Nesse ambiente, emissores de grau especulativo e com necessidades de refinanciamento no curto prazo seriam os mais vulneráveis. Entre os setores, a Moody’s aponta maior exposição em aviação, materiais de construção e químicos, intensivos em energia. Companhias aéreas de baixo custo e empresas de bens discricionários tenderiam a sofrer com demanda mais fraca e menor capacidade de repasse de preços. Em contraste, energia e defesa estão entre os poucos segmentos beneficiados.
No campo soberano, países da Ásia-Pacífico e, em menor grau, da Europa concentram maior exposição a uma interrupção persistente. Na Europa, economias com finanças públicas mais frágeis e menor espaço de política são as mais sensíveis. Já no Sul da Ásia, ratings mais baixos e reservas cambiais limitadas ampliam a vulnerabilidade.
Para infraestrutura, o impacto deve variar entre os segmentos, mas tende a ser limitado. Empresas de serviços públicos em países dependentes de GNL, como Japão e Coreia do Sul, ficam mais expostas, embora balanços sólidos e a possibilidade de repassar custos ajudem a manter a resiliência. Portos podem ser pressionados por custos mais altos e menor movimentação, enquanto aeroportos têm impacto direto reduzido.
Instituições financeiras devem resistir melhor, amparadas por “fortes colchões de capital”, embora maior volatilidade e crescimento mais fraco possam afetar o desempenho, diz a Moody’s. A agência ressalta que seu cenário base anterior considerava “improvável” impacto significativo caso o conflito fosse curto, mas alerta que uma interrupção prolongada, especialmente no Estreito de Ormuz (por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial), elevaria de forma sustentada os preços do petróleo e a aversão a risco global.