O noticiário geopolítico dividiu espaço com uma agenda carregada de indicadores econômicos, incluindo o relatório ADP de empregos no setor privado dos EUA e os índices de gerentes de compras (PMIs) industriais americanos. No Brasil, os destaques foram o Índice de Preços ao Consumidor – Semanal (IPC-S) de março e o PMI da indústria.
E lá fora?
As Bolsas asiáticas fecharam em forte alta, assim como as europeias. Os índices de ações de Nova York estenderam os ganhos da véspera, reforçados por declarações de autoridades americanas e iranianas. Trump afirmou que espera que as forças americanas deixem o país persa em “duas ou três semanas”, após o Irã sinalizar que está pronto para encerrar a guerra, desde que haja garantias contra novas agressões.
A perspectiva de alívio geopolítico ajudou o petróleo: o Brent chegou a cair cerca de 5%, rompendo momentaneamente o nível de US$ 100 por barril. A commodity fechou o dia em queda próxima de 2,7%.
Em paralelo, investidores monitoraram a agenda americana, com destaque para o relatório ADP de emprego no setor privado, que mostrou a criação de 62 mil empregos em março. A expectativa de analistas consultados pela FactSet era de geração de 39 mil postos de trabalho no mês passado.
Com a queda de popularidade em pesquisas recentes, Trump assinou também uma ordem executiva para endurecer as regras eleitorais, de olho nas eleições de meio de mandato deste ano.
O índice de gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) industrial dos EUA subiu de 51,6 em fevereiro para 52,3 em março, segundo pesquisa final divulgada hoje pela S&P Global. Já a medição do Instituto para Gestão da Oferta (ISM, na sigla em inglês) indicou que o índice de atividade industrial americano avançou de 52,4 em fevereiro para 52,7 em março.
Dia de queda para a Petrobras (PETR3;PETR4)
No mercado brasileiro, as ações da Vale (VALE3) subiram 0,63%. Enquanto isso, os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras (PETR3; PETR4) recuaram 3,67% e 2,67%, respectivamente. Com a guerra no Oriente Médio em curso, a Refinaria de Mataripe elevou o GLP em 15,3%, e a Petrobras reajustou o querosene de aviação em 54,6% a partir de hoje.
Economistas, em reunião com diretores do Banco Central em São Paulo (SP), avaliaram ontem que o petróleo deve seguir acima do pré-guerra, com parte projetando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acima do teto de 4,5%. Mais de 80% dos Estados também indicaram adesão à subvenção ao diesel, que deve sair por medida provisória (MP) nesta semana.
Na agenda de dados, o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) da Fundação Getulio Vargas subiu 0,67% em março, após aceleração de 0,46% na terceira quadrissemana e queda de 0,14% no fim de fevereiro. O índice acumula agora alta de 3,47% nos últimos 12 meses. O índice de março superou o teto das estimativas colhidas pelo Projeções Broadcast, de 0,66%, com mediana de alta de 0,65% e piso de 0,49%.
Já o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) sobre a atividade industrial do Brasil subiu de 43,7 pontos em fevereiro para 49 pontos em março, informou a S&P Global. Foi o 11º mês consecutivo em que o indicador ficou abaixo dos 50 pontos, o que indica retração na atividade.
Os mercados hoje
A dinâmica dos ativos globais reforçou o tom positivo visto pela manhã, sustentado pela expectativa de distensão no Oriente Médio.
Negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), o petróleo WTI para maio fechou em queda de 1,24% a US$ 100,12 o barril. Já o Brent para junho caiu 2,70% a US$ 101,16 o barril, na Intercontinental Exchange de Londres (ICE).
Os índices das Bolsas de Nova York fecharam em alta, com Wall Street ampliando os fortes ganhos de ontem, um dia após Trump dizer que os EUA deixarão o Irã “muito em breve”, sinalizando o possível fim da guerra. O Dow Jones subiu 0,48%, o S&P 500 avançou 0,72% e o Nasdaq teve ganho de 1,16%.
As bolsas europeias fecharam em forte alta nesta quarta-feira (1º), também reagindo à sinalização de saída dos EUA do conflito e a indicadores de atividade da região. Em Londres, o FTSE 100 encerrou em valorização de 1,85%, a 10.364,79 pontos. Em Frankfurt, o DAX subiu 2,62%, a 23.275,17 pontos. Em Paris, o CAC 40 ganhou 2,10%, a 7.981,27 pontos. Em Milão, o FTSE MIB avançou 3,17%, a 45.714,95 pontos. Em Madri, o Ibex 35 teve alta de 3,07%, a 17.572,40 pontos. Em Lisboa, o PSI 20 ganhou 1,84%, a 9.299,86 pontos. As cotações são preliminares. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançou 2,34%, a 597,49 pontos, depois de amargar em março o maior tombo mensal desde 2022.
Os rendimentos dos Treasuries terminaram em alta. O juro da T-note de 2 anos subiu a 3,811%, o da T-note de 10 anos avançou a 4,332% e o do T-bond de 30 anos marcou valorização a 4,915%.
O dólar encerrou em baixa frente a moedas de economias desenvolvidas, estendendo as perdas da véspera com a expectativa de distensão geopolítica. O euro subiu a US$ 1,1586, a libra avançou a US$ 1,33 e o dólar caiu a 158,85 ienes. O índice DXY recuou 0,38%, a 99,585 pontos.
As Bolsas asiáticas fecharam em alta expressiva nesta quarta-feira, impulsionadas pelas esperanças de fim da guerra no Oriente Médio. Liderando o movimento, o Kospi disparou 8,44% em Seul, enquanto o Nikkei saltou 5,24% em Tóquio, o Taiex avançou 4,58% em Taiwan e o Hang Seng subiu 2,04% em Hong Kong.
Na China continental, o Xangai Composto teve alta de 1,46% e o Shenzhen Composto avançou 1,65%. Pesquisa independente mostrou que o PMI industrial chinês caiu para 50,8 em março, enquanto o levantamento oficial havia apontado alta para 50,4 – ambos com metodologias distintas. Na Oceania, o S&P/ASX 200 subiu 2,24% em Sydney.
*Com informações do Broadcast