Mulheres já representam 26% do total de investidores na B3. Foto: Adobe Stock
A B3 acaba de disponibilizar um novo curso gratuito para mulheres que desejam compreender melhor o universo de investimentos. Na masterclass “Eu, Investidora”, a economista e fundadora da NoFront Empoderamento Financeiro, Gabriela Chaves, compartilha sua jornada e mostra como construir uma relação mais consciente com as finanças. O conteúdo está disponível na plataforma on-line de educação da Bolsa brasileira, que oferece mais de 130 cursos gratuitos.
Os dados mais recentes, de fevereiro de 2026, apontam que 1,48 milhão de mulheres possuíam posição na Bolsa, em um universo de 5,56 milhões de investidores. O número mostra um crescimento de 8% das investidoras em relação ao mesmo período de 2025. Traçando um comparativo mais longo, nos últimos cinco anos, a presença feminina no mercado de renda variável – que inclui ações, fundos imobiliários, ETFs (fundos de índice) e Brazilian Depositary Receipts (BDRs) – aumentou 83,4%.
“Cuidar do próprio dinheiro é investir no futuro que se quer construir. Isso requer organização, informação e, principalmente, ação. Queremos ajudar mulheres a se apropriarem do tema das finanças para que elas se sintam mais seguras em suas escolhas e tomadas de decisões financeiras”, afirma Maria Luiza Limeres, gerente de educação da B3.
Na masterclass, Gabriela Chaves compartilha sua trajetória pessoal com o dinheiro: das dívidas acumuladas na época da faculdade de economia à conquista de uma viagem à África do Sul, um sonho realizado. A partir dessa vivência, ela explica como melhorou sua relação com as finanças até transformar o tema em propósito profissional. Hoje a economista lidera uma empresa voltada à ampliação do acesso ao mercado financeiro e ao diálogo com grupos sub-representados.
Durante as aulas, divididas em quatro vídeos e uma revista digital, Chaves dá dicas para que a investidora iniciante comece a organizar sua vida financeira por meio de cinco “caixinhas”: a reserva de emergência, a aposentadoria e as caixinhas de investimento de curto, médio e longo prazo.
O primeiro passo é começar a construir a reserva de emergência, aportando dinheiro em uma aplicação segura e de fácil acesso. Ao pensar na aposentadoria, a investidora já pode testar outros produtos e estratégias que não exijam liquidez. Quando se trata das outras três “caixinhas”, vale pensar nos investimentos que ajudem a realizar sonhos e metas.
Chaves esclarece as diferenças entre os conceitos de poupar e investir. O primeiro está ligado à organização de recursos para momentos de escassez. O segundo ainda precisa ser desmistificado pela sociedade, com a desconstrução da ideia de que “investir é coisa de rico”. Segundo ela, investir consiste em colocar o dinheiro para trabalhar no tempo e preservar o poder de compra.
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Na masterclass, a economista também explica as definições de inflação e juros, que impactam o bolso e, por isso, são conhecimentos indispensáveis para quem quer tomar decisões financeiras mais assertivas. Chaves usa a feira de rua como uma figura de linguagem para exemplificar o mercado de capitais. Cada barraca, metáfora para instituição financeira, vende diferentes produtos e é preciso entender cada um deles antes de escolher o mais adequado ao paladar – ou ao bolso.
O curso ainda aprofunda a discussão sobre a cultura de empreendedorismo da mulher brasileira e os riscos que ela pode trazer caso não seja acompanhada de sustentabilidade financeira. Chaves explica que a necessidade do cuidado faz com que as mulheres sempre estejam olhando adiante, necessidade que faz muitas delas estruturaram famílias inteiras por meio do empreendedorismo.
“A grande virada de chave para as mulheres saírem do empreendedorismo de sobrevivência consiste em conciliar investir e empreender. Prosperar nos negócios é também garantir que a mulher esteja amparada, que tenha uma reserva de emergência e uma aposentadoria para o futuro”, conclui Chaves.