Gabriel Galípolo destaca que cautela na política monetária coloca o Brasil em posição mais favorável diante de cenário externo adverso. (Imagem: Adobe Stock)
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta segunda-feira (6) que a cautela adotada pelo BC brasileiro na condução da política monetária tem permitido enfrentar o choque atual de oferta, associado à guerra no Oriente Médio, em uma condição mais favorável.
“A ideia de cautela para o Banco Central do Brasil é você poder tomar tempo para conhecer melhor o problema e fazer movimentos mais seguros, dar passos mais seguros na direção da política monetária a partir do conhecimento que você tem maior do problema”, disse.
Galípolo ressaltou que o conceito de cautela na autoridade monetária está sempre associado ao de serenidade. Brincou também que usou a palavra cautela mais vezes na vida desde que entrou no BC do que antes de fazer parte do board da autoridade monetária.
O presidente do BC detalhou que essa percepção de uma condição mais favorável do Brasil considera o ponto de vista do crescimento econômico, que está mais próximo do potencial do País, e da taxa de câmbio, que tem se apresentado mais bem comportada, beneficiada não só pelo Brasil ser exportador líquido de petróleo mas também pelo carry (obtenção lucros com base na diferença entre a taxa de juros de dois países), segundo Galípolo.
Apesar desses fatores, ele ponderou que, do ponto de vista da condução da política monetária, ainda há preocupação com o mercado de trabalho apertado e as expectativas de inflação desancoradas.
Galípolo participou da abertura do XII Seminário Anual de Política Monetária promovido pelo Centro de Estudos Monetários do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), no Rio de Janeiro.