Por volta das 12h30 (de Brasília), o WTI avançava cerca de 3,11%, a US$ 115,91, enquanto o Brent subia em torno de 0,80%, a US$ 110,60, após oscilar durante a madrugada. O movimento reflete a combinação entre incerteza diplomática e risco de interrupções prolongadas na oferta global de petróleo.
Na esteira da commodity, as petroleiras exibem desempenho misto na B3. A Petrobras (PETR3; PETR4) lidera os ganhos moderados, com a ordinária subindo 0,69%, a R$ 54,08, e a preferencial avançando 0,37%, a R$ 49,12. A Prio (PRIO3) também acompanha o movimento e sobe 1,50%, a R$ 68,31. Já a PetroReconcavo (RECV3) recua 0,14%, a R$ 13,87, enquanto a Brava Energia (BRAV3) cai 3,08%, a R$ 20,45, em um pregão de realização mais acentuada.
A Petrobras permanece no centro das atenções não apenas pela correlação com o petróleo, mas também pelo ruído em governança. A saída de Claudio Romeo Schlosser da diretoria de Logística, após críticas do presidente Lula ao leilão de GLP, elevou a percepção de interferência política entre analistas. Em paralelo, a indicação de Guilherme Santos Mello para a presidência do conselho reforça o momento de transição no comando da estatal, em um ambiente de maior escrutínio sobre sua política comercial.
Ultimato recoloca Ormuz no centro do mercado
O principal vetor de preços é o prazo estabelecido pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para a noite desta terça-feira, às 21h (de Brasília). A exigência é que o Irã aceite um acordo que inclua a reabertura de Ormuz, corredor estratégico por onde transita cerca de 20% do petróleo mundial.
A possibilidade de uma negativa iraniana elevou a percepção de risco. Trump voltou a ameaçar ataques diretos à infraestrutura do país, incluindo ativos energéticos, caso não haja avanço nas negociações.
Em publicação na rede Truth Social, o presidente dos Estados Unidos afirmou que “uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais ser ressuscitada”, em referência ao prazo final. Segundo ele, o desfecho pode marcar “um dos momentos mais importantes da longa e complexa história do mundo”.
A retórica reforça a leitura de que o conflito caminha para um ponto de inflexão, reduzindo o espaço para uma solução diplomática no curtíssimo prazo.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária afirmou que poderá atingir instalações energéticas e ampliar o conflito para além da região, caso os Estados Unidos cruzem o que classificou como linhas vermelhas.
Apesar de iniciativas recentes de mediação, o mercado passou a trabalhar com uma probabilidade baixa de cessar-fogo no curto prazo. Plataformas de previsão indicam chances marginais de acordo nos próximos dias, com probabilidades ainda limitadas mesmo em horizontes mais longos.
Relatos da mídia iraniana indicam ofensivas contra aeroportos, zonas industriais e áreas ligadas à cadeia energética no país, além de evacuações em polos petroquímicos relevantes, como na região de Mahshahr. O avanço militar ocorre em paralelo às negociações, o que fragiliza a perspectiva de descompressão.
Ásia avança com cautela
As Bolsas asiáticas fecharam em alta, ainda que com moderação. O movimento foi puxado por Taiwan e Coreia do Sul, enquanto Japão e China registraram ganhos mais contidos.
A leitura predominante na região é de cautela. O petróleo mais caro e a incerteza sobre o fluxo em Ormuz mantêm investidores atentos a possíveis disrupções nas cadeias de energia, o que já começa a influenciar decisões estratégicas de abastecimento.
Petróleo sustenta dólar e juros
Nos mercados globais, a alta da commodity dá sustentação ao dólar e aos juros dos Treasuries, títulos do Tesouro estadunidense, enquanto pressiona bolsas internacionais. O movimento reflete tanto o impacto inflacionário esperado quanto a busca por proteção.
Dirigentes do Federal Reserve já admitem que a guerra pode adicionar pressão inflacionária relevante nos Estados Unidos, inclusive sobre o núcleo, em um ambiente já tensionado por tarifas.
No Brasil, o efeito é duplo e mais sensível. De um lado, reforça receitas e margens de exportadoras de petróleo. De outro, encarece combustíveis, frustra expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) — sobretudo via diesel e logística — e reduz o espaço para flexibilização monetária no curto prazo.
Incerteza sobre comando no Irã acirra cenário
A instabilidade ganha novos contornos com informações sobre a liderança iraniana. Relatos da imprensa internacional indicam que o líder supremo Mojtaba Khamenei estaria incapacitado por problemas de saúde, o que aumenta as incertezas sobre a cadeia de comando no país e reforça a percepção de imprevisibilidade no conflito.
Ao mesmo tempo, autoridades americanas mantêm o discurso de que ainda há espaço para avanço diplomático até o prazo final, embora o mercado, na prática, já opere com um cenário mais adverso.