XP não tem visão pessimista
O Nubank reportou o trimestre marcado por piora na qualidade de crédito e aumento acima do esperado das provisões, mas a XP Investimentos avalia que os números não representam uma deterioração estrutural da operação. A corretora manteve visão positiva para a tese do banco digital, citando forte crescimento de receitas, expansão da base de clientes e valor do ativo (valuation) ainda atrativo.
Segundo os analistas Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães e Guilherme Meneghetti, a inadimplência de curto prazo aumentou cerca de 89 pontos-base na comparação trimestral, enquanto as provisões para perdas com crédito somaram US$ 1,72 bilhão, alta de 20% em relação ao trimestre anterior e 17% acima das estimativas da XP.
Na avaliação da corretora, a piora foi influenciada principalmente por fatores sazonais, crescimento acelerado da carteira e mudança no mix de crédito, com maior participação de produtos sem garantia. “Não vemos o trimestre como um ponto de inflexão negativa”, afirmaram os analistas.
O Nubank encerrou o trimestre com 135,2 milhões de clientes, avanço de 16,6 milhões em 12 meses, mantendo taxa de atividade próxima de 83%. O ARPAC, indicador de receita média mensal por cliente ativo, atingiu recorde de US$ 15,9, alta de 23% na comparação anual em base neutra de câmbio.
A receita total superou US$ 5,3 bilhões no trimestre, crescimento anual de 42% em moeda constante, enquanto a receita líquida de juros (NII) atingiu US$ 3,25 bilhões, novo recorde para o banco. Já o lucro líquido ficou em US$ 871 milhões, queda de 5% na comparação trimestral e 6% abaixo das projeções da XP, refletindo principalmente maiores custos de crédito.
Os analistas destacaram ainda que a curta duration (tempo médio ponderado para receber o fluxo de caixa de títulos) da carteira de crédito sem garantia preserva flexibilidade para ajustes rápidos de concessão e subscrição (underwriting), o que reduz riscos de deterioração mais profunda da carteira.
Apesar da expectativa de reação negativa do mercado no curto prazo, a XP afirmou continuar vendo assimetria positiva para o papel, sustentada pela posição competitiva do Nubank, potencial de monetização da base de clientes e novas avenidas de crescimento, incluindo expansão internacional e uso de inteligência artificial para ganhos de eficiência operacional.
Citi mantém recomendação de compra
O Citi avalia que o balanço do Nubank no primeiro trimestre de 2026 veio próximo do esperado, mas com piora em indicadores de risco e de capital que, na visão do banco, tendem a manter as preocupações do mercado sobre a trajetória de resultados. A empresa reportou lucro de US$ 872 milhões, praticamente em linha com as estimativas do Citi, com retorno sobre o patrimônio (ROE) de 29,2%, ante 33% no quarto trimestre de 2025.
Para os analistas Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shiraz, o principal ponto do trimestre foi a pressão do custo de risco sobre a rentabilidade. A margem financeira líquida ajustada ao risco recuou para 9,5%, de 10,5%, movimento atribuído ao aumento do custo de risco, mesmo com receitas que o banco descreve como fortes.
O trio de analistas ressaltou que o Nubank segue crescendo em ritmo elevado, com alta de 54% na carteira de crédito ante o último ano e avanço de 34% nos depósitos na mesma comparação. Ainda assim, o Citi disse que as provisões superaram o crescimento do crédito, o que sinaliza um custo crescente de maturação do portfólio de crédito sem garantia.
Na qualidade de ativos, o Citi apontou aumento na formação de Stage 2+3, de 3,5% para 6,7% em relação ao trimestre anterior, e afirmou que esse movimento levanta dúvidas sobre o nível de provisões daqui para a frente, com potencial de pressionar resultados.
O banco também citou a alta nas transferências para Stage 3 em cartões de crédito, de 1,1% para 1,5%, e a estabilidade em empréstimos pessoais, em 2,5%. A inadimplência de 15 a 90 dias subiu de 4,1% para 5%, em um movimento que o Citi relacionou a sazonalidade, enquanto os atrasos acima de 90 dias ficaram estáveis.
O Citi também destacou o consumo de capital, com queda do Capital Principal de Nível 1 (CET1) para 11,3%, de 13,0% no trimestre anterior, atribuída a menor capital CET1 e à rápida expansão do Ativos ponderados pelo risco (RWA). Embora ainda acima dos mínimos regulatórios, o banco afirmou que o ritmo de consumo evidencia uma troca relevante entre sustentar uma trajetória de alto crescimento e preservar a base de capital, e avaliou que a preocupação do mercado com o crescimento do EBT pode persistir nos próximos trimestres.
O Citi tem recomendação de compra para o Nubank. O preço-alvo é de US$ 22, o que implica em um potencial de valorização de 70,1%, ante o último fechamento.
Com informações do BroadCast.