Na bolsa brasileira, esses contratos preditivos ganham o nome de contratos de eventos. Os instrumentos são definidos a partir do comportamento de variáveis do mercado, como o fechamento do dólar no dia. Nesses produtos, o investidor negocia a probabilidade de ocorrência do evento por meio do preço do contrato, que varia de R$ 0 a R$ 100.
Embora sejam semelhantes às opções tradicionais, os contratos de eventos se diferenciam pelo pagamento fixo, potencial de ganho conhecido no início da operação e risco limitado para compradores e vendedores. O produto não permite alavancagem, ou seja, o investidor não pode perder mais do que aplicou.
Veja os contratos que serão disponibilizados pela B3:
- Contrato de Evento sobre Futuro Míni de Ibovespa B3 (ticker: BWI);
- Contrato de Evento sobre Índice Bovespa B3 (ticker: BBV);
- Contrato de Evento sobre Futuro Mini de Dólar (ticker: BWD);
- Contrato de Evento sobre Dólar à Vista (ticker: BDO);
- Contrato de Evento sobre Futuro de Bitcoin (ticker: BBI);
- Contrato de Evento sobre Bitcoin à Vista (ticker: BBC).
Os novos produtos foram autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) inicialmente para negociação exclusiva por investidores profissionais (com mais de R$ 10 milhões alocados em ativos financeiros ou certificação técnica emitida pela autarquia). Mas a Bolsa quer avançar além desse público.
“Entendemos que essa limitação apenas a investidores profissionais gera uma restrição aos investidores pessoa física, que têm muito interesse nesse perfil de produto”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, em conversa com jornalistas no início de março.
A estrutura dos contratos seguirá regras comuns aos derivativos já negociados no ambiente regulado da B3, incluindo liquidação exclusivamente financeira, formação transparente de preço em tela, livro multilateral onde todos os investidores interagem entre si, garantia de contraparte para liquidação e parâmetros objetivos para verificação de resultados nos vencimentos.
A Bolsa brasileira ainda trabalha para conseguir a mesma liberação para contratos ligados ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e ao Produto Interno Bruto (PIB).
O mercado de previsões tem avançado no Brasil. O BTG Pactual anunciou na última sexta-feira (27) o lançamento do BTG Trends, plataforma proprietária de leitura probabilística aplicada a ativos financeiros. No início de março, a XP Investimentos também havia informado a sua entrada no segmento, por meio de uma parceria com a Kalshi.