Gilson Finkelsztain, CEO da B3: mais de 54 empresas esperam por um melhor momento para estrear na bolsa (Foto: Cauê Diniz/B3/Divulgação)
Em um momento no qual o capital estrangeiro continua forte na bolsa, Gilson Finkelsztain, CEO da B3, avalia que há espaço para a reabertura da janela de ofertas públicas iniciais (IPOs), capitaneada pelo investidor estrangeiro. Segundo ele, 54 empresas já estariam preparadas, com registro na CVM, para acessar o mercado assim que as condições se consolidarem. A declaração foi feita no MKBR, organizado pela Anbima em parceria com a B3.
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“São empresas grandes de setores que seguem fazendo investimentos. Não são setores com maiores incertezas de caixa e temores de disrupções, como o de tecnologia. Então eu acredito que a janela pode reabrir e vai depender do estrangeiro. O local pode acompanhar algumas dessas potenciais aberturas de capital”.
O executivo justificou o seu “otimismo realista” com dados do cenário recente. Finkelsztain ressaltou que o mercado acionário brasileiro iniciou 2026 com forte desempenho, impulsionado principalmente pelo fluxo estrangeiro. O saldo de capital externo já soma cerca de R$ 55 bilhões no ano, ajudando a elevar o volume médio diário negociado de ações de aproximadamente R$ 25 bilhões para R$ 38 bilhões.
O movimento reflete uma realocação global para mercados emergentes, diante de riscos geopolíticos e maior concentração em economias desenvolvidas. Embora o Brasil represente uma fatia ainda pequena nesses portfólios, cerca de 4,5%, abaixo de picos históricos, o nível atual tem sido suficiente para sustentar a valorização da renda variável após uma ressaca de três anos.
Enquanto o investidor estrangeiro continua com apetite, porque dá menos peso às incertezas políticas domésticas e mais atenção à avaliação das empresas consideradas atrativas, o investidor local, especialmente o institucional e a pessoa física, segue mais conservador, favorecido pelos juros reais elevados, que mantém a renda fixa atrativa.
O obstáculo aos planos da bolsa é que o investidor estrangeiro tem preferência pela compra de ações mais líquidas, como Petrobras, Vale e Prio. Ou seja, dizer que o apetite desses fundos passivos, em sua maioria, se estenderia também para novas ações na bolsa não é algo óbvio. A janela de IPOs, portanto, seria mais dependente de um cenário de juros mais baixos, que depende do término da guerra entre Estados Unidos e Irã, do que dessa movimentação.