Os pedidos da empresa alcançaram US$ 32,1 bilhões, alta de 22% na comparação com o mesmo período do ano passado, sendo seu sexto recorde histórico. Além disso, entregou 44 aeronaves no trimestre, considerando todas as unidades de negócios, o que representa um crescimento de 47% no ano e 16% do ponto médio do guidance de 2026 (248 aeronaves), acima da média histórica de 12% no primeiro trimestre.
Na divisão por setores, a aviação comercial registrou uma carteira de pedidos de US$ 15 bilhões no primeiro trimestre, um crescimento anual de 50% e de 3% em relação ao quarto trimestre de 2025.
A aviação executiva registrou uma carteira de pedidos de US$ 7,6 bilhões no período, permanecendo estável na comparação anual e trimestral.
Na área de defesa e segurança, a carteira de pedidos atingiu US$ 4,4 bilhões entre janeiro e março, com crescimento de 5% na comparação anual e redução de 4% na comparação trimestral.
Já de serviços e suporte, a carteira de pedidos alcançou US$ 5,1 bilhões no primeiro trimestre, com crescimento de 11% na comparação anual, impulsionado por novos contratos de serviços de longo prazo.
O balanço completo com resultados do 1T26 da empresa vai ser divulgado no dia 8 de maio de 2026, antes da abertura do mercado.
Veja calendário completo: Calendário de balanços do 1T26: veja as datas de divulgação e teleconferências das empresas da B3
XP enxerga bons indicadores operacionais
A XP avalia que a Embraer apresentou indicadores operacionais saudáveis no primeiro trimestre de 2026. Segundo a corretora, esforços de nivelamento de produção ajudaram a mitigar a sazonalidade tradicionalmente mais fraca do período. A XP ainda observa que tanto a aviação comercial quanto a aviação executiva registraram entregas superiores às do primeiro trimestre de 2025.
Na avaliação dos analistas Lucas Laghi, Fernanda Urbano e Guilherme Nippes, o backlog (lista de atividades e demandas que precisam ser executadas) segue como um dos principais pilares da tese. A carteira foi descrita como sólida.
O relatório destaca novos pedidos em aviação comercial apesar do ambiente volátil de preços de combustível de aviação. Foram 21 E195-E2 líquidos, levando a um book-to-bill (relação entre pedidos e faturamento) de 3,0 vezes UDM no trimestre. A casa considera ainda que o avanço foi puxado pelo pedido da Finnair de 18 E195-E2 e por outras três unidades vendidas a um cliente não divulgado. O banco BTG Pactual concorda com essa avaliação.
Em defesa e segurança, a XP aponta estabilidade do backlog. O texto cita que seleções do KC-390 por Eslováquia (três) e Lituânia (três) ainda não estão refletidas na carteira.
Em serviços e suporte, o backlog avançou 11% ante o último ano. A XP atribui o resultado a contratos de longo prazo, como os firmados com a Airnorth e a Força Aérea Húngara.
Para a XP, o backlog robusto funciona como fator de redução de risco. A corretora afirma que a carteira sustenta entregas nos próximos anos mesmo que o ritmo de novos pedidos desacelere no curto prazo, diante de um ambiente macroeconômico volátil.
Às vésperas da divulgação de resultados, a XP espera que o foco dos investidores migre para lucratividade. O relatório aponta potencial de alta ao guidance atual caso isenções tarifárias e disciplina de custos sejam mantidas.
A casa reiterou recomendação de compra para Embraer. Também disse esperar que o call de resultados, em 8 de maio, concentre o debate em lucratividade e em possível revisão positiva do guidance se esses vetores persistirem.
Aviação comercial puxa pedidos
Para o BTG Pactual, o recorde de pedidos foi puxado, principalmente, pelo ritmo de vendas forte e sustentado na aviação comercial e por entregas mais fortes no período, apoiadas por melhora na perspectiva da cadeia de suprimentos e por avanços internos da empresa em nivelamento de produção e eficiência.
Na avaliação dos analistas Lucas Marquiori, Fernanda Recchia e Samuel Alkmim, a atualização do backlog reforça a combinação entre uma companhia com carteira sólida, demanda contínua e execução em melhora. Por isso, o banco reiterou recomendação de compra para o papel, argumentando que os fundamentos não mudaram, apesar do desempenho fraco da ação após a guerra no Oriente Médio.
Na aviação executiva, o backlog ficou em US$ 7,6 bilhões, estável em relação ao trimestre anterior, com book-to-bill de 1,0 vez, abaixo de 1,1 vez no quarto trimestre.
Em defesa, a carteira recuou para US$ 4,4 bilhões, de US$ 4,6 bilhões no trimestre anterior, refletindo ausência de novos pedidos relevantes e as entregas de um KC-390 e quatro A-29 Super Tucano no período. O book-to-bill do segmento foi de 1,2 vez, ante 1,4 vez no quarto trimestre.
Em serviços, o backlog somou US$ 5,1 bilhões, alta de 4% em relação ao trimestre anterior, com book-to-bill de 1,2 vez, estável ante o quarto trimestre.
O BTG também apontou, com base nas entregas do trimestre, Republic Airlines e American Airlines como os principais destaques no segmento E175 (três e duas aeronaves, respectivamente), e Luxair e AerCap no E195-E2 (duas e uma, respectivamente). Segundo o banco, isso ajuda a construir margens nos próximos anos, à medida que a empresa substitui contratos antigos por clientes com contratos mais recentes.
Os analistas esperam que o momento de lucros e o noticiário sigam positivos e observou que a ação negocia com desconto de valor do ativo (valuation) de dois dígitos ante pares globais, a 11 vezes EV/Ebitda 2026.
O BTG tem recomendação de compra para as ADRs da Embraer. O preço-alvo é de US$ 97, 53,8% acima do último fechamento.
Guerra não impacta demanda
Os dados operacionais do primeiro trimestre da Embraer mostram que a empresa não sentiu, até o momento, o impacto da guerra e dos preços do petróleo, avalia o Citi.
Em relatório, os analistas André Mazini, Kiepher Kennedy e Piero Trotta destacam que a carteira de pedidos de aviação comercial cresceu apesar dos riscos geopolíticos ligados ao conflito e dos altos preços do petróleo, que aumentaram no início de março.
Os profissionais ressaltam que o maior impacto, nesse contexto, tem sido observado em rotas de longa distância, e não nas rotas regionais. O banco também aponta que as entregas vêm acompanhando a sazonalidade histórica, o que pode indicar que a Embraer está no caminho para superar a meta intermediária da projeção.
O Citi destaca ainda que a relação entre pedidos e faturamento em aviação comercial atingiu recorde de 3 vezes. Nos demais segmentos, essa relação ficou acima de 1 vez, com Defesa e Serviços em 1,2 vez e Executivo em 1 vez.
Para o banco, a aviação comercial foi impulsionada por grandes encomendas do E195-E2, com menção à Finnair, enquanto a aviação executiva permanece resiliente e a área de serviços e suporte continua a crescer com contratos recorrentes de maior margem.
O relatório reforça a confiança na estratégia de nivelamento da produção e na projeção de entregas para o ano todo.
O banco destaca que os números do primeiro trimestre de 2026 reforçam a visão de que a Embraer entrou em uma fase de crescimento plurianual, sustentada pela recuperação da Aviação Comercial, pela demanda estável por serviços executivos e pela expansão dos Serviços.
O Citi afirma que, com a carteira de pedidos em nível recorde e as entregas acima das médias sazonais, o risco de execução parece controlado e avalia que ainda há espaço para novas aquisições do E2 e conversões para o segmento de defesa.
O Citi manteve recomendação de compra para Embraer, com preço-alvo de US$ 77,00 por ADR, o que representa potencial de valorização de 22,1% ante o último fechamento do papel.
*Com informações da Broadcast