinha conhecimento de que filtros poderiam ser prejudiciais para jovens mulheres, mas que removê-los poderia torná-la menos competitiva, segundo reportagem da CNN.
“Estamos falando de incentivar meninas jovens à dismorfia corporal”, dizia um e-mail de um executivo da Meta. Em outra mensagem, um executivo afirmou que banir filtros “limitaria nossa capacidade de competir em mercados asiáticos (incluindo a Índia)”.
Mosseri declarou que o Instagram inicialmente decidiu proibir todos os filtros que distorcem rostos, mas que posteriormente reviu essa decisão. O advogado da autora da ação perguntou se a proibição de filtros que alteram a aparência dos usuários poderia ter impacto no resultado financeiro da companhia.
“Nunca me preocupei com isso afetando o preço das nossas ações”, respondeu Mosseri, rebatendo a ideia de que sua remuneração estivesse ligada a escolhas de design de produto potencialmente prejudiciais aos usuários.
Os documentos enviados pela Meta à SEC (a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos) detalham a remuneração apenas de executivos formalmente nomeados, como o CEO Mark Zuckerberg e um pequeno grupo de dirigentes do alto escalão. Mosseri normalmente não aparece nessa lista, o que significa que sua remuneração anual não é discriminada nos mesmos moldes que a do CEO, tornando seu depoimento a visão mais detalhada até agora sobre sua compensação.
A Meta não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Fortune sobre o julgamento e a remuneração de Mosseri. O depoimento do executivo antecipa o que deve ocorrer na próxima semana, quando o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, é esperado para prestar depoimento.
Esta história foi originalmente apresentada em Fortune.com e foi traduzido com o auxílio de ferramentas de inteligência artificial e revisado por nossa equipe editorial. Saiba mais em nossa Política de IA.