Segundo eles, as vendas totais do setor registraram leve avanço, de 2,5% em janeiro e 0,4% em fevereiro ante o último ano, movimento que teria sido sustentado quase integralmente por preços – cerca de 4,5% no acumulado do primeiro trimestre.
Do lado da demanda, porém, o Citi destaca que os volumes “permaneceram fracos”, com queda de 0,7% no acumulado do trimestre e retração de 3,9% em fevereiro.
O relatório chama atenção para o fato de fevereiro ter tido comparação mais favorável por conta do carnaval (em relação a março do ano passado), o que, avalia, deveria ter ajudado os volumes, embora isso não tenha se refletido no resultado.
Nesse cenário, os analistas Renata Cabral, Luís Felipe Terzariol e Simon Hales enxergam a Ambev “claramente superando” a concorrência. A companhia teve crescimento de 3,8% nas vendas no acumulado do ano, ante aproximadamente 1,5% do setor, com volumes de menos 0,7%, contra menos 2,9% do mercado e menos 4,7% da Heineken.
O Citi também observa melhora nos volumes do portfólio da Ambev, com menos 0,7% no trimestre, após menos 8,1% no quarto trimestre de 2025, além de preços “resilientes” de 4,5% no trimestre – combinação que teria impulsionado a alta de 3,8% nas vendas em valor ante o último ano.
O banco atribui a performance da Ambev principalmente ao portfólio premium, citando a continuidade do bom desempenho em preços e volumes, e acrescenta que a desaceleração da queda de volumes e a manutenção de preços na linha Core também contribuíram, conforme os analistas.
Apesar da leitura mais construtiva em termos relativos, o Citi mantém recomendação neutra para Ambev. O banco justifica a posição ao afirmar que a empresa negocia a cerca de 15 vezes o lucro por ação e que ainda são necessárias “evidências mais claras” de uma recuperação sustentada da demanda.
Concorrência
O relatório do Citi também compara o desempenho de concorrentes. No caso da Heineken, o Citi destaca o crescimento forte do volume das cervejas principais – 7,6% em janeiro e 5,9% em fevereiro ante o último ano – como sinal de tração no segmento mainstream.
Ainda assim, o banco afirma que esse avanço é compensado pelo desempenho fraco das cervejas premium, com volumes e preços mais baixos, o que limita o crescimento das vendas. Mesmo com preços considerados sólidos, de 4,4%, os volumes totais permanecem negativos, em -4,7%, abaixo tanto da Ambev (-0,7%) quanto do mercado (-2,9%).
Para os analistas do Citi, o principal ponto negativo é que as cervejas premium (normalmente o principal fator de margem) seguem abaixo do esperado, aumentando a dependência das cervejas principais para o crescimento.
Já no Grupo Petrópolis, o Citi afirma não ver sinais de estabilização, e o banco aponta queda de 10,7% nas vendas ante o último ano, puxada por volumes 13,4% menores – contra menos 2,9% do mercado e menos 0,7% da Ambev – e preços 3,3% maiores, abaixo de uma inflação estimada em aproximadamente 3,8%.
O banco descreve fraqueza generalizada nos segmentos Core e Premium e ressalta que o Premium esteve “particularmente fraco”, com recuo de 21,5% nos volumes em fevereiro. Para o banco, a combinação de volumes negativos e preços insuficientes sugere pressão contínua sobre demanda e lucratividade, e “ainda não há indícios de uma recuperação”.
O Citi tem recomendação neutra para Ambev e preço-alvo de R$ 15, visando um potencial de desvalorização de 2,9% sobre o fechamento desta segunda-feira, 6.