O cenário é de cautela global, diante da possibilidade de o Irã ignorar o ultimato do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para reabrir o Estreito de Ormuz até esta noite, o que mantém o prêmio de risco elevado no petróleo.
No caso da estatal brasileira, porém, o vetor dominante é doméstico. A saída de Claudio Romeo Schlosser da diretoria de Logística, Comercialização e Mercados, anunciada após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao leilão de GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), acendeu um alerta no mercado sobre interferência política na companhia.
Analistas veem o episódio como mais um sinal de que a governança pode ser tensionada, especialmente em ano eleitoral. A leitura é de que decisões com racional econômico podem ceder espaço a objetivos de controle de preços, o que amplia a incerteza para investidores.
Para gestores e estrategistas, a demissão sugere que o Executivo tende a intervir quando decisões da companhia colidirem com interesses políticos, inclusive na política de combustíveis. Nesse contexto, medidas recentes anunciadas pelo governo para limitar a alta dos preços reforçam a percepção de risco.
Embora a valorização do petróleo continue sendo um fator positivo para a geração de caixa da Petrobras, cresce a avaliação de que esse ganho pode não se traduzir integralmente em valor para a companhia. O foco do mercado, ao menos no curto prazo, migra da commodity para a governança.
A troca no comando também levanta dúvidas sobre o grau de alinhamento da nova diretoria com a atual gestão da empresa, em um momento em que o equilíbrio entre rentabilidade e política de preços volta ao centro do debate.
Assim, mesmo com o Brent em patamar elevado e sustentado por tensões geopolíticas, a Petrobras (PETR3; PETR4) passa a negociar sob um desconto adicional, refletindo o risco de interferência e a incerteza sobre os próximos passos da política energética.